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Medalius · Santos · Cirilo de Jerusalém
C. Cirilo de Jerusalém
Dia de festa
18 de março
Status canônico
Santo
Elevado a Doutor da Igreja
1883, por Papa Leão XIII
Santo · Doutor da Igreja

Cirilo de Jerusalém

Doutor da Catequese · Séc. IV
Lugar: Jerusalém
Estado de vida: bispo
Padroados: Teólogos

São Cirilo de Jerusalém (c. 315–386) foi bispo de Jerusalém, Padre da Igreja grego e Doutor da Igreja, proclamado por Leão XIII em 1883. É célebre por suas Catequeses, conjunto de instruções batismais e mistagógicas pregadas na Basílica do Santo Sepulcro, precioso testemunho da fé e da liturgia da Igreja do século IV. Defensor da ortodoxia durante a crise ariana, sofreu três exílios ao longo de seu episcopado.

A vida

Infância, formação e início

Cirilo nasceu por volta de 315, em Jerusalém ou em seus arredores. Recebeu sólida formação literária e bíblica, que se tornaria o fundamento de sua atividade eclesiástica. Foi ordenado presbítero pelo bispo Máximo de Jerusalém, seu predecessor, e a ele foi confiado o importante ministério de catequista, isto é, a instrução dos que se preparavam para o Batismo. Esse encargo revelou desde cedo o dom pedagógico e doutrinal que marcaria toda a sua obra.


Episcopado e missão principal

Por volta de 348 (alguns autores indicam c. 350), Cirilo tornou-se bispo de Jerusalém, sucedendo a Máximo. Como pastor, dedicou-se com zelo à formação cristã de sua comunidade. É dessa época sua obra mais célebre: as Catequeses, conjunto de instruções pregadas por volta de 350. As dezoito catequeses pré-batismais eram dirigidas aos catecúmenos durante a Quaresma, na Basílica do Santo Sepulcro, em preparação ao Batismo; as cinco últimas, chamadas mistagógicas, eram ministradas na semana da Páscoa aos recém-batizados, explicando-lhes os sacramentos da iniciação cristã. Pregadas no próprio lugar da Paixão e Ressurreição do Senhor, essas catequeses unem profundidade doutrinal e cuidado pastoral, e permanecem um documento de valor inestimável sobre a fé e a liturgia do século IV.


Lutas e exílios (controvérsia ariana)

O episcopado de Cirilo transcorreu em pleno auge da crise ariana. Muito cedo entrou em conflito com Acácio de Cesareia, influente metropolita de tendência ariana, tanto no campo da doutrina quanto no da jurisdição, pois Cirilo reivindicava a autonomia da sé de Jerusalém em relação à sé metropolitana de Cesareia. Esses atritos lhe custaram três exílios: o primeiro em 357, na sequência de um sínodo — entre as acusações figurava a de ter vendido bens da Igreja, segundo seus defensores para socorrer os pobres durante uma fome; o segundo em 360, por iniciativa de Acácio; e o terceiro a partir de 367, sob o imperador Valente, o mais longo, que durou cerca de onze anos. Somente em 378, após a morte do imperador, Cirilo pôde retomar definitivamente posse de sua sé. Atribui-se ainda a Cirilo o relato, numa carta ao imperador Constâncio II, do aparecimento de uma cruz luminosa sobre o Gólgota, em 351, vista por toda a cidade de Jerusalém.


Últimos anos e legado

Reconduzido à sua sé, Cirilo participou do Concílio de Constantinopla, em 381, onde sua ortodoxia foi plenamente reconhecida; uma carta sinodal posterior atestou oficialmente a sua fé íntegra. Morreu em Jerusalém em 386 (segundo outros, 387), depois de um episcopado de cerca de trinta e cinco anos, marcado por três exílios que o mantiveram longos anos afastado de sua sé. Em 1883, o Papa Leão XIII proclamou-o Doutor da Igreja. Seu legado vive sobretudo nas Catequeses, que continuam a iluminar a compreensão dos sacramentos da iniciação cristã e a riqueza da liturgia da Igreja antiga. Sua festa é celebrada em 18 de março.

Contexto

O contexto em que viveu

São Cirilo de Jerusalém viveu o conturbado século IV, a época em que o cristianismo passou de fé perseguida a religião favorecida e, por fim, oficial do Império Romano. O Édito de Milão (313), pelo qual Constantino e Licínio concederam liberdade de culto aos cristãos, inaugurou a chamada “paz constantiniana” e abriu o caminho para a profunda integração entre a Igreja e o poder imperial que marcaria todo o período.

Jerusalém, cidade de Cirilo, vivia um renascimento. Sob o patrocínio de Constantino e de sua mãe, Santa Helena, ergueu-se sobre o Gólgota e o Santo Sepulcro a grande Basílica da Ressurreição (Anástasis), dedicada em 335. A cidade tornou-se um dos maiores centros de peregrinação da cristandade, e foi precisamente nessa basílica que Cirilo, já bispo, pronunciaria por volta de 350 as suas célebres Catequeses aos que se preparavam para o Batismo.

O cenário teológico, porém, estava dilacerado pela crise ariana. O Concílio de Niceia (325) havia condenado Ário e definido que o Filho é “consubstancial” (homooúsios) ao Pai, mas a controvérsia não se apaziguou: ao longo de décadas multiplicaram-se os partidos — arianos radicais, semiarianos e os que preferiam a fórmula “semelhante” (homoioúsios) — em meio a sucessivos sínodos, deposições e reabilitações de bispos.

A essas disputas somava-se a constante interferência imperial nos assuntos da Igreja. O imperador Constâncio II, favorável aos arianos, promoveu a deposição de bispos nicenos; Juliano, o Apóstata, tentou restaurar o paganismo e até reconstruir o Templo judaico de Jerusalém (362-363), num gesto frustrado; Valente, também filoariano, perseguiu os bispos ortodoxos; e Teodósio, enfim, fez do cristianismo niceno a religião oficial do Império pelo Édito de Tessalônica (380).

É nesse mundo que se compreende a vida de Cirilo: pastor de Jerusalém, foi arrastado pelas tempestades doutrinais e políticas do seu tempo, sofrendo três exílios por causa das facções arianas e da interferência imperial. Sua plena ortodoxia foi finalmente reconhecida no Primeiro Concílio de Constantinopla (381), que confirmou e completou a fé de Niceia — concílio do qual o próprio Cirilo participou, pouco antes de sua morte, por volta de 386.

Iconografia

Como reconhecer Cirilo de Jerusalém na arte sacra

Os atributos visuais consolidaram-se na Idade Média e distinguem o santo nas obras sacras.

🧣
Ômofório (pálio episcopal oriental)
Faixa larga com cruzes sobre os ombros, insígnia do bispo no rito bizantino; identifica Cirilo como bispo de Jerusalém. É o atributo mais constante nos ícones.
👑
Vestes pontificais de bispo
Vestes episcopais ornamentadas e mitra (no Ocidente), indicando a dignidade de bispo.
📖
Livro / Evangeliário (as Catequeses)
Livro ou rolo que ele segura; remete às célebres Catequeses e à sua condição de Doutor da Igreja.
Mão em bênção
Direita erguida abençoando, própria do pastor e mestre da fé.
🦯
Báculo (bastão pastoral)
Bastão de pastor das ovelhas; sinal do ofício de governo da diocese de Jerusalém.
😇
Auréola / nimbo
Halo dourado da santidade, presente nas representações como santo da Igreja.
🧔
Barba branca de Padre da Igreja
Ancião de barba grisalha, convenção iconográfica dos Padres gregos idosos e mestres da doutrina.
✝️
Cruz luminosa sobre Jerusalém
Alusão à cruz de luz que ele relatou ter aparecido sobre o Gólgota (carta a Constâncio II, ano 351); ligação à cidade santa.
Cronologia

Linha do tempo

Eventos do santo à esquerda, eventos do mundo à direita — para situar a vida na história.

Vida do santo Mundo no mesmo período
313
Édito de Milão
Constantino e Licínio concedem liberdade de culto aos cristãos, encerrando as perseguições e inaugurando a paz constantiniana.
315
Nascimento de Cirilo
Cirilo nasce por volta de 315, em Jerusalém ou nos seus arredores, recebendo sólida formação literária e bíblica.
325
Concílio de Niceia
O primeiro concílio ecumênico condena o arianismo e define que o Filho é consubstancial (homooúsios) ao Pai.
335
Dedicação da Basílica do Santo Sepulcro
É consagrada em Jerusalém a Basílica da Ressurreição, erguida por Constantino sobre o Gólgota e o Sepulcro; a cidade torna-se grande centro de peregrinação.
337
Morte de Constantino
Morre o imperador Constantino; o Império é dividido entre seus filhos, entre eles Constâncio II, favorável aos arianos.
343
Ordenação sacerdotal por Máximo
Cirilo é ordenado presbítero pelo bispo Máximo de Jerusalém, seu predecessor (datação aproximada).
348
Bispo de Jerusalém
Após a morte de Máximo, Cirilo é eleito bispo de Jerusalém, por volta de 348-350.
350
Pregação das Catequeses
Como bispo, Cirilo pronuncia na Basílica do Santo Sepulcro suas célebres Catequeses, dirigidas aos catecúmenos e neófitos.
351
Carta sobre a cruz luminosa a Constâncio II
Cirilo escreve ao imperador Constâncio II relatando a aparição de uma cruz de luz sobre o Gólgota, vista por toda Jerusalém em 7 de maio de 351.
357
Primeiro exílio
Deposto por iniciativa do bispo ariano Acácio de Cesareia e exilado de sua sé episcopal.
360
Segundo exílio
Novamente afastado de Jerusalém em meio às disputas arianas.
362
Juliano e a tentativa de reconstruir o Templo
Juliano, o Apóstata, tenta restaurar o paganismo e reconstruir o Templo judaico de Jerusalém (362-363); a obra é interrompida, e ele morre em 363.
367
Terceiro exílio
Por decreto do imperador filoariano Valente, Cirilo é exilado pela terceira e mais longa vez, permanecendo afastado por cerca de onze anos.
378
Retorno definitivo à sé
Com a morte de Valente, Cirilo regressa definitivamente a Jerusalém e retoma o governo de sua Igreja.
380
Édito de Tessalônica
Teodósio I torna o cristianismo niceno a religião oficial do Império Romano.
381
Concílio de Constantinopla I
Cirilo participa do segundo concílio ecumênico, que reafirma e completa a fé de Niceia; sua plena ortodoxia é reconhecida (carta sinodal de 382).
386
Morte de Cirilo
Cirilo morre em Jerusalém, provavelmente em 18 de março de 386; mais tarde seria proclamado Doutor da Igreja (1883).
Milagres

Milagres atribuídos à sua intercessão

Sinais e prodígios atribuídos à intercessão do santo, registrados pela tradição e pelos processos da Igreja.

351

Aparição da cruz luminosa sobre o Gólgota

Em 7 de maio de 351, no início do episcopado de Cirilo, apareceu nos céus de Jerusalém uma imensa cruz de luz, estendendo-se do Gólgota (Calvário) até o Monte das Oliveiras, vista por toda a cidade durante várias horas. Não foi um milagre operado por Cirilo, mas um sinal celeste por ele testemunhado e relatado numa carta ao imperador Constâncio II, no qual viu uma confirmação divina. A Igreja Grega comemora o evento em 7 de maio.

Suas contribuições à teologia

O coração do pensamento de São Cirilo de Jerusalém é a iniciação cristã entendida como um caminho orgânico: catecumenato, batismo, crisma (unção com o santo crisma) e Eucaristia. Bispo de Jerusalém, ele compôs por volta de 350 um corpo de catequeses — uma Procatequese, dezoito catequeses pré-batismais dirigidas aos photizómenoi (“os que vão ser iluminados”, os candidatos ao batismo) e cinco Catequeses Mistagógicas dirigidas aos recém-batizados na semana da Páscoa.

Sua contribuição mais característica é o método mistagógico: explicar os mistérios depois de recebidos. Reservando a explicação plena dos sacramentos ao tempo pascal, Cirilo conduz o neófito “do visível ao invisível, do sinal à coisa significada, dos ‘sacramentos’ aos ‘mistérios’” — princípio que o próprio Catecismo da Igreja Católica recolhe ao definir a catequese litúrgica como mistagogia (CIC 1075).

No campo eucarístico, Cirilo é um dos testemunhos antigos mais explícitos da presença real e da conversão dos dons. Ensina que, pela invocação do Espírito Santo, o pão se faz Corpo de Cristo e o vinho Sangue de Cristo, de modo que “o que parece pão não é pão, ainda que ao paladar o pareça, mas o Corpo de Cristo”, e os fiéis recebem não pão e vinho, mas o Corpo e o Sangue de Cristo. Daí a célebre recomendação de cuidar de cada partícula consagrada como de algo “mais precioso que o ouro e as pedras preciosas”.

Cirilo é igualmente mestre da fé batismal e do Credo: boa parte das catequeses pré-batismais é um comentário artigo por artigo do Símbolo da fé de Jerusalém. Em matéria trinitária, embora inicialmente reticente quanto ao termo homooúsios (“consubstancial”) de Niceia, defendeu firmemente a divindade do Filho contra os arianos, ensinando que o Filho é “em tudo semelhante ao Pai”; ao fim da vida aceitou formalmente o homooúsios e foi reconhecido plenamente ortodoxo.

Espiritualidade

Espiritualidade e carisma

Escola espiritual

Espiritualidade mistagógica e catequética (iniciação cristã)

A espiritualidade de Cirilo é mistagógica: nasce da experiência sacramental e a interpreta. Centra-se no itinerário da iniciação cristã — catecumenato, batismo (mergulho na morte e ressurreição de Cristo), crisma/unção com o santo crisma (dom do Espírito) e Eucaristia (participação real no Corpo e Sangue de Cristo). É uma pedagogia da “disciplina do mistério” (disciplina arcani): a explicação plena dos sacramentos só é dada depois de recebidos, na semana pascal, para que o assombro da experiência abra o neófito à compreensão da fé. Espiritualidade integral, que envolve corpo, alma e espírito, ancorada na Escritura, no Credo e na liturgia do Santo Sepulcro de Jerusalém.

Como se vive hoje

Essa espiritualidade fala fortemente hoje. O Concílio Vaticano II restaurou o catecumenato batismal de adultos por etapas, concretizado no Rito de Iniciação Cristã de Adultos (RICA), que tem nas catequeses de Cirilo um de seus modelos históricos. A mistagogia — a etapa pós-batismal de aprofundamento dos mistérios celebrados — voltou a ser parte explícita do itinerário catecumenal e inspira a renovação litúrgica e catequética: partir da celebração para chegar ao mistério, do sinal à realidade. As Catequeses de Cirilo continuam sendo lidas como itinerário de fé para catecúmenos e neófitos.

Obras escritas

Suas obras principais

Obras de maior densidade e influência, com links diretos para o Codex quando disponíveis.

Catequeses (Procatequese + 18 Catequeses pré-batismais)

Κατηχήσεις (Catecheses ad illuminandos) · c. 350 d.C., em Jerusalém

Série de instruções catequéticas pregadas na Basílica do Santo Sepulcro aos catecúmenos (os “iluminados”, photizómenoi) que se preparavam para o batismo na Páscoa. Compõe-se da Procatequese (instrução introdutória) e de 18 catequeses pré-batismais que expõem o arrependimento, a fé e o Credo de Jerusalém artigo por artigo. É uma das mais antigas e completas exposições sistemáticas da fé batismal que chegaram até nós.

Catequeses Mistagógicas (5)

Κατηχήσεις μυσταγωγικαί (Catecheses mystagogicae) · pregadas na Semana de Páscoa (datação debatida: c. 350)

Cinco catequeses dirigidas aos recém-batizados (neófitos) durante a Semana da Páscoa, explicando os mistérios recebidos: a renúncia a Satanás e a adesão a Cristo; o batismo como morte e ressurreição com Cristo; a unção com o santo crisma (confirmação); o Corpo e o Sangue de Cristo (Eucaristia); e a Sagrada Liturgia com o Pai-Nosso. A autoria é debatida: alguns manuscritos as atribuem a Cirilo, outros a seu sucessor João de Jerusalém; muitos especialistas hoje as consideram substancialmente cirilianas.

Carta a Constâncio II

Epistola ad Constantium · 351 d.C.

Carta ao imperador Constâncio II relatando a aparição de uma cruz luminosa no céu sobre o Gólgota, estendendo-se até o Monte das Oliveiras, testemunhada por toda a população de Jerusalém, e ligada ao “sinal do Filho do Homem” (Mt 24,30).

Homilia sobre o Paralítico

Homilia in paralyticum iuxta piscinam iacentem · datação incerta (período episcopal)

Homilia conservada como genuína, sobre a cura do paralítico junto à piscina de Betesda (Jo 5), com ênfase na compaixão e na cura divinas.

Liturgia

Como a Igreja celebra Cirilo de Jerusalém

Categoria litúrgica
Memória facultativa
Cor litúrgica
Branco
Dia
18 de Março
Coleta própriaMissal Romano, 18 de março
Novena

Novena a Cirilo de Jerusalém

Nesta novena pedimos a intercessão de São Cirilo de Jerusalém, bispo, Doutor da Igreja e mestre dos catecúmenos, para que, à luz das suas Catequeses, aprofundemos a fé recebida no Batismo, na Crisma e na Eucaristia e permaneçamos fiéis à doutrina da Igreja.

I.

A catequese e o ensino da fé

Mt 28,19-20 — "Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ens..."

II.

O Batismo, porta da vida nova

Jo 3,5 — "Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá..."

III.

A Crisma e o dom do Espírito Santo

At 2,38 — "Pedro lhes respondeu: Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para rem..."

IV.

A Eucaristia, pão da vida eterna

Jo 6,54 — "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia."

V.

A fé e a profissão do Credo

Hb 11,1 — "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê."

VI.

Perseverança nas perseguições e nos exílios

Mt 5,10 — "Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!"

VII.

A guarda da sã doutrina contra o erro

2Tm 1,14 — "Guarda o precioso depósito, pela virtude do Espírito Santo que habita em nós."

VIII.

Peregrinação e amor à Cidade Santa

Sl 121,1 — "Que alegria quando me vieram dizer: Vamos subir à casa do Senhor."

IX.

Mistagogia: viver a vida nova em Cristo

Rm 6,4 — "Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos..."

Devoções populares

Como o povo reza a Cirilo de Jerusalém

Tríduos, novenas, ladainhas, medalhas e tradições locais que mantêm viva a presença do santo na piedade popular.

Práticas devocionais

Tríduos, novenas e ladainhas

  • Padroeiro e modelo dos catequistas e catecúmenos — São Cirilo é invocado como intercessor de catequistas, catecúmenos e candidatos aos sacramentos. Em 1883, o Papa Leão XIII o declarou Doutor da Igreja, sendo difundido também como “príncipe dos catequistas” e Doutor da Catequese, em razão das suas célebres Catequeses dirigidas aos que se preparavam para o Batismo.
Sacramentais

Medalhas e escapulários

  • Inspirador da Iniciação Cristã (RICA) — As dezoito Catequeses pré-batismais e as cinco Catequeses mistagógicas de Cirilo, sobre o Batismo, a Crisma e a Eucaristia, são uma das fontes que inspiraram o Ritual da Iniciação Cristã de Adultos (RICA), promulgado em 1972 após o Concílio Vaticano II. Por isso é piedoso pedir sua intercessão pelos que percorrem o catecumenato.

Tradições populares por região

Como o santo é vivido na piedade popular no mundo lusófono e além.

Jerusalém / Terra Santa

Bispo de Jerusalém, Cirilo proferiu suas catequeses na Basílica do Santo Sepulcro, junto aos lugares da Paixão e Ressurreição de Cristo. Sua memória está associada à peregrinação à Cidade Santa e à veneração dos lugares santos da Terra Santa.

Mensagem

O que Cirilo de Jerusalém nos diz hoje

"Considera, pois, o Pão e o Vinho não como elementos comuns, pois são, segundo a declaração do Senhor, o Corpo e o Sangue de Cristo; ainda que os sentidos to sugiram, que a fé te confirme. Não julgues a coisa pelo paladar, mas pela fé tem plena certeza, sem hesitação, de que te foram dados o Corpo e o Sangue de Cristo."

— Catequese Mistagógica IV, 6

"Tendo aprendido isto e estando plenamente certos de que o que parece pão não é pão, embora o paladar assim o perceba, mas o Corpo de Cristo; e que o que parece vinho não é vinho, embora o gosto o queira, mas o Sangue de Cristo."

— Catequese Mistagógica IV, 9

"Cuida de não supor que este é um unguento comum. Pois assim como o Pão da Eucaristia, depois da invocação do Espírito Santo, já não é simples pão, mas o Corpo de Cristo, assim também este santo unguento já não é unguento comum depois da invocação, mas é dom da graça de Cristo e, pela vinda do Espírito Santo, torna-se capaz de comunicar a sua divindade."

— Catequese Mistagógica III, 3

"Ó coisa estranha e inconcebível! Não morremos realmente, não fomos realmente sepultados, não fomos realmente crucificados e ressuscitados; mas a nossa imitação foi em figura, e a nossa salvação em realidade. Cristo foi de fato crucificado, de fato sepultado, e verdadeiramente ressuscitou; e todas estas coisas Ele no-las concedeu gratuitamente, para que nós, participando dos seus sofrimentos pela imitação, alcançássemos a salvação na realidade."

— Catequese Mistagógica II, 5

"Chama-se Católica porque se estende por todo o mundo, de uma extremidade à outra da terra; e porque ensina universal e completamente todas as doutrinas que devem chegar ao conhecimento dos homens, acerca das coisas visíveis e invisíveis, celestes e terrenas."

— Catequese XVIII, 23
Frases célebres

Frases para guardar e compartilhar

Frases curtas para ler em silêncio, copiar, compartilhar e levar consigo.

Todas 3 Batismo, morte e novo nascimento 1 1 Quaresma, conversão 1

"E no mesmo instante morríeis e nascíeis; e aquela Água da salvação foi ao mesmo tempo o vosso sepulcro e a vossa mãe."

Catequese Mistagógica II, 4

"A fé é um olho que ilumina toda consciência e comunica entendimento."

Catequese V, 4

"Tendes quarenta dias para a penitência: tendes plena oportunidade de despir-vos, lavar-vos, revestir-vos e entrar."

Procatequese, 4
Influência

A rede de influências espirituais

Ninguém é santo sozinho. Recebeu uma herança — e a transformou em legado.

Quem o influenciou

Mestres e encontros decisivos

Cirilo é herdeiro direto da tradição litúrgica e catequética da própria Igreja de Jerusalém, centrada nos lugares santos e na liturgia do Santo Sepulcro (Anástasis), onde proferiu suas catequeses. Sua fonte primeira e constante é a Sagrada Escritura, que cita continuamente como prova de cada artigo da fé.Assenta-se sobre a catequese batismal anterior e o Credo (Símbolo) de Jerusalém, que comenta artigo por artigo, e sobre a regra de fé de Niceia, cuja substância defende contra o arianismo. A erudição bíblica e exegética da tradição alexandrina, e em particular a herança de Orígenes, que marcou a exegese palestinense, está presente em seu pano de fundo — embora isso deva ser afirmado com cautela, pois Cirilo é sóbrio e prático, distante das especulações origenistas mais ousadas. A “disciplina do mistério” (disciplina arcani), comum à Igreja antiga, é outro elemento que ele recebe e aplica.

Quem ele influenciou

Discípulos e herdeiros através dos séculos

As Catequeses de São Cirilo são uma fonte primária insubstituível para a história da liturgia, dos sacramentos e do Credo na Igreja de Jerusalém do século IV. Oferecem um dos relatos mais completos dos ritos da iniciação cristã da Antiguidade — batismo, crismação e celebração eucarística — e um testemunho de primeira ordem sobre a fé na presença real e sobre a estrutura da liturgia eucarística (com a epiclese e a intercessão).Cirilo é considerado o “doutor da catequese” por excelência: foi proclamado Doutor da Igreja pelo Papa Leão XIII em 1883. Sua pedagogia mistagógica moldou a tradição catequética posterior e, no século XX, inspirou diretamente a restauração do catecumenato e a renovação da catequese litúrgica.O Catecismo da Igreja Católica recolhe expressamente sua doutrina: ao tratar da oração do “Pai-Nosso”, o CIC 2782 cita, em nota, uma frase de São Cirilo de Jerusalém (Catequeses mistagógicas 3,1): “Tornando-vos participantes de Cristo, sois com razão chamados ‘cristos’”. O Papa Bento XVI dedicou-lhe uma catequese na Audiência Geral de 27 de junho de 2007, apresentando sua catequese integral como “emblemática para a formação catequética dos cristãos de hoje”.

Debates

Debates e controvérsias

As polêmicas começam ainda em vida — e nunca cessaram. Separamos as históricas (resolvidas pelo Magistério) das contemporâneas (em aberto).

Controvérsias históricas

Os grandes embates de seu tempo

Conflito com Acácio de Cesareia e os exílios

Cirilo entrou cedo em conflito com Acácio, bispo de Cesareia, líder do partido ariano/homeano. O conflito foi ao mesmo tempo doutrinal e jurisdicional. Acusado por Acácio (entre outras coisas, de ter vendido bens da igreja durante uma fome para socorrer os pobres), Cirilo foi deposto e enviado ao exílio. Ao todo passou muitos anos longe de sua sé em três exílios — a partir de 357, depois em 360, e finalmente sob o imperador ariano Valente (de 367 até 378), regressando definitivamente após a morte de Valente.

Disputa de jurisdição entre Jerusalém e Cesareia

No fundo do conflito estava a questão da precedência: Cesareia era a metrópole eclesiástica da Palestina, mas Jerusalém, por sua dignidade como cidade santa (reconhecida no Concílio de Niceia), reivindicava autonomia e honra especial. A tensão foi resolvida progressivamente em favor de Jerusalém, que viria a tornar-se patriarcado.

Ordenação por bispos semiarianos e a reticência ao “homooúsios”

Cirilo foi consagrado bispo (c. 348/350) num contexto em que predominavam bispos semiarianos, como Acácio, o que levantou suspeitas sobre a ortodoxia de sua eleição. Durante anos evitou o termo niceno homooúsios (“consubstancial”), preferindo dizer que o Filho é “em tudo semelhante ao Pai” — posição típica do meio semiariano. Sua cristologia correta, porém, parece ter sido a verdadeira razão da hostilidade de Acácio.

A questão foi definitivamente esclarecida: Cirilo acabou por aceitar formalmente o homooúsios e participou do Concílio de Constantinopla de 381 (II Concílio Ecumênico). A carta sinodal de 382, na sequência do concílio, reconheceu oficialmente a ortodoxia irrepreensível de Cirilo e a legitimidade de sua ordenação episcopal. A tradição posterior consagrou-o como Padre e Doutor da Igreja.

Controvérsias contemporâneas

Polêmicas ainda em aberto

A autoria das cinco Catequeses Mistagógicas

O debate erudito mais vivo diz respeito à autoria das cinco Catequeses Mistagógicas. A tradição manuscrita é ambígua: alguns manuscritos atribuem-nas a Cirilo, outros a João II de Jerusalém (seu sucessor), outros a ambos conjuntamente. Por isso, alguns estudiosos atribuem-nas a João de Jerusalém ou a uma autoria/redação conjunta. A maior parte da pesquisa, no entanto, inclina-se pela autoria substancialmente ciriliana, entendendo que o conteúdo é de Cirilo e que o nome de João se associou porque o sucessor continuou a usar a catequese mistagógica já consagrada na Igreja de Jerusalém. O tema permanece em aberto e deve ser apresentado de forma equilibrada.

Datação e valor das Catequeses

Discute-se também a datação precisa das catequeses (em geral situadas por volta de 350, no início do episcopado) e a relação entre o que descrevem e a liturgia de Jerusalém atestada pela peregrina Egéria, no fim do século IV.

Ecumenismo e renovação litúrgica

Por descreverem a iniciação cristã antes das grandes divisões eclesiais, as Catequeses de Cirilo têm hoje notável valor ecumênico — são lidas e veneradas também pelas Igrejas orientais e ortodoxas — e continuam a alimentar a renovação litúrgica e catequética do Ocidente, sobretudo a restauração do catecumenato (RICA/OICA) e da mistagogia promovidas pelo Concílio Vaticano II.

Patronatos

Patronatos e causas de intercessão

Patronatos oficiais (proclamados pela Igreja) e intercessões populares (sancionadas pela prática secular).

Patronato oficial

Proclamados pela Santa Sé ou tradição litúrgica firmemente estabelecida.

  • Teólogos
Relíquias

Relíquias e locais de devoção

Conhecer onde estão suas relíquias é conhecer a história espalhada da Igreja.

sepultamento original

Sepultamento em Jerusalém

Jerusalém (Terra Santa) · 386 d.C.

São Cirilo de Jerusalém morreu em Jerusalém, provavelmente em 18 de março de 386, e foi sepultado na própria cidade onde fora bispo. As fontes católicas não registram o local exato do túmulo nem qualquer translação posterior de suas relíquias.

Curiosidades

Curiosidades sobre Cirilo de Jerusalém

Fatos pouco conhecidos — pequenas janelas para a humanidade do santo.

📜

Suas Catequeses (18 pré-batismais pregadas na Quaresma e 5 mistagógicas pregadas na semana da Páscoa) estão entre as fontes mais antigas e detalhadas que possuímos sobre a liturgia do Batismo, da Crisma e da Eucaristia na Igreja do século IV.

Pregou suas catequeses batismais dentro da grande basílica de Constantino, a Basílica do Santo Sepulcro, sobre o próprio lugar da Ressurreição em Jerusalém.

🚪

Durante seu episcopado foi exilado três vezes pelos arianos, ao longo de cerca de vinte anos; o terceiro e mais longo exílio durou cerca de onze anos, terminando só em 378, após a morte do imperador Valente.

✝️

Em 351, no início de seu episcopado, relatou numa carta ao imperador Constâncio II a aparição de uma cruz luminosa no céu de Jerusalém, estendendo-se do Gólgota até o Monte das Oliveiras, vista por toda a cidade.

🧭

A peregrina Egéria (Etéria), no fim do século IV, deixou um diário descrevendo a liturgia de Jerusalém que combina notavelmente com o que Cirilo descreve em suas catequeses.

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É venerado também pelas Igrejas do Oriente, que celebram a sua festa igualmente em 18 de março.

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Levou cerca de quinze séculos para ser proclamado Doutor da Igreja: o título só lhe foi concedido em 1883, pelo Papa Leão XIII.

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