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Medalius · Santos · João Damasceno
J. João Damasceno
Dia de festa
4 de dezembro
Status canônico
Santo
Elevado a Doutor da Igreja
1890, por Leão XIII
Santo · Doutor da Igreja

João Damasceno

Crisorroas (Torrente de Ouro) · Séc. VII–VIII
Lugar: Mosteiro de Mar Saba (São Sabas), perto de Jerusalém
Estado de vida: religioso, sacerdote
Padroados: Teólogos

São João Damasceno (em grego Ἰωάννης ὁ Δαμασκηνός; c. 675/676, Damasco – 4 de dezembro de 749, mosteiro de Mar Saba, perto de Jerusalém) foi monge, sacerdote, teólogo e hinógrafo sírio de língua grega, considerado o último dos Padres gregos. Nascido em uma rica família cristã de Damasco, sucedeu ao pai na administração financeira da corte do califa omíada antes de abraçar a vida monástica na Lavra de São Sabas. Quando o imperador bizantino Leão III, o Isáurico, desencadeou a perseguição iconoclasta, João escreveu os três célebres Discursos em defesa das santas imagens, distinguindo com clareza a adoração (latria) devida só a Deus da veneração (proskýnesis) prestada aos santos e às imagens. Sua grande síntese teológica, a Fonte do Conhecimento — cuja terceira parte é a Exposição Exata da Fé Ortodoxa —, tornou-se o primeiro compêndio sistemático da doutrina cristã e fonte da teologia grega posterior. Condenado postumamente pelo conciliábulo iconoclasta de Hiéria (754), foi plenamente reabilitado no II Concílio de Niceia (787), e em 1890 o Papa Leão XIII o proclamou Doutor da Igreja universal.

A vida

Origem, família e formação em Damasco

João nasceu em Damasco por volta de 675/676, no seio de uma abastada família cristã árabe, os Mansur, que conservava posição de destaque mesmo sob o domínio do califado omíada. Seu pai — tradicionalmente identificado como Sergius (Sarjun ibn Mansur) — era cristão de sólida fé e exercia altas funções na corte, atuando como representante dos cristãos e como responsável pela administração financeira do califa. Segundo a tradição hagiográfica, o pai obteve para João, ainda menino, um preceptor cristão: um monge erudito chamado Cosmas, capturado em uma incursão e resgatado dentre os cativos, que o instruiu nas ciências e na teologia. Junto de João foi educado também seu irmão adotivo, o jovem Cosmas, futuro Cosmas de Maiuma e igualmente grande hinógrafo. Ao morrer o pai, João o sucedeu na administração da cidade, tornando-se, segundo as fontes, conselheiro principal de Damasco.


A defesa das santas imagens contra a iconoclastia

Foi durante esse período que o imperador bizantino Leão III, o Isáurico, deu início à heresia iconoclasta, com um primeiro édito contra a veneração das imagens por volta de 726, seguido de um segundo édito ainda mais severo em 730. Protegido por viver em território fora do alcance do imperador, João ergueu-se em defesa do culto às imagens e escreveu os três Discursos contra os que caluniam as santas imagens. Neles, distinguiu com precisão a adoração (latreia), devida unicamente a Deus, da veneração (proskynesis) prestada aos santos e às imagens, e fundamentou a licitude das imagens na própria Encarnação do Verbo. Segundo a tradição piedosa — que se deve apresentar como lenda hagiográfica, e não como fato histórico datado —, o imperador teria forjado uma carta atribuindo a João uma traição contra o califa; este, enganado, mandou decepar-lhe a mão direita, que a Virgem Maria, invocada pelo santo, teria milagrosamente restituído.


Monge e sacerdote em Mar Saba

Renunciando aos cargos e às riquezas, João retirou-se para o deserto da Judeia e ingressou na Lavra de São Sabas (Mar Saba), mosteiro situado a cerca de vinte e nove quilômetros a sudeste de Jerusalém. Ali levou vida de ascese, estudo e escrita, e foi ordenado sacerdote por João V, Patriarca de Jerusalém. Em Mar Saba dedicou-se à composição de suas grandes obras teológicas e à hinografia, gênero em que se tornou um dos maiores poetas litúrgicos do Oriente, ao lado de seu irmão adotivo Cosmas de Maiuma, que partilhara sua formação e que mais tarde foi feito bispo de Maiuma. Sua eloquência e fecundidade valeram-lhe o sobrenome Chrysorrhoas (Torrente de Ouro).


Últimos anos, morte e legado

João Damasceno morreu em Mar Saba por volta de 749 (a tradição litúrgica fixa o dia em 4 de dezembro), encerrando sua vida como o último dos Padres gregos. Sua grande síntese, a Fonte do Conhecimento (Pēgē gnōseōs), cuja terceira parte é a Exposição Exata da Fé Ortodoxa, constituiu o primeiro grande compêndio sistemático da teologia cristã e tornou-se manual fundamental tanto para o Oriente quanto, mais tarde, para a escolástica latina. Suas posições foram condenadas postumamente pelo conciliábulo iconoclasta de Hiéria (754), que chegou a injuriar sua memória; porém o II Concílio de Niceia (787), Sétimo Concílio Ecumênico, restabeleceu a doutrina do culto às imagens e vindicou plenamente sua honra. Reconhecido como santo por católicos e ortodoxos, foi proclamado Doutor da Igreja universal pelo Papa Leão XIII em 1890. Sua memória litúrgica é celebrada em 4 de dezembro.

Contexto

O contexto em que viveu

São João Damasceno nasceu em Damasco por volta de 675/676, numa cidade que havia menos de meio século deixara de ser bizantina: em 635, no avanço da conquista árabe-muçulmana da Síria, Damasco abriu suas portas aos exércitos muçulmanos, encerrando o domínio do Império Bizantino sobre a região. A partir de 661, sob o califa Mu'awiya, a cidade tornou-se a capital do Califado Omíada, sede de governo de um império que se estendia da Espanha às fronteiras da China.


Sob esse domínio islâmico, os cristãos viviam como dhimmis — tolerados, mas submetidos a um estatuto próprio — e muitos serviam na administração do califado. Foi o caso da família de João: seu pai, Mansur, exercia o cargo de chefe das finanças do califa, e o próprio João o sucedeu como principal conselheiro de Damasco, antes de abandonar tudo pela vida monástica. Sua formação clássica e cristã teria vindo, segundo a tradição, do monge Cosme, resgatado do cativeiro pela influência do califa para ser seu preceptor.


Ao mesmo tempo, o Império Bizantino vivia sob enorme pressão militar omíada. Entre 15 de agosto de 717 e 15 de agosto de 718, os árabes empreenderam o segundo e supremo cerco a Constantinopla, repelido pelo imperador Leão III, o Isáurico — que subira ao trono em 25 de março de 717 — graças ao fogo grego, ao rigor do inverno e a um ataque búlgaro. Essa vitória deteve a expansão árabe na Europa, mas as sucessivas calamidades e a ameaça muçulmana marcaram profundamente a mentalidade imperial.


Foi nesse clima que eclodiu a iconoclastia. Por volta de 726, Leão III começou a pronunciar-se publicamente contra a veneração das imagens sagradas, declarando-as ídolos proibidos pelo Êxodo; em 730 transformou a iconoclastia em política oficial do império, ordenando a remoção e destruição das imagens nas igrejas. Entre as causas apontavam-se a influência do Islã e do judaísmo, ambos hostis às imagens, e a leitura das derrotas e calamidades — terremotos, pestes, fomes, avanço muçulmano — como castigo divino pela suposta idolatria.


Por um paradoxo decisivo, João escreveu sua defesa das imagens de dentro do território califal, em solo muçulmano, fora do alcance do braço do imperador bizantino. Refugiado no mosteiro de Mar Saba (São Sabas), a uns 30 km a sudeste de Jerusalém, e ordenado sacerdote pelo patriarca de Jerusalém, pôde redigir livremente seus três Discursos contra os que caluniam as santas imagens, sem temer a perseguição imperial.


No ambiente monástico palestino e herdeiro da grande tradição patrística grega, João recolheu e sintetizou o legado dos Padres anteriores. Seus Discursos foram condenados depois de sua morte pelo conciliábulo iconoclasta de Hiéria (754), mas o II Concílio de Niceia (787), convocado pela imperatriz Irene, restaurou o culto das imagens e reabilitou os defensores ortodoxos, vindicando definitivamente a doutrina de João Damasceno.

Iconografia

Como reconhecer João Damasceno na arte sacra

Os atributos visuais consolidaram-se na Idade Média e distinguem o santo nas obras sacras.

👳
Turbante / touca oriental
Atributo distintivo de João Damasceno: nos ícones aparece com um turbante ou pano oriental na cabeça, recordando sua origem damascena e o cargo de funcionário na corte do califado de Damasco. É o traço que o diferencia dos demais monges bizantinos.
🧎
Hábito monástico bizantino
Veste de monge do mosteiro de Mar Saba, onde viveu como simples monge e foi ordenado sacerdote; sinal de sua renúncia ao mundo e da vida ascética.
📜
Pergaminho / rótulo (filactério)
Frequentemente segura um rolo aberto com o início de seus hinos e cânones, recordando-o como um dos maiores hinógrafos da Igreja oriental.
📖
Livro / códice
Doutor da Igreja e teólogo: autor da Fonte do Conhecimento (com a Exposição da Fé Ortodoxa) e dos tratados em defesa das imagens; o livro o assinala como mestre e escritor.
🖋️
Pena / cálamo de escritor
Símbolo de sua obra como teólogo, apologista e poeta litúrgico, que pôs a pena a serviço da fé e da defesa dos ícones.
💫
Auréola / nimbo
Nimbo dourado de santo, comum à iconografia bizantina; indica a santidade e a glória celeste do Doutor.
🖐️
A mão restaurada (ícone Tricherousa)
Referência à lenda: sua mão decepada por falsa acusação teria sido restaurada pela Theotokos; em gratidão fixou uma mão de prata votiva no ícone — origem da Theotokos das Três Mãos (Tricherousa) de Hilandar, no Monte Atos.
🧔
Barba branca de ancião
Representado como monge idoso de barba branca, sinal da sabedoria e da longa vida ascética.
Cronologia

Linha do tempo

Eventos do santo à esquerda, eventos do mundo à direita — para situar a vida na história.

Vida do santo Mundo no mesmo período
635
Queda de Damasco para os árabes
Damasco se rende aos exércitos muçulmanos, encerrando o domínio bizantino sobre a Síria no avanço da conquista árabe-islâmica.
661
Damasco, capital do Califado Omíada
O califa Mu'awiya estabelece sua corte em Damasco, fazendo da cidade o centro de governo do império omíada, da Espanha às fronteiras da China.
676
Nascimento de João em Damasco (c. 675/676)
João nasce por volta de 675/676 em Damasco, no seio de uma família cristã abastada, sob domínio do Califado Omíada.
690
Formação com o monge Cosme (c. 690)
Segundo a tradição, é educado pelo monge Cosme, resgatado do cativeiro pela influência do califa para ser preceptor de João e de seu irmão adotivo.
705
Sucede o pai na corte de Damasco (c. 705)
Filho de Mansur, chefe das finanças do califa, João assume cargo na corte, tornando-se principal conselheiro de Damasco antes de abandonar tudo pela vida monástica.
717
Leão III, o Isáurico, torna-se imperador
Leão III ascende ao trono bizantino em 25 de março de 717, em meio à grave pressão militar omíada sobre o império.
717
Cerco árabe a Constantinopla (717–718)
De 15 de agosto de 717 a 15 de agosto de 718, os omíadas cercam Constantinopla por terra e mar; Leão III repele o ataque com o fogo grego, derrota que abala a dinastia omíada.
726
Primeiro édito de Leão III contra as imagens
Por volta de 726, Leão III começa a se pronunciar publicamente contra a veneração das imagens, declarando-as ídolos proibidos pelo Êxodo.
730
Segundo édito: iconoclastia oficial
Em 730 Leão III torna a iconoclastia política oficial do império, ordenando a remoção e a destruição das imagens sagradas nas igrejas.
730
Os três Discursos em defesa das imagens (c. 726–730)
Refugiado em território califal, fora do alcance do imperador, João reage com seus três Discursos em defesa do culto às santas imagens, distinguindo a veneração (proskynesis) da adoração devida só a Deus (latreia).
730
Retirada para o mosteiro de Mar Saba
Renunciando aos cargos, João entra como monge no mosteiro de Mar Saba (São Sabas), a cerca de 30 km a sudeste de Jerusalém, onde viverá o resto da vida.
731
Ordenação sacerdotal (c. 731)
O patriarca João V de Jerusalém confere a João o sacerdócio; em Mar Saba ele se dedica ao estudo, à pregação e à redação de suas obras.
743
Fonte do Conhecimento (c. 743)
João compõe (ou revê) sua obra-prima, a Fonte do Conhecimento, síntese da filosofia, das heresias e da fé ortodoxa que coroa a tradição patrística grega.
749
Morte em Mar Saba (4 de dezembro)
João morre por volta de 4 de dezembro de 749, no mosteiro de Mar Saba, perto de Jerusalém, último dos grandes Padres gregos.
754
Conciliábulo iconoclasta de Hiéria
O sínodo iconoclasta de Hiéria, convocado por Constantino V, condena as imagens e anatematiza postumamente João Damasceno.
787
II Concílio de Niceia reabilita João
Convocado pela imperatriz Irene, o sétimo concílio ecumênico restaura o culto das imagens e vindica os defensores ortodoxos, confirmando a doutrina de João Damasceno.
1890
Proclamado Doutor da Igreja
O Papa Leão XIII proclama João Damasceno Doutor da Igreja universal, reconhecendo o valor de sua síntese teológica e de sua defesa das imagens.
Milagres

Milagres atribuídos à sua intercessão

Sinais e prodígios atribuídos à intercessão do santo, registrados pela tradição e pelos processos da Igreja.

A mão decepada restaurada pela Theotokos (ícone Tricherousa)

Segundo a tradição hagiográfica (não atestada como fato histórico; relatada na biografia grega do séc. X), o imperador iconoclasta Leão III, o Isáurico, forjou uma carta em que João oferecia entregar Damasco ao Império. Acreditando na falsificação, o califa mandou cortar-lhe a mão direita. João rezou diante de um ícone da Mãe de Deus (Theotokos) pedindo a cura para continuar a defender as imagens e a louvar a Virgem; adormeceu e, ao acordar, a mão estava milagrosamente reunida ao braço. Em ação de graças, mandou fixar no ícone uma mão de prata, dando origem ao ícone da Tricherousa (das Três Mãos). Trata-se de lenda piedosa, cuja historicidade é discutida pelos estudiosos.

Suas contribuições à teologia

A defesa teológica das imagens sagradas

No coração do pensamento de São João Damasceno está a defesa da veneração das imagens contra a iconoclastia. Ele distingue rigorosamente os graus de culto: a adoração (latria) é devida só a Deus, ao passo que às imagens e aos santos se presta uma veneração relativa (proskynesis) que não termina na matéria, mas sobe até aquele que ela representa. Retoma de São Basílio o princípio decisivo: a honra prestada à imagem passa ao protótipo.


A matéria santificada pela Encarnação

O argumento de fundo é a Encarnação do Verbo. Se outrora o Deus invisível e incircunscrito jamais era representado, agora que Ele se fez carne e conviveu entre os homens, tornou-se lícito representá-Lo. Daí sua célebre profissão: «Não adoro a matéria, adoro o Deus da matéria, que se fez matéria por mim, e habitou na matéria, e operou a minha salvação por meio da matéria.»


A grande síntese da fé: a Fonte do Conhecimento

João Damasceno não pretende inovar, mas recolher e ordenar num só corpo a doutrina dos Padres que o precederam. Sua obra maior, a Fonte do Conhecimento — cuja terceira parte é a Exposição Exata da Fé Ortodoxa —, aplica as ferramentas da lógica aristotélica à teologia e organiza logicamente toda a tradição grega. Traduzida ao latim por volta de 1153, tornou-se modelo e fonte para a escolástica latina, sendo usada por Pedro Lombardo e por Santo Tomás de Aquino: é tida como o primeiro grande manual sistemático da teologia cristã.


Cristologia: Calcedônia e as duas vontades

Fiel ao Concílio de Calcedônia, professa em Cristo uma só hipóstase em duas naturezas, perfeito Deus e perfeito homem, unidas sem mudança nem alteração. Na esteira de São Máximo, o Confessor, defende contra os monotelitas as duas vontades e as duas operações: visto que Cristo tem duas naturezas, possui também duas vontades naturais e duas energias naturais, a divina e a humana.


Mariologia: Theotokos e a Dormição

Proclama Maria, em estrito rigor de verdade, Mãe de Deus (Theotokos), contra Nestório, pois Aquele que dela nasceu é verdadeiro Deus. Suas homilias sobre a Dormição descrevem a passagem do corpo da Virgem ao céu segundo a mais segura e antiga tradição; por isso foi citado por Pio XII na constituição apostólica Munificentissimus Deus (1950), que definiu o dogma da Assunção, valendo-lhe o título de Doutor da Assunção.


Deus incompreensível e a Trindade que se compenetra

Sua teologia trinitária culmina no apofatismo e na perichoresis. De Deus sabemos que existe, não o que Ele é em sua essência: «Deus é infinito e incompreensível, e tudo o que d'Ele se pode compreender é a sua infinidade e incompreensibilidade.» E as três Pessoas se compenetram mutuamente, habitando umas nas outras, não por se misturarem, mas por aderirem umas às outras, tendo o seu ser umas nas outras, sem confusão nem mistura.

Espiritualidade

Espiritualidade e carisma

Escola espiritual

Espiritualidade monástica bizantina (tradição sabaíta de Mar Saba)

São João Damasceno viveu a espiritualidade do monaquismo palestino, tendo-se feito monge no mosteiro de Mar Saba (São Sabas), a sudeste de Jerusalém, onde passou o resto da vida em ascese, estudo, pregação e oração. É uma espiritualidade marcada pela centralidade da Liturgia e do louvor divino: João foi um dos maiores hinógrafos do Oriente, compondo cânones e hinos para o ofício bizantino (entre eles o célebre Cânone Pascal e a tradição do Octoeco), de modo que a vida de oração se faz canto da fé da Igreja. Nutre-se igualmente da veneração das imagens sagradas, defendidas por ele a partir do mistério da Encarnação, e de uma intensa devoção mariana, em especial à Theotokos e à sua Dormição. É a espiritualidade do último dos Padres gregos: contemplativa, litúrgica, doutrinal e mariana, fiel à tradição recebida dos Padres.

Como se vive hoje

Esta espiritualidade continua viva sobretudo na veneração dos ícones, professada como honra que sobe ao protótipo e não como idolatria, tanto nas Igrejas do Oriente como no Ocidente católico, que celebra São João Damasceno como Doutor da Igreja em 4 de dezembro. O seu legado hinográfico permanece presente no canto e no ofício litúrgico bizantino, ainda hoje rezado e cantado nas Igrejas orientais católicas e ortodoxas, e o seu Cânone Pascal continua a ressoar na celebração da Ressurreição. A sua devoção à Dormição e Assunção de Maria é vivida hoje na piedade mariana de toda a Igreja, confirmada pela definição dogmática da Assunção (1950), que o cita expressamente; e a sua síntese da fé inspira ainda quem procura unir oração, beleza litúrgica e fidelidade à doutrina dos Padres.

Família espiritual

Ordens, congregações e movimentos

Famílias religiosas que se reconhecem herdeiras do santo.

🏜️
483

Mosteiro de Mar Saba (Grande Lavra de São Sabas)

Lavra no deserto da Judeia, sobre o Vale do Cédron, entre Belém e o Mar Morto, fundada por São Sabas, o Santificado, em 483. João tornou-se ali monge por volta do ano 700 e nela viveu, escreveu e compôs até a morte (749). O typikon de São Sabas tornou-se modelo da vida monástica e da ordem litúrgica bizantina.

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São Sabas, o Santificado

Fundador (em 483) e organizador da Grande Lavra que leva seu nome (Mar Saba), a casa monástica de João Damasceno. Dirigiu a Lavra por cerca de cinquenta anos; sua regra moldou o monaquismo do deserto da Judeia.

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São Cosme de Maiuma

Irmão de criação (adotivo) de João: órfão acolhido na casa de Sérgio Mansur e criado ao lado dele. Tornou-se grande hinógrafo, companheiro de João no desenvolvimento da himnografia bizantina, e em 743 foi nomeado bispo de Maiuma (porto da antiga Gaza). Comemorado em 14 de outubro.

📖

O monge Cosme (preceptor)

Monge cativo, resgatado pelo pai de João em Damasco para ser seu tutor (e também de Cosme de Maiuma). Instruiu João em teologia, filosofia e demais ciências, fundamento de sua futura erudição.

Patriarca de Jerusalém (João V)

O Patriarca de Jerusalém que ordenou João Damasceno sacerdote e o fez pregador de sua catedral. A Catholic Encyclopedia identifica-o como João V, Patriarca de Jerusalém.

Obras escritas

Suas obras principais

Obras de maior densidade e influência, com links diretos para o Codex quando disponíveis.

A Fonte do Conhecimento

Pēgē gnōseōs (Πηγὴ γνώσεως) / Fons scientiae · c. 743 (séc. VIII)

Obra-mãe e a mais importante de São João Damasceno, dedicada ao bispo Cosme de Maiuma. Síntese tripartida do saber cristão, composta por três partes: os Capítulos Filosóficos (Dialética), o tratado Sobre as Heresias e a Exposição Exata da Fé Ortodoxa. É frequentemente apontada como precursora das summas teológicas escolásticas.

Capítulos Filosóficos (Dialética)

Kephalaia philosophika (Κεφάλαια φιλοσοφικά) / Dialectica · c. 743 (séc. VIII)

Primeira parte da Fonte do Conhecimento. Introdução filosófica que fornece os instrumentos conceituais da teologia, baseada largamente na lógica de Aristóteles e na Isagoge de Porfírio; cerca de quinze capítulos tratam exclusivamente de lógica, e o restante da ontologia aristotélica.

Sobre as Heresias

Peri haireseōn (Περὶ αἱρέσεων) / De haeresibus · c. 743 (séc. VIII)

Segunda parte da Fonte do Conhecimento. Catálogo de cerca de cem heresias, em grande medida apoiado no Panarion de Santo Epifânio e atualizado por João Damasceno, incluindo uma seção sobre o Islã, tratado como a heresia dos ismaelitas.

Exposição Exata da Fé Ortodoxa

Ekdosis akribēs tēs orthodoxou pisteōs / De fide orthodoxa · c. 743 (séc. VIII)

Terceira e mais influente parte da Fonte do Conhecimento e obra-prima do santo. Dividida em quatro livros (existência e natureza de Deus; a criação e os anjos; as duas naturezas de Cristo; as Escrituras e os sacramentos), constitui a primeira grande síntese sistemática da fé cristã. Traduzida ao latim por Burgúndio de Pisa (c. 1153), por encargo do Papa Eugênio III, tornou-se um dos manuais usados pelos escolásticos (Pedro Lombardo, São Boaventura, Santo Tomás de Aquino).

Três Discursos Apologéticos contra os que rejeitam as santas imagens

Pros tous diaballontas tas hagias eikonas / Contra imaginum calumniatores orationes tres · c. 726–730 (séc. VIII)

Três tratados escritos em resposta ao édito iconoclasta do imperador Leão III, o Isáurico. Defendem a veneração das santas imagens com base na Escritura, nos Padres e, sobretudo, na Encarnação do Verbo. Constituem a mais célebre defesa patrística das imagens e fundamentaram a doutrina depois confirmada no II Concílio de Niceia (787).

Homilias sobre a Dormição da Virgem

Encomium in Dormitionem Dei Genetricis Semperque Virginis Mariae · c. 730–740 (séc. VIII)

Conjunto de três homilias sobre a Dormição (Assunção) da Santíssima Virgem Maria, pregadas junto ao túmulo da Virgem em Jerusalém. A segunda homilia é citada expressamente pelo Papa Pio XII na constituição apostólica Munificentissimus Deus (1950), que definiu o dogma da Assunção.

Homilias diversas

Homiliae · séc. VIII

Cerca de quatorze discursos e homilias, entre os quais se destacam a homilia sobre a Transfiguração, a homilia do Sábado Santo e a homilia da Anunciação. São tidos como autênticos os principais; alguns sermões atribuídos têm autoria discutida.

Cânone Pascal (Cânone da Ressurreição)

Kanōn tou Pascha — incipit: Anastaseōs hēmera (Dia da Ressurreição) · séc. VIII

O mais célebre dos cânones de João Damasceno, hino de triunfo da Páscoa apelidado de Cânone de Ouro ou Rainha dos Cânones, conhecido em inglês como The Day of Resurrection. A Catholic Encyclopedia o descreve como o Te Deum da Igreja grega. João Damasceno é tido como um dos maiores hinógrafos gregos.

Octoeco (livro dos oito tons)

Oktōēchos (Ὀκτώηχος) · séc. VIII (atribuição tradicional, hoje contestada)

Livro litúrgico dos oito tons da Igreja grega. Uma opinião tradicional, hoje contestada pela crítica, atribui sua organização a São João Damasceno; com segurança lhe pertence parte da hinografia (cânones e estiquiras), sendo a autoria integral do Octoeco incerta.

Contra os jacobitas

Kata Iakōbitōn / Contra Jacobitas · séc. VIII

Polêmica cristológica contra os jacobitas (monofisitas da Síria), em defesa das duas naturezas de Cristo.

Contra os nestorianos

Kata Nestorianōn / Adversus Nestorianos · séc. VIII

Tratado polêmico contra o nestorianismo, defendendo a unidade da pessoa de Cristo e a maternidade divina de Maria (Theotokos).

Contra os maniqueus

Kata Manichaiōn / Dialogus contra Manichaeos · séc. VIII

Diálogo polêmico contra o dualismo maniqueu, tratando da origem do mal e da bondade da criação.

Sobre os dois quereres e operações em Cristo

Peri tōn dyo en Christō thelēmatōn / De duabus in Christo voluntatibus · séc. VIII

Tratado cristológico contra os monotelitas, defendendo que em Cristo existem duas vontades e duas operações, correspondentes às suas duas naturezas, divina e humana.

Comentários às Epístolas de São Paulo

Commentarii in epistolas S. Pauli (Loci Selecti) · séc. VIII

Comentário às epístolas paulinas em forma de florilégio, composto em grande parte de passagens das homilias de São João Crisóstomo e de Cirilo de Alexandria, anexadas como glosas aos textos de São Paulo.

Sacra Parallela (Os Sagrados Paralelos)

Hiera / Sacra Parallela (Τὰ Ἱερά) · séc. VIII (atribuição disputada)

Florilégio (espécie de concordância temática) de citações bíblicas e patrísticas sobre Deus, o homem, as virtudes e os vícios, organizado alfabeticamente. Tradicionalmente atribuído a João Damasceno, mas a autoria é hoje seriamente discutida: parte da crítica situa o núcleo da compilação antes dele, e um manuscrito do séc. X nomeia como compiladores Leôncio, o presbítero, e João.

Liturgia

Como a Igreja celebra João Damasceno

Categoria litúrgica
Memória facultativa
Cor litúrgica
Branco
Dia
4 de Dezembro
Coleta própriaMissal Romano — 4 de dezembro, São João Damasceno (coleta própria)
Novena

Novena a João Damasceno

Novena temática de nove dias em honra de São João Damasceno (c. 675/676–749), monge de Mar Saba, defensor das sagradas imagens, teólogo da Encarnação e da Dormição de Maria, hinógrafo e Doutor da Igreja. Cada dia contempla um traço real da sua vida e doutrina, pedindo, por sua intercessão, firmeza na verdadeira fé. Reza-se nos nove dias que antecedem a sua memória, a 4 de dezembro.

I.

A verdadeira fé como luz e força

Salmo 27 (26), 1 — "O Senhor é a minha luz e a minha salvação: a quem hei de temer? O Senhor é o protetor da minha vida..."

II.

A vida monástica de Mar Saba

Salmo 63 (62), 2 — "Senhor, vós sois o meu Deus: desde a aurora vos procuro. A minha alma tem sede de vós, por vós susp..."

III.

Defensor das sagradas imagens

João 1, 14 — "E o Verbo fez-se carne e habitou entre nós. E nós vimos a sua glória, glória que Ele tem como Filho..."

IV.

O mistério da Encarnação

Filipenses 2, 6-7 — "Ele, que era de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; mas aniquilou-..."

V.

Maria, Mãe de Deus

Lucas 1, 48 — "Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: por isso, desde agora, todas as gerações me chamarão..."

VI.

A Dormição e glorificação de Maria

Lucas 1, 49 — "Porque o Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: santo é o seu nome."

VII.

Cantor da Ressurreição

1 Coríntios 15, 20 — "Mas Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram."

VIII.

Servo da Palavra de Deus

2 Timóteo 1, 13-14 — "Toma por modelo as sãs palavras que de mim ouviste, na fé e no amor que estão em Cristo Jesus. Gua..."

IX.

Doutor da Igreja, intercessor pela fé

Daniel 12, 3 — "Os que tiverem sido sábios brilharão como o esplendor do firmamento; e os que tiverem ensinado a mu..."

Devoções populares

Como o povo reza a João Damasceno

Tríduos, novenas, ladainhas, medalhas e tradições locais que mantêm viva a presença do santo na piedade popular.

Práticas devocionais

Tríduos, novenas e ladainhas

  • Padroeiro dos iconógrafos e pintores de ícones — Por ter defendido a veneração das sagradas imagens contra os iconoclastas, São João Damasceno é invocado como patrono dos iconógrafos e pintores de ícones, que pedem a sua intercessão antes de iniciar a escrita de um ícone.
  • Padroeiro dos farmacêuticos — A tradição venera São João Damasceno como patrono dos farmacêuticos, que o invocam como protetor da sua profissão.
Sacramentais

Medalhas e escapulários

  • Ícone da Theotokos Tricherousa (das Três Mãos) — Segundo a tradição, tendo a sua mão direita sido decepada por causa de uma falsa acusação, São João rezou diante de um ícone da Mãe de Deus e a mão foi restaurada. Em ação de graças, fixou ao ícone uma mão de prata, que passou a ser chamado Tricherousa (das Três Mãos). O ícone venera-se hoje no mosteiro sérvio de Hilandar, no Monte Atos.

Tradições populares por região

Como o santo é vivido na piedade popular no mundo lusófono e além.

Igrejas de tradição bizantina (Oriente cristão)

Atribui-se a São João Damasceno o Cânone Pascal (chamado Cânone de Ouro), conjunto de nove odes cantado nas matinas da Páscoa do rito bizantino, peça central da celebração da Ressurreição no Oriente cristão até hoje.

Mensagem

O que João Damasceno nos diz hoje

"Não adoro a matéria, adoro o Deus da matéria, que se fez matéria por mim, e habitou na matéria, e operou a minha salvação por meio da matéria."

— Primeiro Discurso Apologético em Defesa das Santas Imagens (Apologia I, 16)

"Outrora Deus, o incorpóreo e incircunscrito, nunca foi representado; agora, porém, que Deus é visto revestido de carne e conversando com os homens, eu faço uma imagem do Deus que vejo."

— Primeiro Discurso Apologético em Defesa das Santas Imagens (Apologia I, 16)

"Convinha que aquela que conservara intacta a virgindade no parto conservasse também o próprio corpo livre de toda corrupção depois da morte."

— Homilias sobre a Dormição da Virgem Maria (cit. em Pio XII, Munificentissimus Deus, n. 21)
Frases célebres

Frases para guardar e compartilhar

Frases curtas para ler em silêncio, copiar, compartilhar e levar consigo.

Todas 4 veneração das imagens, protótipo 1 imagens, catequese, instrução dos fiéis 1 Deus, transcendência, apofatismo 1 oração, vida espiritual 1

"A honra prestada à imagem passa ao protótipo."

Exposição Exata da Fé Ortodoxa (De fide orthodoxa), Livro IV, cap. 16

"O que o livro é para os que sabem ler, a imagem é para os que não sabem ler: a imagem fala à vista assim como as palavras falam ao ouvido; ela nos traz entendimento."

Primeiro Discurso Apologético em Defesa das Santas Imagens (Apologia I, 17)

"Deus é, pois, infinito e incompreensível, e tudo o que d'Ele se pode compreender é a sua infinidade e incompreensibilidade."

Exposição Exata da Fé Ortodoxa (De fide orthodoxa), Livro I, cap. 4

"A oração é a elevação da mente a Deus, ou o pedido a Deus daquilo que é conveniente."

Exposição Exata da Fé Ortodoxa (De fide orthodoxa), Livro III, cap. 24
Influência

A rede de influências espirituais

Ninguém é santo sozinho. Recebeu uma herança — e a transformou em legado.

Quem o influenciou

Mestres e encontros decisivos

Quem influenciou São João DamascenoJoão Damasceno foi sobretudo um genial sintetizador: ele próprio declarou que não pretendia expor opiniões próprias, mas reunir o ensino dos Padres anteriores. Recolheu amplamente dos Capadócios — Basílio, Gregório Nazianzeno e Gregório de Nissa —, de Cirilo de Alexandria, Atanásio, João Crisóstomo, Leão Magno e Epifânio.Filosófica e teologicamente, suas fontes diretas incluem o Pseudo-Dionísio Areopagita (de quem herda a teologia negativa, o apofatismo), Máximo, o Confessor (cuja cristologia das duas vontades — divina e humana — em Cristo ele assume e transmite), Leôncio de Bizâncio, Nemésio de Emesa (cuja antropologia ele incorpora largamente) e Anastácio Sinaíta. Sua Dialética apoia-se nos comentadores tardo-antigos da Isagoge de Porfírio e nas obras lógicas de Aristóteles.Humanamente, formou-se na tradição monástica palestina do mosteiro de Mar Saba (São Sabas), perto de Jerusalém, onde viveu e foi ordenado sacerdote. Em sua juventude foi instruído pelo monge Cosme, mestre que o educou ao lado de seu irmão adotivo Cosme de Maiuma.

Quem ele influenciou

Discípulos e herdeiros através dos séculos

Quem São João Damasceno influenciouEmbora tenha falecido antes da resolução da controvérsia, seus três Discursos contra os que caluniam as santas imagens forneceram o arcabouço teológico do II Concílio de Niceia (787), que restabeleceu a veneração das imagens, e do Triunfo da Ortodoxia (843).Sua obra-mestra, a Fonte do Conhecimento — cuja terceira parte é a Exposição Exata da Fé Ortodoxa —, foi traduzida ao latim por Burgúndio de Pisa (séc. XII, por ordem do Papa Eugênio III) e dividida em quatro livros à maneira das Sentenças de Pedro Lombardo. Tornou-se assim fonte direta da escolástica latina: Santo Tomás de Aquino cita o Damasceno na Suma Teológica, apoiando-se na Exposição da Fé Ortodoxa.Na liturgia, aperfeiçoou a forma do cânone bizantino e compôs o célebre Cânone Pascal (Dia da Ressurreição), a chamada Rainha dos Cânones, além de contribuir para o Octoeco, o livro litúrgico dos oito tons.Na mariologia, suas homilias sobre a Dormição da Mãe de Deus foram expressamente citadas por Pio XII na constituição Munificentissimus Deus (1950) ao definir o dogma da Assunção. Por encerrar a era patrística no Oriente grego, é tradicionalmente chamado o último dos Padres gregos.

Debates

Debates e controvérsias

As polêmicas começam ainda em vida — e nunca cessaram. Separamos as históricas (resolvidas pelo Magistério) das contemporâneas (em aberto).

Controvérsias históricas

Os grandes embates de seu tempo

A querela iconoclasta e a vindicação do santo

A grande controvérsia de sua vida foi a querela iconoclasta: contra os éditos do imperador Leão III que proibiam o culto das imagens sagradas, João compôs (por volta de 726–730) seus três Discursos em defesa das santas imagens, distinguindo a adoração devida só a Deus da veneração relativa prestada às imagens.


Por isso foi anatematizado pelo conciliábulo iconoclasta de Hiéria (754), que o condenou postumamente com insultos. Essa condenação foi plenamente revertida e o santo vindicado no II Concílio de Niceia (787), o sétimo concílio ecumênico, que reparou amplamente os ultrajes de seus inimigos e consagrou sua doutrina sobre as imagens. A questão está, portanto, definitivamente resolvida pelo Magistério.

Controvérsias contemporâneas

Polêmicas ainda em aberto

Debates em aberto e temas contemporâneos

A autoria do romance espiritual Barlaão e Josafá, muito popular na Idade Média e tradicionalmente atribuído a João Damasceno, é hoje contestada pela crítica: já Lequien a julgava inautêntica e boa parte dos estudiosos a atribui antes a Eutímio de Atos (m. 1028).


Permanecem em discussão erudita as datas exatas de seu nascimento e morte (c. 675/676 – 749, sendo a data da morte reconhecidamente incerta) e quanto de sua biografia é lendário — como o episódio da carta forjada por Leão III ao califa e a tradição da mão amputada e milagrosamente restaurada (origem do ícone Tricherousa).


Atualmente, sua figura ganha relevo no diálogo ecumênico católico-ortodoxo, por ser um Padre comum venerado tanto no Oriente quanto no Ocidente, e sua teologia da imagem mantém viva atualidade na reflexão sobre arte sacra e sobre o estatuto da matéria na economia da salvação.

Patronatos

Patronatos e causas de intercessão

Patronatos oficiais (proclamados pela Igreja) e intercessões populares (sancionadas pela prática secular).

Patronato oficial

Proclamados pela Santa Sé ou tradição litúrgica firmemente estabelecida.

  • Teólogos
Relíquias

Relíquias e locais de devoção

Conhecer onde estão suas relíquias é conhecer a história espalhada da Igreja.

sepultamento original

Sepultura no Mosteiro de Mar Saba (São Sabas)

Mosteiro de Mar Saba, Vale do Cédron (Cisjordânia) · 749 d.C. – séc. XII

São João Damasceno tornou-se monge na Lavra de Mar Saba, perto de Jerusalém, onde viveu, escreveu e morreu (749). Foi sepultado no mosteiro; sua tumba situa-se numa gruta sob o complexo monástico, no alto do Vale do Cédron (Kidron), a sudeste de Jerusalém, a meio caminho entre Belém e o Mar Morto. A sepultura ainda era mostrada ali no século XII.

translacao

Translação atribuída a Constantinopla

Constantinopla (atual Istambul, Turquia) · séc. XIII–XV (tradição)

Segundo a tradição registrada em obras de referência, o corpo, que permaneceu em Mar Saba até cerca do século XII, teria sido transladado para Constantinopla, onde teria sido venerado entre os séculos XIII e XV. As fontes usam linguagem cautelosa; o paradeiro posterior das relíquias não é confirmado. Item registrado como tradição documentada, não como fato certo.

peregrinacao

Ícone da Theotokos das Três Mãos (Tricherousa) — Mosteiro de Hilandar, Monte Atos

Mosteiro de Hilandar (Chilandar), Monte Atos, Grécia · tradição medieval – hoje

Não se trata de relíquia corporal de São João Damasceno, e sim do ícone mariano associado a ele. Pela lenda, depois de ter a mão restaurada por intercessão da Theotokos, João fixou uma terceira mão de prata no ícone, em agradecimento — origem do título das Três Mãos (Tricherousa). A tradição liga o ícone ao seu período monástico; mais tarde teria chegado a São Sava da Sérvia e foi levado ao Mosteiro de Hilandar, no Monte Atos, onde é venerado até hoje.

Onde está João Damasceno hoje

Mini-mapa visual: itinerário das relíquias e principais santuários (ilustrativo, não cartograficamente preciso).

Mosteiro de Mar Saba, Vale do Cédron (Cisjordânia)
749 d.C. – séc. XII
Mosteiro de Hilandar (Chilandar), Monte Atos, Grécia
tradição medieval – hoje
Local atual (Arca) Sepultamento original Pontos secundários
Curiosidades

Curiosidades sobre João Damasceno

Fatos pouco conhecidos — pequenas janelas para a humanidade do santo.

🌊

Foi apelidado de Chrysorrhoas (Χρυσορρόας), Torrente de Ouro, por causa de sua eloquência e de seu dom oratório.

💰

Antes de se fazer monge, foi alto funcionário do califado omíada em Damasco — encarregado das finanças do califa muçulmano, cargo que seu pai, Sérgio Mansur, já exercera.

📚

É chamado o último dos Padres gregos, por encerrar a era patrística do Oriente cristão.

🖐️

O célebre ícone da Tricherousa (das Três Mãos) nasceu da lenda da sua mão decepada e restaurada: ele fixou no ícone uma mão de prata em ação de graças; o ícone é hoje venerado no mosteiro sérvio de Hilandar, no Monte Atos.

🎓

Só foi proclamado Doutor da Igreja em 1890, pelo Papa Leão XIII — mais de onze séculos depois de sua morte.

☪️

Descreveu o Islã em sua obra Sobre as Heresias (parte da Fonte do Conhecimento), tratando-o como a heresia dos ismaelitas — um dos primeiros relatos cristãos sobre o islamismo.

🪷

Atribuiu-se-lhe tradicionalmente o romance Barlaão e Josafá — versão cristianizada da vida do Buda (o nome Josafá deriva de bodhisattva) —, atribuição hoje considerada duvidosa pelos estudiosos.

🥚

Seu Cânone Pascal é cantado até hoje na Páscoa bizantina; a tradição também o tem por organizador do sistema dos oito tons (Octoeco) da liturgia oriental.

Para estudar mais

Fontes e referências

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