Gregório de Nazianzo
São Gregório de Nazianzo, chamado "o Teólogo", foi um dos três Padres Capadócios e é venerado como Doutor da Igreja. Bispo e brevemente arcebispo de Constantinopla, destacou-se na defesa da fé nicena, da Santíssima Trindade e da plena divindade do Espírito Santo contra o arianismo e demais heresias do século IV.
A vida
Infância, formação e conversão
Gregório nasceu por volta de 329/330 d.C. em Arianzo, perto de Nazianzo, na Capadócia (atual Turquia), no seio de uma família santa. Seu pai, Gregório, o Velho, fora membro da seita dos hipsistários e converteu-se ao cristianismo pela influência de sua esposa, tornando-se depois bispo de Nazianzo. Sua mãe, Santa Nona, consagrou-o a Deus desde o nascimento. Também seus irmãos, o médico São Cesário e Santa Gorgônia, são venerados como santos.
Em busca de instrução, frequentou as mais célebres escolas de seu tempo: estudou em Cesareia da Capadócia, em Cesareia da Palestina, em Alexandria e, por cerca de dez anos, em Atenas. Ali firmou-se sua profunda amizade com São Basílio Magno — dela diria que pareciam ter "uma só alma em dois corpos" — e teve como colega Juliano, o futuro Apóstata. De volta à pátria, recebeu o Batismo e nutriu forte inclinação pela vida monástica e contemplativa, retirando-se com Basílio para a solidão do Ponto, em Annesi, onde juntos compilaram a Filocalia, uma antologia das obras de Orígenes.
Vida adulta e missão principal
Por volta de 361, seu pai ordenou-o sacerdote praticamente contra a sua vontade. Magoado com a imposição, Gregório fugiu de volta à solidão, mas retornou e justificou seu gesto no célebre discurso conhecido como a Apologética. Em 372, São Basílio sagrou-o bispo da pequena e desagradável aldeia de Sásima, sé que jamais chegou a assumir e que gerou atrito entre os dois amigos; preferiu auxiliar o pai no governo de Nazianzo. Após a morte do pai, em 374, administrou por algum tempo aquela Igreja e depois recolheu-se a um mosteiro em Selêucia.
Em 379, a pequena comunidade fiel ao Concílio de Niceia chamou-o para liderá-la em Constantinopla, então dominada pelos arianos. Na modesta capela da Anástasis (Anastasia), pregou os seus admiráveis Discursos Teológicos em defesa da fé nicena, da Santíssima Trindade e da divindade do Espírito Santo. Por causa desses discursos, recebeu o título de "o Teólogo", honra que, entre os mestres cristãos, só o Apóstolo São João partilha. Em 380, o imperador Teodósio impôs a ortodoxia nicena e Gregório foi instalado como bispo da capital.
Lutas, controvérsias e perseguições
Sua missão em Constantinopla foi marcada por intrigas. O filósofo Máximo, o Cínico, a quem Gregório acolhera com confiança, foi sagrado bispo da cidade às escondidas, à noite, por bispos egípcios, numa tentativa de usurpar-lhe a sé. Em 381, durante o Primeiro Concílio de Constantinopla (Segundo Concílio Ecumênico), Gregório assumiu a presidência após a morte de Melécio de Antioquia. Contudo, bispos do Egito e da Macedônia contestaram a legitimidade de sua transferência, invocando o cânon de Niceia que proibia a translação de bispos de uma sé para outra.
Cansado das disputas e para não ver a Igreja ainda mais dilacerada por novos cismas, Gregório renunciou voluntariamente ao episcopado de Constantinopla, num gesto de humildade e amor à paz. Pregou um sermão de despedida diante do concílio e retirou-se. Ainda combateu por algum tempo, com sua habitual eloquência, a heresia de Apolinário, que negava a plena humanidade de Cristo.
Últimos anos e legado
De volta a Nazianzo, governou novamente aquela Igreja por breve período e, por fim, recolheu-se definitivamente à solidão de Arianzo, sua terra natal. Nos últimos anos dedicou-se à vida ascética e a uma vasta produção literária: cartas, discursos e milhares de versos, entre os quais o poema autobiográfico Sobre a Própria Vida (De Vita Sua) e poemas dogmáticos e morais. Faleceu por volta de 389/390.
São Gregório é, ao lado de São Basílio Magno e de São Gregório de Nissa, um dos três Padres Capadócios, cuja teologia foi decisiva para a vitória da ortodoxia nicena e para a formulação do Credo Niceno-Constantinopolitano. Venerado como Doutor da Igreja e celebrado no Ocidente em 2 de janeiro, juntamente com São Basílio, permanece um dos maiores mestres da fé trinitária de toda a história cristã.
O contexto em que viveu
Gregório de Nazianzo viveu no século IV, a primeira geração cristã depois de Constantino. O Edito de Milão (313) havia encerrado as perseguições e, ao longo do século, o cristianismo passou de fé tolerada a religião favorecida e, por fim, oficial do Império Romano. Esse novo status, porém, trouxe consigo violentas disputas doutrinais que se misturaram à política imperial: a Igreja deixou de lutar contra perseguidores externos e passou a debater, dentro de si, quem era Jesus Cristo.
O grande conflito da época foi a controvérsia ariana. Em 325, o Concílio de Niceia — primeiro concílio ecumênico, convocado por Constantino — condenou Ário, que ensinava ser o Filho uma criatura, inferior ao Pai, e proclamou o Filho "consubstancial" (homoousios) ao Pai. A definição, porém, não pacificou o Oriente: por décadas o arianismo e suas variantes (semi-arianos, e depois os macedônios ou pneumatómacos, que negavam a divindade do Espírito Santo) dominaram boa parte das sés episcopais, frequentemente apoiados pelo poder imperial.
A própria sucessão dos imperadores ditou o ritmo da crise. Constâncio II favoreceu o arianismo e perseguiu os bispos nicenos. Juliano, o Apóstata (361–363), tentou restaurar o paganismo e reabrir os templos, num breve mas traumático retrocesso para os cristãos. Valente (364–378), ariano convicto, oprimiu de novo os nicenos no Oriente, até morrer na catastrófica Batalha de Adrianópolis (378). A virada veio com Teodósio I, nicênico firme: pelo Edito de Tessalônica (380) fez da fé de Niceia a religião oficial do Império.
Foi na Capadócia, região da Ásia Menor, que se formou a tríade conhecida como os Padres Capadócios: Basílio Magno, seu irmão Gregório de Nissa e o amigo de ambos, Gregório de Nazianzo. Refinando a distinção entre uma só essência (ousia) e três pessoas (hipóstases), eles deram à doutrina trinitária a formulação clássica que venceu o arianismo. O mesmo século viu também a expansão do monasticismo: nascido nos desertos do Egito com Antão e Pacômio, e organizado em regra por Basílio no Oriente, o ideal ascético atraiu multidões e marcou profundamente a espiritualidade de Gregório.
O ponto culminante desse mundo, e da vida de Gregório, foi o Primeiro Concílio de Constantinopla (381), segundo concílio ecumênico, convocado por Teodósio. Reunindo cerca de 150 bispos, confirmou a fé de Niceia e ampliou o Credo com os artigos sobre a divindade do Espírito Santo, produzindo o Credo Niceno-Constantinopolitano professado até hoje; condenou em definitivo o arianismo, o macedonianismo e o apolinarismo. Gregório presidiu o concílio após a morte de Melécio de Antioquia, mas, cansado das intrigas, renunciou à sé de Constantinopla durante a própria assembleia.
Como reconhecer Gregório de Nazianzo na arte sacra
Os atributos visuais consolidaram-se na Idade Média e distinguem o santo nas obras sacras.
Linha do tempo
Eventos do santo à esquerda, eventos do mundo à direita — para situar a vida na história.
Suas contribuições à teologia
São Gregório de Nazianzo é, antes de tudo, o teólogo da Santíssima Trindade. Em suas célebres cinco Orações Teológicas, pregadas em Constantinopla (c. 380) na pequena igreja da Anástasis, defendeu e tornou inteligível a fé de Niceia: um só Deus em três Pessoas, iguais e distintas — Pai, Filho e Espírito Santo, "uma luz tríplice reunida em um só esplendor". Por essa profundidade doutrinal recebeu, raríssimo entre os Padres, o título de "o Teólogo", partilhado apenas com o apóstolo São João e São Simeão, o Novo Teólogo.
Seu maior contributo dogmático foi a defesa explícita da divindade e consubstancialidade do Espírito Santo, num tempo em que os macedônios o reduziam a uma simples energia impessoal. Na Quinta Oração Teológica afirma sem rodeios: "Então o Espírito é Deus? Certamente. Então é consubstancial? Sim, se é Deus." Ensinou ainda a revelação progressiva da Trindade: o Antigo Testamento proclamou o Pai abertamente e o Filho mais obscuramente; o Novo manifestou o Filho e sugeriu a divindade do Espírito, que habita agora entre nós e se mostra mais claramente desde Pentecostes.
Gregório é também mestre da teologia apofática. Na Segunda Oração Teológica ensina que é difícil conceber Deus e impossível defini-Lo em palavras, distinguindo que uma coisa é estar persuadido da existência de Deus e outra bem distinta é saber o que Ele é: podemos saber que Deus existe, não o que Ele é em sua essência. Por isso a subida de Moisés à nuvem é figura do limite do conhecimento humano diante do mistério divino.
No campo cristológico, contra o apolinarismo — que negava a Cristo uma mente humana racional —, formulou o princípio que se tornou regra de ouro da soteriologia: "o que não foi assumido não foi curado" (Carta 101, a Cledônio). Se o Verbo não assumiu a mente humana, a mente humana não foi salva; sendo a humanidade ferida por inteiro, ela teve de ser por inteiro unida à divindade para ser inteiramente salva.
Toda a sua doutrina culmina na ideia de divinização (theosis): tornar-se semelhante a Deus por graça. Exortava a procurar ser como Cristo, porque também Cristo se fez como nós — tornar-nos deuses por meio dele, já que ele mesmo, por nós, se fez homem, tomando sobre si o pior para nos dar de presente o melhor.
Espiritualidade e carisma
Espiritualidade capadócia / contemplativa
Junto de São Basílio Magno e São Gregório de Nissa, Gregório de Nazianzo é um dos três Padres Capadócios, mestres cuja espiritualidade une indissoluvelmente teologia, contemplação e oração. Para Gregório, a teologia não é exercício intelectual frio, mas brota de uma vida de oração e de santidade: só pode falar de Deus retamente quem se purifica e se eleva a Ele. Daí sua insistência em que é necessário recordar-se de Deus mais vezes do que se respira, e sua imagem de Moisés que sobe à nuvem para encontrar o mistério inacessível. Sua vida foi marcada pela tensão entre o desejo de solidão e silêncio monástico — buscado com Basílio no retiro do Ponto e, nos últimos anos, em Arianzo — e o chamado ao serviço pastoral da Igreja, que repetidamente o arrancou do recolhimento. Essa espiritualidade pede pureza de coração e de vida como condição para a contemplação e para o anúncio de Deus, e tem por meta a divinização do homem (theosis): tornar-se semelhante a Cristo, que se fez homem para que nos tornássemos deuses por graça.
A espiritualidade de Gregório fala diretamente ao cristão de hoje. Sua máxima de recordar-se de Deus mais vezes do que se respira é um convite à oração contínua e à interioridade em meio à dispersão e ao ruído do mundo contemporâneo. Seu testemunho de quem viveu dividido entre o desejo de silêncio e contemplação e as exigências do serviço ativo ilumina a busca atual por equilíbrio entre vida interior e ação, entre recolhimento e missão. Ao ensinar que só fala de Deus quem se purifica, recorda que a teologia e a vida cristã autênticas nascem da oração e da santidade, não apenas do estudo. E sua doutrina da divinização anima a esperança de que toda a vida humana — inclusive a dor — foi assumida por Cristo para ser curada e transfigurada.
Ordens, congregações e movimentos
Famílias religiosas que se reconhecem herdeiras do santo.
Padres Capadócios
Tríade de teólogos do século IV — São Basílio Magno, São Gregório de Nazianzo (o Teólogo) e São Gregório de Nissa — que, em vida e em suas obras, foram os grandes responsáveis por estender a doutrina nicena da Trindade ao Espírito Santo e por derrotar arianos, semi-arianos e macedônios no Concílio de Constantinopla (381). Gregório, seguindo Basílio, definiu a Trindade como uma só essência (ousia) em três pessoas (hipóstases).
Três Santos Hierarcas
Tradição litúrgica do Oriente que reúne os três grandes doutores e mestres ecumênicos: São Basílio Magno, São Gregório, o Teólogo, e São João Crisóstomo. A festa conjunta em 30 de janeiro foi instituída por volta de 1100, sob o imperador Aleixo I Comneno, após a visão (1084) em que os três apareceram a São João Mauropous, bispo de Eucaíta, declarando-se iguais diante de Deus.
Suas obras principais
Obras de maior densidade e influência, com links diretos para o Codex quando disponíveis.
Discursos (Orações)
Conjunto de 45 discursos que formam o núcleo da obra de Gregório, abrangendo sermões doutrinais, panegíricos, orações fúnebres e invectivas. Por esses discursos, sobretudo os teológicos, recebeu o título de o Teólogo. A coleção é a base de quase toda a sua reputação literária e doutrinal.
As Cinco Orações Teológicas
Cinco discursos sobre a fé de Niceia (Disc. 27 a 31), pregados na igreja da Anástasis em Constantinopla por volta de 380, contra os eunomianos (arianos radicais) e os macedônios. Expõem a doutrina da Trindade e defendem a divindade do Espírito Santo, sendo o fundamento do título o Teólogo, e são tidos como uma das mais finas exposições patrísticas do dogma trinitário.
Apologia da fuga ao sacerdócio (Discurso 2)
Discurso apologético em que Gregório justifica a fuga após sua ordenação sacerdotal e reflete sobre a dignidade, a responsabilidade e os perigos do ofício sacerdotal. Tornou-se um clássico sobre o ministério pastoral e influenciou o Sobre o Sacerdócio de João Crisóstomo e a Regra Pastoral de Gregório Magno.
Invectivas contra Juliano, o Apóstata (Discursos 4 e 5)
Duas invectivas compostas em Nazianzo após a morte do imperador Juliano em 363. Denunciam a apostasia de Juliano e seus esforços contra o cristianismo, incluindo a tentativa frustrada de reconstruir o Templo de Jerusalém. Provavelmente nunca foram proferidas em público.
Elogio fúnebre de São Basílio Magno (Discurso 43)
Longo e célebre panegírico fúnebre em honra de seu amigo São Basílio Magno, bispo de Cesareia da Capadócia. Reúne biografia, elogio e testemunho pessoal da amizade que partilharam desde os estudos em Atenas e a vida ascética no Ponto. É uma das principais fontes biográficas sobre Basílio.
Oração fúnebre por seu irmão Cesário (Discurso 7)
Panegírico fúnebre dedicado a seu irmão Cesário, médico de renome na corte imperial, proferido na presença dos pais. Une o louvor familiar à meditação cristã sobre a morte e a esperança da ressurreição.
Oração fúnebre por sua irmã Gorgônia (Discurso 8)
Elogio fúnebre de sua irmã Gorgônia, exaltada como modelo de virtude cristã, caridade e vida de família santa. É um dos primeiros panegíricos cristãos dedicados a uma mulher leiga.
Oração pela morte de seu pai (Discurso 18)
Discurso fúnebre em honra de seu pai, Gregório o Velho, bispo de Nazianzo, proferido na presença de São Basílio. Recorda a conversão e o episcopado do pai e oferece consolo à mãe, Nona.
Panegírico de Santo Atanásio (Discurso 21)
Panegírico em louvor de Santo Atanásio de Alexandria, campeão da fé de Niceia contra o arianismo. Apresenta Atanásio como modelo de bispo e defensor da ortodoxia trinitária.
Cartas (Epístolas)
Coleção de aproximadamente 245 cartas, consideradas entre as mais finas produções literárias de sua época. Incluem correspondência com Basílio, cartas de amizade e de governo eclesiástico, além das cartas dogmáticas contra o apolinarismo. A Carta 209 (a Nicóbulo) traz regras práticas sobre a arte de escrever cartas.
Cartas a Cledônio contra Apolinário (Cartas 101 e 102)
Duas cartas dogmáticas ao presbítero Cledônio refutando o apolinarismo, que negava que Cristo tivesse mente humana racional. A Carta 101 contém o axioma soteriológico clássico: o que não foi assumido não foi curado. São fundamentais para a cristologia ortodoxa.
Carta a Nectário contra o apolinarismo (Carta 202)
Carta a Nectário, bispo de Constantinopla, alertando contra a difusão dos escritos e da doutrina de Apolinário e exortando à sua condenação. Integra, com as cartas a Cledônio, o bloco antiapolinarista da correspondência de Gregório.
Poemas
Vasta produção poética em grego, dividida classicamente em poemas dogmáticos/teológicos, morais e pessoais/autobiográficos, além de epitáfios e epigramas. São Jerônimo afirma que Gregório escreveu mais de 30 mil versos; cerca de 250 de seus epigramas foram preservados na Antologia Grega.
Sobre a Própria Vida (De Vita Sua)
Longo poema autobiográfico em versos (cerca de 2.000 linhas), o mais extenso de seus poemas pessoais. Narra sua vida, formação, amizade com Basílio, o episcopado em Constantinopla e a renúncia, com tom íntimo e dramático. É um dos primeiros grandes textos autobiográficos da literatura cristã.
Filocalia de Orígenes
Antologia de textos selecionados das obras de Orígenes, compilada por Gregório em colaboração com São Basílio Magno, provavelmente durante o retiro ascético no Ponto. Dividida em 27 capítulos, preserva passagens de Orígenes (cerca de um quinto vindo do Contra Celso), muitas das quais sobreviveram só graças a esta coletânea.
Como a Igreja celebra Gregório de Nazianzo
Novena a Gregório de Nazianzo
Nove dias de oração pela intercessão de São Gregório de Nazianzo, o Teólogo, Padre Capadócio e Doutor da Igreja. Cada dia recorda um aspecto da sua vida e da sua doutrina — a amizade com São Basílio, o serviço teológico, a vocação, a penitência, a luta contra a heresia ariana, o múnus episcopal, a perseverança na dor, a caridade e a pregação — pedindo a sua intercessão para crescermos na verdade vivida na caridade.
As santas amizades (a amizade com São Basílio)
Eclo 6,14-15 — "Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro. Nada se compara a um amig..."
O serviço teológico (bênção sobre os teólogos)
2Tm 2,15 — "Esforça-te por te apresentares diante de Deus como homem digno de confiança, operário que não tem de..."
As vocações religiosas e sacerdotais
Mt 9,38 — "Rogai, pois, ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe."
O espírito de penitência (vida ascética)
Lc 9,23 — "Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me."
O combate à heresia (a fé contra o arianismo)
Jd 1,3 — "Senti-me na obrigação de vos escrever, exortando-vos a combater pela fé que, de uma vez para sempre,..."
Os bispos e os pastores da Igreja
1Pd 5,2 — "Apascentai o rebanho de Deus que vos foi confiado, velando por ele não por obrigação, mas de bom gra..."
A perseverança na dor (a perda dos seus)
2Cor 1,3-4 — "Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda a consolaç..."
A caridade (a esmola aos pobres)
1Cor 13,13 — "Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; a maior delas, porém, é a carida..."
A pregação (anunciar o Evangelho)
2Tm 4,2 — "Proclama a palavra, insiste a tempo e fora de tempo, repreende, ameaça, exorta, com toda a paciência..."
Como o povo reza a Gregório de Nazianzo
Tríduos, novenas, ladainhas, medalhas e tradições locais que mantêm viva a presença do santo na piedade popular.
Tríduos, novenas e ladainhas
- Padroeiro dos teólogos e dos pregadores — Por causa da profundidade e do encanto da sua doutrina sobre a Trindade — que lhe valeu o título de o Teólogo —, São Gregório é invocado como patrono dos teólogos e dos pregadores; quem estuda ou ensina a fé recorre à sua intercessão.
Tradições populares por região
Como o santo é vivido na piedade popular no mundo lusófono e além.
No Oriente, São Gregório, o Teólogo, é celebrado a 30 de janeiro junto com São Basílio Magno e São João Crisóstomo, na festa dos Três Santos Hierarcas (ou Três Grandes Doutores e Mestres ecumênicos), instituída no séc. XI para honrar igualmente os três grandes Padres.
As relíquias de São Gregório, levadas a Roma na época das Cruzadas e guardadas séculos na Basílica de São Pedro, foram restituídas por São João Paulo II ao Patriarcado Ecumênico em 27 de novembro de 2004, repousando hoje na Catedral Patriarcal de São Jorge, no Fanar, em Constantinopla/Istambul. Parte permaneceu no Vaticano.
O que Gregório de Nazianzo nos diz hoje
"Não é a qualquer um, meus amigos, que cabe filosofar sobre Deus; não a qualquer um. O tema não é tão barato e baixo. E acrescento: nem diante de qualquer auditório, nem em todo tempo, nem sobre todos os pontos; mas em certas ocasiões, diante de certas pessoas e dentro de certos limites."
— Discurso 27 (Primeiro Discurso Teológico), 3"E Aquele que dá riquezas faz-Se pobre, pois assume a pobreza da minha carne, para que eu assuma a riqueza da Sua divindade. Aquele que é pleno esvazia-Se, esvazia-Se da Sua glória por um breve momento, para que eu tenha parte na Sua plenitude."
— Discurso 38 (Sobre a Teofania / Natividade), 13"Hoje a salvação veio ao mundo, ao que é visível e ao que é invisível. Cristo ressuscitou dos mortos: ressuscitai com Ele. Cristo voltou a Si mesmo: voltai vós. Cristo libertou-se do túmulo: libertai-vos do vínculo do pecado."
— Discurso 45 (Sobre a Santa Páscoa), 1Frases para guardar e compartilhar
Frases curtas para ler em silêncio, copiar, compartilhar e levar consigo.
"Pois o que não foi assumido não foi curado; mas o que está unido a Deus, esse também é salvo."
"É preciso lembrar-se de Deus mais vezes do que respiramos; e, se a expressão é permitida, não deveríamos fazer outra coisa."
"É difícil conceber Deus, mas defini-Lo em palavras é uma impossibilidade. Em minha opinião, porém, é impossível exprimi-Lo, e ainda mais impossível concebê-Lo."
"A Páscoa do Senhor, a Páscoa! E de novo digo Páscoa, em honra da Trindade. Esta é para nós a Festa das festas e a Solenidade das solenidades, tão exaltada acima de todas as outras como o Sol está acima das estrelas."
"Parecíamos ter uma só alma habitando dois corpos."
A rede de influências espirituais
Ninguém é santo sozinho. Recebeu uma herança — e a transformou em legado.
Mestres e encontros decisivos
São Gregório de Nazianzo foi formado pela fé recebida em família, sobretudo de sua mãe, Santa Nona, mulher profundamente cristã que o consagrou a Deus desde o nascimento e teve papel decisivo na conversão do próprio marido, Gregório, o Velho, bispo de Nazianzo.Recebeu sólida formação clássica nas mais famosas escolas de seu tempo — Cesareia da Capadócia, Cesareia da Palestina, Alexandria e, sobretudo, Atenas, onde reencontrou e estreitou a amizade com São Basílio Magno, dizendo dos dois que era como se tivessem "uma só alma em dois corpos". Essa cultura grega e retórica fez dele um dos maiores oradores da Igreja.No plano teológico, foi marcado por Orígenes, de cujas obras compilou, com Basílio, a antologia conhecida como Filocalia (durante o retiro monástico no Ponto), e por Santo Atanásio, cuja defesa da fé de Niceia e da divindade do Filho ele continuou e aprofundou. A amizade e o exemplo de São Basílio Magno foram igualmente formadores de sua vocação monástica e teológica.
Discípulos e herdeiros através dos séculos
A doutrina de São Gregório de Nazianzo sobre a divindade do Espírito Santo foi consagrada pelo Primeiro Concílio de Constantinopla (381), II Ecumênico, do qual chegou a ser presidente: o concílio endossou seu ensino da igualdade e consubstancialidade do Espírito Santo com o Pai e o Filho, doutrina que se reflete no Símbolo niceno-constantinopolitano. Pela autoridade de sua obra, o Concílio de Éfeso (431) já o citava como autoridade e o Concílio de Calcedônia (451) o consagrou com o título de "o Teólogo".No Oriente, sua influência é imensa: depois da Bíblia, Gregório é dos autores mais citados em toda a literatura eclesiástica bizantina. São Máximo, o Confessor, estudou a fundo seus escritos cristológicos e o chama "o Teólogo", atribuindo-lhe altíssima autoridade; São João Damasceno e a teologia bizantina posterior bebem largamente de suas Orações. É venerado, com Basílio Magno e João Crisóstomo, como um dos Três Santos Hierarcas, festa litúrgica importante das Igrejas do Oriente.No Ocidente sua recepção também foi notável: por volta do ano 400, Rufino de Aquileia traduziu para o latim várias de suas Orações, e essa versão latina circulou e moldou a compreensão de Gregório no mundo de língua latina. Suas contribuições à teologia trinitária continuam citadas e influentes também nas Igrejas ocidentais, fazendo dele uma referência comum a Oriente e Ocidente.
Debates e controvérsias
As polêmicas começam ainda em vida — e nunca cessaram. Separamos as históricas (resolvidas pelo Magistério) das contemporâneas (em aberto).
Os grandes embates de seu tempo
A sé de Sásima e o atrito com São Basílio
Por volta de 372, São Basílio Magno, então bispo de Cesareia, quis ordenar Gregório bispo da recém-criada e inóspita sé de Sásima, contra a vontade do próprio Gregório, no contexto de uma disputa eclesiástica e política sobre as dioceses da Capadócia. Gregório resistiu desde o início, nunca tomou posse efetiva da sé e voltou a Nazianzo como auxiliar de seu pai. O episódio causou um esfriamento na amizade entre os dois, que nunca foi de todo superado.
Máximo, o Cínico, e a legitimidade da sé de Constantinopla
Em Constantinopla, um aventureiro vindo de Alexandria, conhecido como Máximo, o Cínico (apresentando-se com cabelos longos, manto branco e bastão de filósofo cínico), ganhou a confiança de Gregório e tentou usurpar-lhe a sé episcopal por meio de uma consagração clandestina. O imperador Teodósio reconheceu apenas Gregório como legítimo, e Máximo teve de fugir da cidade.
No Primeiro Concílio de Constantinopla (381), porém, os bispos egípcios e macedônios — que tinham apoiado Máximo — recusaram reconhecer Gregório como bispo de Constantinopla, alegando que sua transferência da sé de Sásima violava o cânon que proibia a translação de bispos de uma sé para outra. Em meio à atmosfera tensa do concílio, Gregório, dizendo-se pronto a ser "como outro Jonas" para aplacar as ondas, renunciou em junho de 381 e retirou-se para Nazianzo e depois para Arianzo.
O combate ao arianismo, ao eunomianismo e ao apolinarismo
Gregório combateu o arianismo em todas as suas formas e graus, numa Constantinopla dominada havia cerca de trinta anos pelos arianos. Nas Orações Teológicas refutou o eunomianismo (forma radical e racionalista do arianismo, que pretendia compreender plenamente a essência de Deus) e o macedonianismo, que negava a divindade do Espírito Santo. Contra o apolinarismo — que negava a Cristo uma mente humana racional — opôs o princípio "o que não foi assumido não foi curado" (Carta 101, a Cledônio). Todas essas controvérsias estão historicamente resolvidas pela definição da fé trinitária e cristológica da Igreja.
Polêmicas ainda em aberto
"O que não é assumido não é curado" na teologia de hoje
O princípio cristológico de São Gregório — "o que não foi assumido não foi curado" — permanece amplamente citado na teologia contemporânea como critério para afirmar a plena humanidade de Cristo e seu alcance salvífico: porque Deus assumiu toda a natureza humana, toda ela — corpo, alma e mente, e até o sofrimento — pode ser curada e transfigurada. Esse axioma continua a inspirar a reflexão atual sobre a antropologia cristã, a dignidade integral da pessoa e o sentido redentor da dor humana.
Herança trinitária comum entre Oriente e Ocidente
Como "o Teólogo" venerado em comum pelo Oriente e citado também no Ocidente — autor dos mais citados na literatura bizantina e traduzido cedo ao latim por Rufino —, Gregório de Nazianzo é frequentemente apresentado como ponte entre as duas tradições. Sua teologia trinitária, partilhada por gregos e latinos, é valorizada hoje no diálogo ecumênico como herança comum sobre o mistério da Trindade.
Patronatos e causas de intercessão
Patronatos oficiais (proclamados pela Igreja) e intercessões populares (sancionadas pela prática secular).
⚜ Patronato oficial
Proclamados pela Santa Sé ou tradição litúrgica firmemente estabelecida.
- Teólogos
Relíquias e locais de devoção
Conhecer onde estão suas relíquias é conhecer a história espalhada da Igreja.
Sepultamento original em Arianzo (Capadócia)
Gregório retirou-se e faleceu (c. 389/390) em Arianzo, sua propriedade familiar junto a Nazianzo, onde foi sepultado.
Translação para Constantinopla — Igreja dos Santos Apóstolos
Suas relíquias foram transferidas para Constantinopla por volta de 950, para a Igreja dos Santos Apóstolos.
Levadas a Roma e depositadas na Basílica de São Pedro
Parte das relíquias deixou Constantinopla na Quarta Cruzada (1204) e chegou a Roma; foram depois transferidas para a Basílica de São Pedro, na Capela Gregoriana, sob o altar de Nossa Senhora do Socorro.
Devolução ao Patriarcado Ecumênico — Catedral de São Jorge (Fanar)
Em 27 de novembro de 2004, o Papa São João Paulo II devolveu as relíquias de Gregório de Nazianzo (com as de São João Crisóstomo) ao Patriarca Ecumênico Bartolomeu I; hoje estão consagradas na Catedral Patriarcal de São Jorge, no Fanar, Istambul.
Onde está Gregório de Nazianzo hoje
Mini-mapa visual: itinerário das relíquias e principais santuários (ilustrativo, não cartograficamente preciso).
Curiosidades sobre Gregório de Nazianzo
Fatos pouco conhecidos — pequenas janelas para a humanidade do santo.
É um dos apenas três santos a quem a Igreja do Oriente concedeu o título de o Teólogo, ao lado de São João Evangelista (o Apóstolo) e de São Simeão, o Novo Teólogo. Conquistou o título por suas cinco Orações Teológicas em defesa da fé de Niceia sobre a Trindade.
Toda a sua família foi canonizada: o pai, São Gregório de Nazianzo, o Velho (bispo de Nazianzo), a mãe, Santa Nona, o irmão, São Cesário (médico da corte imperial), e a irmã, Santa Gorgônia.
Teve uma amizade célebre com São Basílio Magno: estudaram juntos retórica em Atenas e Gregório, na sua Oração 43 (panegírico de Basílio), descreveu o vínculo dizendo que pareciam ter uma só alma habitando dois corpos.
Em Atenas foi colega de estudos de Juliano, o futuro imperador conhecido como o Apóstata — e Gregório afirmou ter percebido e desconfiado do verdadeiro caráter dele já naquela época.
Foi um bispo relutante: ordenado sacerdote pelo próprio pai contra a sua vontade, fugiu para a solidão; e, consagrado bispo de Sásima por Basílio (também contra a sua vontade), nunca tomou posse da sé.
É venerado como um dos Três Santos Hierarcas, festa celebrada em 30 de janeiro no Oriente, junto com São Basílio Magno e São João Crisóstomo.
Em 27 de novembro de 2004, o Papa João Paulo II devolveu suas relíquias (e as de São João Crisóstomo) ao Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, ao patriarca Bartolomeu I — relíquias levadas para Roma na esteira da Quarta Cruzada (1204).
Deixou uma enorme obra poética, rara entre os Padres: segundo São Jerônimo, teria escrito mais de 30.000 versos (boa parte hoje perdida), incluindo um extenso poema autobiográfico, Sobre a Própria Vida (De Vita Sua).
Fontes e referências
- newadvent.org/cathen/07010b.htm
- vatican.va/content/benedict-xvi/en/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070808.html
- vatican.va/content/benedict-xvi/en/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070822.html
- newadvent.org/fathers/310227.htm
- newadvent.org/fathers/310228.htm
- newadvent.org/fathers/310231.htm
- newadvent.org/fathers/3103a.htm
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- newadvent.org/fathers/310243.htm
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- newadvent.org/fathers/3102.htm
- newadvent.org/cathen/04308a.htm
- britannica.com/biography/Saint-Gregory-of-Nazianzus
- ewtn.com/catholicism/saints/gregory-nazianzen-595
- vatican.va/content/john-paul-ii/en/letters/2004/documents/hf_jp-ii_let_20041127_consegna-reliquie.html
- liturgia.pt/lh/pdf/0901Jan.pdf
- catholicsaints.info/saint-gregory-of-nazianzen/
- en.wikipedia.org/wiki/Gregory_of_Nazianzus
- en.wikipedia.org/wiki/Cappadocian_Fathers
- en.wikipedia.org/wiki/Three_Holy_Hierarchs
- orthodoxwiki.org/Gregory_the_Theologian
- en.wikipedia.org/wiki/Philokalia_(Origen
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