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Medalius · Codex de Personalidades · Gregório de Nazianzo
Gregório de Nazianzo
✦ Doutor da Igreja
Período
329–390 (61 anos)
Lugar
Constantinopla
Estado canônico
Santo · Doutor da Igreja
Escola
Patrística / Padres Capadócios
Idioma principal
Grego
Santo · Doutor da Igreja · Padre da Igreja

Gregório de Nazianzo

329–390
O Teólogo Doutor da Igreja Padre da Igreja

São Gregório de Nazianzo, chamado "o Teólogo", foi um dos três Padres Capadócios e é venerado como Doutor da Igreja. Bispo e brevemente arcebispo de Constantinopla, destacou-se na defesa da fé nicena, da Santíssima Trindade e da plena divindade do Espírito Santo contra o arianismo e demais heresias do século IV.

Biografia

Infância, formação e conversão

Gregório nasceu por volta de 329/330 d.C. em Arianzo, perto de Nazianzo, na Capadócia (atual Turquia), no seio de uma família santa. Seu pai, Gregório, o Velho, fora membro da seita dos hipsistários e converteu-se ao cristianismo pela influência de sua esposa, tornando-se depois bispo de Nazianzo. Sua mãe, Santa Nona, consagrou-o a Deus desde o nascimento. Também seus irmãos, o médico São Cesário e Santa Gorgônia, são venerados como santos.

Em busca de instrução, frequentou as mais célebres escolas de seu tempo: estudou em Cesareia da Capadócia, em Cesareia da Palestina, em Alexandria e, por cerca de dez anos, em Atenas. Ali firmou-se sua profunda amizade com São Basílio Magno — dela diria que pareciam ter "uma só alma em dois corpos" — e teve como colega Juliano, o futuro Apóstata. De volta à pátria, recebeu o Batismo e nutriu forte inclinação pela vida monástica e contemplativa, retirando-se com Basílio para a solidão do Ponto, em Annesi, onde juntos compilaram a Filocalia, uma antologia das obras de Orígenes.


Vida adulta e missão principal

Por volta de 361, seu pai ordenou-o sacerdote praticamente contra a sua vontade. Magoado com a imposição, Gregório fugiu de volta à solidão, mas retornou e justificou seu gesto no célebre discurso conhecido como a Apologética. Em 372, São Basílio sagrou-o bispo da pequena e desagradável aldeia de Sásima, sé que jamais chegou a assumir e que gerou atrito entre os dois amigos; preferiu auxiliar o pai no governo de Nazianzo. Após a morte do pai, em 374, administrou por algum tempo aquela Igreja e depois recolheu-se a um mosteiro em Selêucia.

Em 379, a pequena comunidade fiel ao Concílio de Niceia chamou-o para liderá-la em Constantinopla, então dominada pelos arianos. Na modesta capela da Anástasis (Anastasia), pregou os seus admiráveis Discursos Teológicos em defesa da fé nicena, da Santíssima Trindade e da divindade do Espírito Santo. Por causa desses discursos, recebeu o título de "o Teólogo", honra que, entre os mestres cristãos, só o Apóstolo São João partilha. Em 380, o imperador Teodósio impôs a ortodoxia nicena e Gregório foi instalado como bispo da capital.


Lutas, controvérsias e perseguições

Sua missão em Constantinopla foi marcada por intrigas. O filósofo Máximo, o Cínico, a quem Gregório acolhera com confiança, foi sagrado bispo da cidade às escondidas, à noite, por bispos egípcios, numa tentativa de usurpar-lhe a sé. Em 381, durante o Primeiro Concílio de Constantinopla (Segundo Concílio Ecumênico), Gregório assumiu a presidência após a morte de Melécio de Antioquia. Contudo, bispos do Egito e da Macedônia contestaram a legitimidade de sua transferência, invocando o cânon de Niceia que proibia a translação de bispos de uma sé para outra.

Cansado das disputas e para não ver a Igreja ainda mais dilacerada por novos cismas, Gregório renunciou voluntariamente ao episcopado de Constantinopla, num gesto de humildade e amor à paz. Pregou um sermão de despedida diante do concílio e retirou-se. Ainda combateu por algum tempo, com sua habitual eloquência, a heresia de Apolinário, que negava a plena humanidade de Cristo.


Últimos anos e legado

De volta a Nazianzo, governou novamente aquela Igreja por breve período e, por fim, recolheu-se definitivamente à solidão de Arianzo, sua terra natal. Nos últimos anos dedicou-se à vida ascética e a uma vasta produção literária: cartas, discursos e milhares de versos, entre os quais o poema autobiográfico Sobre a Própria Vida (De Vita Sua) e poemas dogmáticos e morais. Faleceu por volta de 389/390.

São Gregório é, ao lado de São Basílio Magno e de São Gregório de Nissa, um dos três Padres Capadócios, cuja teologia foi decisiva para a vitória da ortodoxia nicena e para a formulação do Credo Niceno-Constantinopolitano. Venerado como Doutor da Igreja e celebrado no Ocidente em 2 de janeiro, juntamente com São Basílio, permanece um dos maiores mestres da fé trinitária de toda a história cristã.

Contexto

O contexto em que viveu

Gregório de Nazianzo viveu no século IV, a primeira geração cristã depois de Constantino. O Edito de Milão (313) havia encerrado as perseguições e, ao longo do século, o cristianismo passou de fé tolerada a religião favorecida e, por fim, oficial do Império Romano. Esse novo status, porém, trouxe consigo violentas disputas doutrinais que se misturaram à política imperial: a Igreja deixou de lutar contra perseguidores externos e passou a debater, dentro de si, quem era Jesus Cristo.


O grande conflito da época foi a controvérsia ariana. Em 325, o Concílio de Niceia — primeiro concílio ecumênico, convocado por Constantino — condenou Ário, que ensinava ser o Filho uma criatura, inferior ao Pai, e proclamou o Filho "consubstancial" (homoousios) ao Pai. A definição, porém, não pacificou o Oriente: por décadas o arianismo e suas variantes (semi-arianos, e depois os macedônios ou pneumatómacos, que negavam a divindade do Espírito Santo) dominaram boa parte das sés episcopais, frequentemente apoiados pelo poder imperial.


A própria sucessão dos imperadores ditou o ritmo da crise. Constâncio II favoreceu o arianismo e perseguiu os bispos nicenos. Juliano, o Apóstata (361–363), tentou restaurar o paganismo e reabrir os templos, num breve mas traumático retrocesso para os cristãos. Valente (364–378), ariano convicto, oprimiu de novo os nicenos no Oriente, até morrer na catastrófica Batalha de Adrianópolis (378). A virada veio com Teodósio I, nicênico firme: pelo Edito de Tessalônica (380) fez da fé de Niceia a religião oficial do Império.


Foi na Capadócia, região da Ásia Menor, que se formou a tríade conhecida como os Padres Capadócios: Basílio Magno, seu irmão Gregório de Nissa e o amigo de ambos, Gregório de Nazianzo. Refinando a distinção entre uma só essência (ousia) e três pessoas (hipóstases), eles deram à doutrina trinitária a formulação clássica que venceu o arianismo. O mesmo século viu também a expansão do monasticismo: nascido nos desertos do Egito com Antão e Pacômio, e organizado em regra por Basílio no Oriente, o ideal ascético atraiu multidões e marcou profundamente a espiritualidade de Gregório.


O ponto culminante desse mundo, e da vida de Gregório, foi o Primeiro Concílio de Constantinopla (381), segundo concílio ecumênico, convocado por Teodósio. Reunindo cerca de 150 bispos, confirmou a fé de Niceia e ampliou o Credo com os artigos sobre a divindade do Espírito Santo, produzindo o Credo Niceno-Constantinopolitano professado até hoje; condenou em definitivo o arianismo, o macedonianismo e o apolinarismo. Gregório presidiu o concílio após a morte de Melécio de Antioquia, mas, cansado das intrigas, renunciou à sé de Constantinopla durante a própria assembleia.

Fatos contextuais
Concílio de Niceia condena o arianismo
O primeiro concílio ecumênico, convocado por Constantino, condena Ário e proclam...
Nascimento em Arianzo, na Capadócia
Gregório nasce por volta de 329 em Arianzo, junto a Nazianzo, na Capadócia (Ásia...
Estudos em Atenas e amizade com Basílio
Após estudar em Cesareia e Alexandria, Gregório completa sua formação em retóric...
Ordenação sacerdotal pelo próprio pai
Por volta do Natal de 361, o pai de Gregório, bispo de Nazianzo, ordena-o sacerd...
Juliano, o Apóstata, torna-se imperador
Criado como cristão, Juliano assume o trono e tenta restaurar o paganismo: reabr...

Suas contribuições à teologia

São Gregório de Nazianzo é, antes de tudo, o teólogo da Santíssima Trindade. Em suas célebres cinco Orações Teológicas, pregadas em Constantinopla (c. 380) na pequena igreja da Anástasis, defendeu e tornou inteligível a fé de Niceia: um só Deus em três Pessoas, iguais e distintas — Pai, Filho e Espírito Santo, "uma luz tríplice reunida em um só esplendor". Por essa profundidade doutrinal recebeu, raríssimo entre os Padres, o título de "o Teólogo", partilhado apenas com o apóstolo São João e São Simeão, o Novo Teólogo.

Seu maior contributo dogmático foi a defesa explícita da divindade e consubstancialidade do Espírito Santo, num tempo em que os macedônios o reduziam a uma simples energia impessoal. Na Quinta Oração Teológica afirma sem rodeios: "Então o Espírito é Deus? Certamente. Então é consubstancial? Sim, se é Deus." Ensinou ainda a revelação progressiva da Trindade: o Antigo Testamento proclamou o Pai abertamente e o Filho mais obscuramente; o Novo manifestou o Filho e sugeriu a divindade do Espírito, que habita agora entre nós e se mostra mais claramente desde Pentecostes.

Gregório é também mestre da teologia apofática. Na Segunda Oração Teológica ensina que é difícil conceber Deus e impossível defini-Lo em palavras, distinguindo que uma coisa é estar persuadido da existência de Deus e outra bem distinta é saber o que Ele é: podemos saber que Deus existe, não o que Ele é em sua essência. Por isso a subida de Moisés à nuvem é figura do limite do conhecimento humano diante do mistério divino.

No campo cristológico, contra o apolinarismo — que negava a Cristo uma mente humana racional —, formulou o princípio que se tornou regra de ouro da soteriologia: "o que não foi assumido não foi curado" (Carta 101, a Cledônio). Se o Verbo não assumiu a mente humana, a mente humana não foi salva; sendo a humanidade ferida por inteiro, ela teve de ser por inteiro unida à divindade para ser inteiramente salva.

Toda a sua doutrina culmina na ideia de divinização (theosis): tornar-se semelhante a Deus por graça. Exortava a procurar ser como Cristo, porque também Cristo se fez como nós — tornar-nos deuses por meio dele, já que ele mesmo, por nós, se fez homem, tomando sobre si o pior para nos dar de presente o melhor.

"Pois o que não foi assumido não foi curado; mas o que está unido a Deus, esse também é salvo." Carta 101 (a Cledônio, contra Apolinário)
Influência

Quem ele influenciou

A doutrina de São Gregório de Nazianzo sobre a divindade do Espírito Santo foi consagrada pelo Primeiro Concílio de Constantinopla (381), II Ecumênico, do qual chegou a ser presidente: o concílio endossou seu ensino da igualdade e consubstancialidade do Espírito Santo com o Pai e o Filho, doutrina que se reflete no Símbolo niceno-constantinopolitano. Pela autoridade de sua obra, o Concílio de Éfeso (431) já o citava como autoridade e o Concílio de Calcedônia (451) o consagrou com o título de "o Teólogo".No Oriente, sua influência é imensa: depois da Bíblia, Gregório é dos autores mais citados em toda a literatura eclesiástica bizantina. São Máximo, o Confessor, estudou a fundo seus escritos cristológicos e o chama "o Teólogo", atribuindo-lhe altíssima autoridade; São João Damasceno e a teologia bizantina posterior bebem largamente de suas Orações. É venerado, com Basílio Magno e João Crisóstomo, como um dos Três Santos Hierarcas, festa litúrgica importante das Igrejas do Oriente.No Ocidente sua recepção também foi notável: por volta do ano 400, Rufino de Aquileia traduziu para o latim várias de suas Orações, e essa versão latina circulou e moldou a compreensão de Gregório no mundo de língua latina. Suas contribuições à teologia trinitária continuam citadas e influentes também nas Igrejas ocidentais, fazendo dele uma referência comum a Oriente e Ocidente.

Debates

Debates e controvérsias

A sé de Sásima e o atrito com São Basílio

Por volta de 372, São Basílio Magno, então bispo de Cesareia, quis ordenar Gregório bispo da recém-criada e inóspita sé de Sásima, contra a vontade do próprio Gregório, no contexto de uma disputa eclesiástica e política sobre as dioceses da Capadócia. Gregório resistiu desde o início, nunca tomou posse efetiva da sé e voltou a Nazianzo como auxiliar de seu pai. O episódio causou um esfriamento na amizade entre os dois, que nunca foi de todo superado.

Máximo, o Cínico, e a legitimidade da sé de Constantinopla

Em Constantinopla, um aventureiro vindo de Alexandria, conhecido como Máximo, o Cínico (apresentando-se com cabelos longos, manto branco e bastão de filósofo cínico), ganhou a confiança de Gregório e tentou usurpar-lhe a sé episcopal por meio de uma consagração clandestina. O imperador Teodósio reconheceu apenas Gregório como legítimo, e Máximo teve de fugir da cidade.

No Primeiro Concílio de Constantinopla (381), porém, os bispos egípcios e macedônios — que tinham apoiado Máximo — recusaram reconhecer Gregório como bispo de Constantinopla, alegando que sua transferência da sé de Sásima violava o cânon que proibia a translação de bispos de uma sé para outra. Em meio à atmosfera tensa do concílio, Gregório, dizendo-se pronto a ser "como outro Jonas" para aplacar as ondas, renunciou em junho de 381 e retirou-se para Nazianzo e depois para Arianzo.

O combate ao arianismo, ao eunomianismo e ao apolinarismo

Gregório combateu o arianismo em todas as suas formas e graus, numa Constantinopla dominada havia cerca de trinta anos pelos arianos. Nas Orações Teológicas refutou o eunomianismo (forma radical e racionalista do arianismo, que pretendia compreender plenamente a essência de Deus) e o macedonianismo, que negava a divindade do Espírito Santo. Contra o apolinarismo — que negava a Cristo uma mente humana racional — opôs o princípio "o que não foi assumido não foi curado" (Carta 101, a Cledônio). Todas essas controvérsias estão historicamente resolvidas pela definição da fé trinitária e cristológica da Igreja.

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