Pular para conteúdo
Medalius · Santos · João Crisóstomo
J. João Crisóstomo
Dia de festa
13 de setembro
Status canônico
Santo
Elevado a Doutor da Igreja
1568, por São Pio V
Santo · Doutor da Igreja

João Crisóstomo

Boca de Ouro · Séc. IV–V
Lugar: Constantinopla
Estado de vida: bispo
Padroados: Teólogos · Pregadores · Oradores Sagrados

São João Crisóstomo (c. 349–407) foi Padre da Igreja grego, arcebispo de Constantinopla e Doutor da Igreja, tido como o maior pregador da cristandade antiga — daí o sobrenome "Boca de Ouro" (Crisóstomo). Formado na retórica em Antioquia, notabilizou-se pelas suas homilias bíblicas, pela vida austera e pela intransigente reforma moral do clero e da corte imperial. Sua coragem em denunciar os abusos dos poderosos custou-lhe dois exílios, o segundo dos quais o levou à morte numa marcha forçada, com as últimas palavras "Glória a Deus por todas as coisas".

A vida

Infância, formação e conversão

João nasceu em Antioquia, na Síria, por volta de 349 (alguns autores indicam 347). Tendo perdido o pai ainda menino, foi criado na fé por sua mãe, a piedosa viúva Santa Antusa, que cuidou pessoalmente de sua educação. Jovem brilhante, estudou retórica sob Libânio, o mais célebre orador pagão de seu tempo, que chegou a vê-lo como possível sucessor.

Atraído por Cristo, recebeu o batismo por volta dos vinte anos e logo se voltou para a vida ascética. Retirou-se durante quatro anos junto aos eremitas das montanhas próximas a Antioquia e depois passou mais dois anos sozinho numa caverna, em oração e penitência. O rigor extremo desse período arruinou-lhe a saúde, deixando-lhe um mal de estômago que o acompanharia por toda a vida e o obrigou a regressar à cidade.


Diácono, presbítero e o pregador de Antioquia

De volta a Antioquia, foi ordenado diácono por volta de 381 pelo bispo Melécio e, em 386, presbítero por Flaviano. Durante cerca de doze anos exerceu o ministério da pregação na cidade, conquistando fama extraordinária pela clareza, pela força moral e pela exposição das Escrituras.

Na Quaresma de 387, diante do terror que se abateu sobre Antioquia após a população derrubar as estátuas imperiais, pronunciou as célebres Homilias sobre as Estátuas, consolando e exortando o povo. Foi por essa eloquência sem igual que mais tarde recebeu o sobrenome Crisóstomo, isto é, "Boca de Ouro".


Arcebispo de Constantinopla, reformas e conflitos

Em 398 foi levado quase à força de Antioquia a Constantinopla e sagrado bispo da capital do Império do Oriente. À frente da maior sé do Oriente, empenhou-se numa rigorosa reforma do clero e dos costumes, dando ele próprio o exemplo com extrema austeridade na residência episcopal e generosidade para com os pobres.

Sua franqueza em denunciar o luxo e os abusos da corte chocou-se com a imperatriz Eudóxia e atraiu a inimizade do poderoso patriarca Teófilo de Alexandria. Em 403, Teófilo reuniu o chamado Sínodo do Carvalho (Synodus ad Quercum), nos arredores de Constantinopla, que decretou a sua deposição.


Exílio, morte e legado

Esse primeiro exílio durou pouco: um abalo no palácio imperial assustou a imperatriz, e o povo, revoltado, forçou o seu retorno. Mas a paz foi breve. Em 24 de junho de 404, João foi enviado a um segundo exílio, este definitivo, primeiro para Cucuso, na Armênia, e depois rumo ao distante Pítio.

Esgotado pela marcha forçada, morreu em Comana do Ponto em 14 de setembro de 407, com as últimas palavras: "Glória a Deus por todas as coisas". Reabilitado pela Igreja, teve as relíquias transladadas com grande pompa para Constantinopla em 27 de janeiro de 438, sob o imperador Teodósio II. Venerado como um dos quatro grandes Doutores gregos, foi declarado Doutor da Igreja pelo Papa São Pio V em 1568.

Contexto

O contexto em que viveu

João Crisóstomo viveu na transição dos séculos IV e V, num Império Romano já oficialmente cristão depois de Constantino e do Édito de Tessalônica de Teodósio. Era, porém, um cristianismo ainda em formação institucional, marcado por intensas controvérsias doutrinárias e por uma relação cada vez mais estreita — e tensa — entre o poder eclesiástico e o poder imperial.


Nesse tempo o Império já se dividia, de fato, entre Oriente e Ocidente. À morte de Teodósio (395), o Oriente coube ao fraco imperador Arcádio, cuja corte em Constantinopla era dominada por sua esposa, a imperatriz Eudóxia, e por funcionários ávidos de luxo e influência — exatamente o ambiente que a pregação reformadora de João viria a confrontar.


Antioquia, onde nasceu e se formou, e Constantinopla, sua sé episcopal, eram dois dos maiores centros do mundo cristão. A elevação de Constantinopla a "Nova Roma" alimentava uma forte rivalidade entre as sés, sobretudo com a antiga e poderosa sé de Alexandria, então governada pelo ambicioso patriarca Teófilo, que jamais aceitou a primazia da capital.


Esse choque eclesiástico-político ganhou contornos doutrinários com a controvérsia origenista: Teófilo perseguiu monges egípcios acusados de seguir Orígenes, e os chamados "Irmãos Longos", fugindo a Constantinopla, foram acolhidos por João. O episódio deu a Teófilo o pretexto para se voltar contra o arcebispo e, aliado à corte, articular a sua condenação no Sínodo do Carvalho.


Espiritual e teologicamente, João Crisóstomo representa o ápice da era patrística grega, herdeiro da escola exegética de Antioquia, voltada à interpretação literal e histórica das Escrituras. Sua obra homilética, vastíssima, tornou-se referência permanente para a pregação e a moral cristãs.


Ao fundo, o mundo mediterrâneo vivia crescente instabilidade: pressões nas fronteiras e movimentos de povos germânicos prenunciavam as grandes transformações que, poucas décadas depois, levariam ao colapso do Império no Ocidente.

Iconografia

Como reconhecer João Crisóstomo na arte sacra

Os atributos visuais consolidaram-se na Idade Média e distinguem o santo nas obras sacras.

🧣
Vestes de bispo bizantino (omofório com cruzes)
Como Arcebispo de Constantinopla é sempre representado em trajes episcopais: omofório (estola larga sobre os ombros) marcado com cruzes, sobre o phelonion ou o sakkos ornado de cruzes. Identifica o seu grau hierárquico de hierarca.
🧔
Tipo facial ascético: testa alta, barba curta e escura
Tipo iconográfico fixo: rosto magro e ascético, testa muito alta com cabelo recuado (quase calvo), barba curta, escura e afilada. É o traço que o distingue de São Basílio Magno (barba longa e pontuda) e de São Gregório Nazianzeno (barba arredondada e grisalha).
📖
Livro do Evangelho (ou rolo)
Segura o Evangelho enquadrado, frequentemente sobre um pano em sinal de veneração, ou um rolo com texto litúrgico, indicando o mestre e intérprete supremo da Palavra e autor da Divina Liturgia que leva o seu nome.
Gesto de bênção
A mão direita ergue-se em bênção, com os dedos na configuração que forma as letras IC XC; em painéis de Déesis aparece, em vez disso, a mão estendida em súplica diante de Cristo.
👂
São Paulo sussurrando ao seu ouvido
Tradição iconográfica: enquanto compunha de noite os seus Comentários às Epístolas de São Paulo, o discípulo São Proclo viu o Apóstolo Paulo inclinado, falando-lhe ao ouvido. Representa a inspiração divina por trás dos seus comentários paulinos.
🟡
Auréola / nimbo dourado
Nimbo circular de ouro, marca de santidade, padrão no ícone bizantino.
🗣️
Boca de Ouro / o dom da eloquência
O epíteto "Crisóstomo" (Chrysóstomos, "Boca de Ouro") celebra a sua eloquência incomparável como pregador. Não é representado por um objeto fixo, mas é o atributo verbal central, evocado nos ícones pelo livro ou rolo da pregação.
👥
Os Três Santos Hierarcas
Frequentemente figurado ao lado de São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno, formando os Três Santos Hierarcas (festa conjunta em 30 de janeiro), os grandes Padres e Doutores gregos.
Cronologia

Linha do tempo

Eventos do santo à esquerda, eventos do mundo à direita — para situar a vida na história.

Vida do santo Mundo no mesmo período
349
Nascimento em Antioquia
João nasce por volta de 349 em Antioquia da Síria (hoje Antakya, sul da Turquia), segunda cidade do Oriente romano. Filho de Secundo, oficial do exército sírio, perdeu o pai cedo e foi educado pela mãe, Antusa, mulher de profunda fé cristã.
367
Encontro com o bispo Melécio e conversão à vida ascética
Por volta de 367, João, então aluno do célebre retórico pagão Libânio, conhece o bispo Melécio de Antioquia. Cativado por ele, abandona pouco a pouco os estudos profanos e dedica-se à Escritura, frequentando o Asceterium de Antioquia sob a guia de Diodoro de Tarso.
368
Batismo e instituição como leitor
É batizado por volta de 368 e instituído leitor por Melécio em 371, marcando a sua entrada oficial no cursus eclesiástico de Antioquia.
375
Vida eremítica nas montanhas próximas a Antioquia
Retira-se cerca de quatro anos junto aos eremitas das montanhas vizinhas e depois vive dois anos como anacoreta numa gruta. As vigílias e jejuns indiscretos no frio arruínam a sua saúde, obrigando-o a regressar prudentemente a Antioquia.
380
Édito de Tessalônica
Em 27 de fevereiro de 380, Teodósio I, com Graciano e Valentiniano II, promulga o Édito de Tessalônica, tornando o cristianismo niceno a religião oficial do Império e condenando o arianismo como heresia.
381
I Concílio de Constantinopla (II Ecumênico)
Convocado por Teodósio I, o concílio reúne-se de maio a julho de 381, confirma o Credo Niceno (formando o Credo Niceno-Constantinopolitano) e declara a divindade do Espírito Santo. Melécio de Antioquia presidiu e morreu durante o concílio.
381
Ordenação a diácono por Melécio
No início de 381, pouco antes de partir para o concílio de Constantinopla, Melécio ordena João diácono. Como diácono, assiste às funções litúrgicas e cuida dos doentes e pobres, continuando a sua produção literária.
386
Ordenação a presbítero por Flaviano
Em 386, João é ordenado sacerdote pelo bispo Flaviano, sucessor de Melécio. Daí data a sua verdadeira importância na história eclesiástica: por cerca de doze anos a sua principal tarefa será a pregação em Antioquia.
387
Homilias sobre as Estátuas (Quaresma de 387)
Após o povo de Antioquia, revoltado com novos impostos, derrubar as estátuas do imperador Teodósio, João pronuncia na Quaresma de 387 a célebre série de cerca de vinte e uma homilias "Sobre as Estátuas", consolando e exortando a cidade até Flaviano trazer de Constantinopla o perdão imperial.
395
Morte de Teodósio I e divisão definitiva do Império
Teodósio I, último a governar todo o Império, morre em Milão a 17 de janeiro de 395. O Império divide-se entre os seus filhos: Arcádio no Oriente e Honório no Ocidente, divisão que nunca mais seria revertida.
398
Sagração como Bispo de Constantinopla
Morto Nectário (27 de setembro de 397), o imperador Arcádio, por sugestão do ministro Eutrópio, faz levar João secretamente de Antioquia à capital. É sagrado Bispo de Constantinopla em 26 de fevereiro de 398, por Teófilo de Alexandria. De imediato empreende a reforma do clero, dos mosteiros e da corte.
401
Acolhimento dos "Irmãos Longos" e atrito com Teófilo
A partir de cerca de 401-402, João acolhe os monges egípcios chamados "Irmãos Longos", perseguidos como origenistas por Teófilo de Alexandria. O conflito com Teófilo, somado à crescente hostilidade da imperatriz Eudóxia, prepara a crise.
403
Sínodo do Carvalho: primeira deposição e exílio
Em 403, Teófilo chega a Constantinopla com bispos aliados e reúne, na vila "do Carvalho" (epi dryn), perto de Calcedônia, um sínodo que depõe João sob acusações fúteis. Exilado, é logo recolhido pelo clamor do povo e por um susto da imperatriz, regressando triunfalmente.
404
Segundo exílio definitivo
Reavivada a inimizade de Eudóxia, e após distúrbios na Vigília Pascal de 404, Arcádio assina novo decreto. Em 24 de junho de 404 os soldados conduzem João ao exílio pela segunda vez, levando-o a Cucuso, na fronteira da Armênia.
404
Morte da imperatriz Eudóxia
Élia Eudóxia, esposa de Arcádio e principal adversária de João, morre em 6 de outubro de 404 em consequência de uma gravidez malograda. É sepultada na igreja dos Apóstolos, em Constantinopla.
407
Morte em Comana do Ponto
No verão de 407 ordena-se transferi-lo a Pítio, no extremo do Império. Esgotado pelas marchas forçadas sob sol, chuva e frio, João morre em Comana do Ponto a 14 de setembro de 407. As suas últimas palavras foram: "Glória a Deus por todas as coisas".
410
Saque de Roma por Alarico
Em 24 de agosto de 410, poucos anos após a morte de João, os visigodos liderados pelo rei Alarico saqueiam Roma por três dias — primeira queda da cidade em quase oito séculos, evento que abala todo o mundo romano cristão.
438
Translação das relíquias a Constantinopla
A 27 de janeiro de 438, sob o imperador Teodósio II (filho de Eudóxia) e o patriarca Proclo, o corpo de João é trasladado de Comana a Constantinopla com grande pompa e sepultado na igreja dos Apóstolos.
1568
Proclamação como Doutor da Igreja
Em 1568, o Papa São Pio V proclama João Crisóstomo Doutor da Igreja, ao lado dos demais grandes Padres gregos Atanásio, Basílio Magno e Gregório Nazianzeno. É reconhecido como o mais eminente doutor da Igreja grega.
2004
Devolução das relíquias ao Patriarcado Ecumênico
Em 27 de novembro de 2004, o Papa João Paulo II devolve ao Patriarca Ecumênico Bartolomeu I as relíquias de São João Crisóstomo e de São Gregório Nazianzeno, levadas para Roma após o saque de Constantinopla de 1204, num gesto de reconciliação entre as Igrejas.

Suas contribuições à teologia

O núcleo do pensamento de João Crisóstomo é a centralidade da Palavra de Deus pregada e explicada ao povo. Formado na escola exegética de Antioquia, privilegiou o sentido literal-histórico e gramatical das Escrituras, em contraposição à interpretação alegórica de Orígenes e da escola de Alexandria, sem contudo excluir o sentido espiritual quando o próprio autor sagrado o sugeria. Suas centenas de homilias sobre Mateus, João, Atos e as cartas de São Paulo fizeram dele o maior comentarista bíblico da Igreja antiga.


Insistia que as Escrituras não eram reservadas ao clero ou aos monges, mas pertenciam a todos os fiéis: exortava os leigos a lerem a Bíblia em casa, convicto de que a ignorância das Escrituras é a raiz de muitos males. Para Crisóstomo, a liturgia é o lugar onde a comunidade se constrói com a Palavra e a Eucaristia, e o batismo faz de cada cristão membro vivo do Corpo de Cristo.


A doutrina social é o traço mais ardente de sua pregação. Para Crisóstomo, a esmola não é favor opcional, mas dever de justiça: os bens são confiados aos ricos para serem partilhados, e reter o supérfluo é roubar o pobre. Quem honra o altar revestido de ouro e despreza o pobre faminto contradiz a si mesmo, pois o mesmo Cristo que disse "isto é o meu corpo" disse também "tive fome e não me destes de comer".


Crisóstomo elevou também a dignidade e a tremenda responsabilidade do sacerdócio. Em seu célebre tratado "Sobre o Sacerdócio", descreve o ministério como um múnus mais sublime que o dos anjos, exigindo integridade moral à altura do mistério que o sacerdote toca no altar. Por sua doutrina eucarística, foi chamado "Doutor da Eucaristia": ensinou sem ambiguidade a Presença Real e a transformação operada pelas palavras da consagração.


Por fim, todo o seu pensamento converge para a reforma moral concreta: a coerência entre fé e vida, a conversão do coração, a crítica ao luxo e à vaidade, a defesa da família como pequena Igreja e a responsabilidade de cada um pela salvação do próximo. Sua exegese foi pastoral antes de especulativa, transmitindo fielmente a tradição e a sã doutrina da Igreja.

Espiritualidade

Espiritualidade e carisma

Escola espiritual

Espiritualidade antioquena e pastoral

A espiritualidade de João Crisóstomo nasceu da ascese radical da sua juventude: depois de formado, retirou-se por cerca de quatro anos junto aos eremitas do monte próximo a Antioquia e viveu mais dois anos sozinho numa gruta, em penitência extrema, dedicando-se a meditar os Evangelhos e sobretudo as Cartas de São Paulo, até que a saúde arruinada o obrigasse a voltar à cidade. Dessa raiz monástica brota uma espiritualidade que une indissoluvelmente a Palavra de Deus, a penitência, a Eucaristia e a caridade concreta com os pobres como caminho de santidade. Para Crisóstomo, não há vida interior autêntica sem coerência entre a fé professada e a vida vivida: o cristão é templo de Deus, mas reconhece igualmente Cristo no irmão faminto e nu, de modo que o sacramento do altar se prolonga no sacramento do irmão. É uma santidade encarnada, ascética e socialmente responsável, em que a oração, o jejum, a leitura assídua da Escritura e a partilha dos bens formam um só movimento de configuração a Cristo.

Como se vive hoje

Ao cristão de hoje, a espiritualidade de Crisóstomo recorda primeiro que a Bíblia está ao alcance de todos e deve ser lida e vivida pelos leigos, não apenas estudada por especialistas. Recorda, em seguida, que a fé é inseparável da justiça: a partilha dos bens e o cuidado dos pobres não são opção devocional, mas exigência do Evangelho, e neles se reconhece o próprio Cristo. Recorda ainda a coragem profética diante do poder, ele que pagou com o exílio a recusa de calar diante dos abusos da corte. E recorda, enfim, que a caridade concreta, a austeridade pessoal e a coerência de vida são o teste decisivo da autenticidade cristã.

Família espiritual

Ordens, congregações e movimentos

Famílias religiosas que se reconhecem herdeiras do santo.

👑
1100

Três Santos Hierarcas

Tríade venerada no Oriente com São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno (o Teólogo). A festa conjunta (30 de janeiro) foi instituída sob o imperador Aleixo I Comneno (c. 1100), após a visão de 1084 a São João Mauropo, metropolita de Eucaíta, em que os três apareceram juntos declarando que entre eles não há discórdia nem rivalidade diante de Deus.

📜
1568

Os quatro grandes Doutores da Igreja Grega

Com Santo Atanásio de Alexandria, São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno, forma o grupo dos quatro grandes Doutores e Padres da Igreja Grega — paralelo oriental dos quatro grandes Doutores latinos. O reconhecimento como Doutores foi formalizado em 1568, sob São Pio V.

Obras escritas

Suas obras principais

Obras de maior densidade e influência, com links diretos para o Codex quando disponíveis.

Sobre o Sacerdócio

Perì Hierosýnes (De Sacerdotio) · c. 386–392 — 6 livros

Diálogo em seis livros sobre a dignidade e a responsabilidade do sacerdócio; uma das suas obras mais célebres. Exalta a sublimidade do ofício sacerdotal por causa da Eucaristia que o sacerdote toca no altar.

Homilias sobre as Estátuas

Homiliae de Statuis (ad populum Antiochenum) · Quaresma de 387 — 21 homilias

Pregadas em Antioquia durante a crise após a população, revoltada com novos impostos, derrubar as estátuas do imperador Teodósio; sermões de consolação e exortação até a chegada do perdão imperial trazido pelo bispo Flaviano.

Homilias sobre o Evangelho de São Mateus

Homiliae in Matthaeum · c. 390 — 90 homilias

Comentário homilético completo do Evangelho de Mateus; o mais antigo comentário grego integral do livro que chegou até nós, célebre pelas exortações morais sobre a esmola e a Eucaristia.

Homilias sobre o Evangelho de São João

Homiliae in Joannem · c. 389 — 88 homilias

Série de homilias expositivas sobre o quarto Evangelho, com forte acento na divindade de Cristo.

Homilias sobre os Atos dos Apóstolos

Homiliae in Acta Apostolorum · c. 400 — 55 homilias

Único comentário patrístico grego completo dos Atos que sobreviveu; preservado por taquígrafos, com transmissão textual menos polida.

Homilias sobre as Epístolas de São Paulo

Homiliae in Epistulas Paulinas (in Romanos, in I-II Corinthios, in Galatas, etc.) · Antioquia / Constantinopla, c. 391 em diante

Comentou homileticamente todas as cartas paulinas (Romanos, 1-2 Coríntios, Gálatas em 34 homilias, etc.); base da reputação de Crisóstomo como o maior intérprete antigo de São Paulo.

Sobre a vã glória e a educação dos filhos

De inani gloria et de educandis liberis · década de 390

Tratado sobre a vaidade mundana e o modo cristão de educar os filhos; um dos textos patrísticos mais importantes sobre pedagogia.

Carta a uma jovem viúva

Ad viduam juniorem · c. 380–382

Carta de consolação a uma viúva jovem, sobre o luto cristão, a esperança da ressurreição e a fidelidade ao esposo falecido.

Cartas do exílio (a Olímpia, diaconisa)

Epistulae ex exilio; Ad Olympiadem · 404–407

Cerca de 238 cartas escritas durante o exílio, das quais 17 dirigidas à diaconisa Olímpia; preciosas pelo conteúdo espiritual e pela intimidade pastoral.

Que ninguém é prejudicado senão por si mesmo

Quod nemo laeditur nisi a seipso · período do exílio (c. 406–407)

Tratado escrito no exílio: argumenta que nenhum mal externo pode realmente ferir a alma virtuosa — só o próprio pecado a prejudica.

Discursos contra os judaizantes

Adversus Judaeos (Kata Ioudaíon) · Antioquia, 386–387 — 8 discursos

Oito discursos polêmicos dirigidos a cristãos de Antioquia que frequentavam sinagogas e festas judaicas. Documento histórico de retórica polêmica antiga, lido hoje com cautela e no seu contexto, à luz da declaração conciliar Nostra aetate.

Homilia Pascal (Catequese Pascal)

Sermo catecheticus in Pascha · atribuição tradicional — lida na Páscoa bizantina

Célebre homilia lida nas Matinas da Páscoa nas Igrejas bizantinas ("Se alguém é piedoso..."). A tradição a atribui a Crisóstomo, mas a crítica questiona a autoria; entra como obra tradicionalmente atribuída.

Divina Liturgia de São João Crisóstomo

Theía Leitourgía toû Ioánnou toû Chrysostómou · recensão tradicional

Principal liturgia eucarística do rito bizantino. A tradição a atribui a Crisóstomo; historicamente, ele provavelmente reformou e adaptou um texto antigo, mais do que compôs do zero a forma atual. Atribuição honorífica consolidada.

Liturgia

Como a Igreja celebra João Crisóstomo

Categoria litúrgica
Memória obrigatória
Cor litúrgica
Branco
Dia
13 de Setembro
Antífona de entradaOs sábios brilharão como o esplendor do firmamento, e os que ensinam a muitos a justiça resplandecerão como estrelas para toda a eternidade.
Antífona de comunhãoAnunciamos Cristo crucificado, Cristo poder de Deus e sabedoria de Deus.
Coleta própriaColeta da memória de São João Crisóstomo (13 de setembro)
Para rezar

Oração a João Crisóstomo

Creio, Senhor e confesso, que em verdade Tu És Cristo, Filho de Deus vivo e que vieste ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro. Creio ainda que este é o Teu Puríssimo Corpo e que este é o Teu próprio precioso Sangue. Suplico-Te, pois, tem misericórdia de mim e perdoa-me as minhas faltas voluntári...

Novena

Novena a João Crisóstomo

Esta novena honra São João Crisóstomo, Padre grego, Arcebispo de Constantinopla e Doutor da Igreja, chamado "Boca de Ouro" pela sua eloquência ao serviço do Evangelho. Patrono dos pregadores, defensor dos pobres, mestre da Eucaristia e modelo de coragem profética diante do poder, ele nos ensina a amar a Palavra de Deus e a glorificá-Lo em todas as coisas. Durante nove dias, peçamos a sua intercessão.

I.

A Palavra de Deus

Mt 5,3 — "Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus!"

II.

A eloquência a serviço da fé

1Cor 9,16 — "Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não an..."

III.

A caridade com os pobres

Mt 25,40 — "E o Rei lhes responderá: Em verdade vos digo: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmã..."

IV.

A austeridade e a ascese

1Cor 9,27 — "Mas castigo o meu corpo e o reduzo à servidão, de medo de que, depois de ter pregado aos outros, ven..."

V.

O sacerdócio

Lc 12,33 — "Vendei o que possuís e dai esmola. Fazei para vós bolsas que não se gastam, um tesouro inesgotável n..."

VI.

A coragem profética diante do poder

2Tm 4,2 — "Prega a palavra, insiste a tempo e fora de tempo, repreende, ameaça, exorta, com toda a paciência e..."

VII.

A perseverança no sofrimento e no exílio

Mt 5,10 — "Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus!"

VIII.

A Eucaristia

1Cor 11,26 — "Assim, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor,..."

IX.

Glória a Deus por todas as coisas

1Cor 10,31 — "Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus..."

Devoções populares

Como o povo reza a João Crisóstomo

Tríduos, novenas, ladainhas, medalhas e tradições locais que mantêm viva a presença do santo na piedade popular.

Práticas devocionais

Tríduos, novenas e ladainhas

  • Patrono dos pregadores e oradores sacros — Por sua eloquência incomparável, que lhe valeu o título de "Crisóstomo" ("Boca de Ouro"), São João foi proclamado patrono dos pregadores e oradores sacros pelo Papa São Pio X, em 8 de julho de 1908. Pregadores, oradores e estudantes da Palavra recorrem à sua intercessão.
Sacramentais

Medalhas e escapulários

  • Divina Liturgia de São João Crisóstomo — A Divina Liturgia atribuída a São João Crisóstomo é a celebração eucarística mais usada nas Igrejas Ortodoxas e Católicas Orientais de rito bizantino, rezada na maior parte do ano litúrgico. É um dos maiores legados espirituais do santo.

Tradições populares por região

Como o santo é vivido na piedade popular no mundo lusófono e além.

Oriente / Igrejas Bizantinas

No Oriente cristão, São João Crisóstomo é venerado junto com São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno na festa dos Três Santos Hierarcas, em 30 de janeiro. A celebração conjunta foi instituída por volta de 1100 pelo imperador Aleixo I Comneno, após os três aparecerem em visão a São João Mauropo (1084) declarando-se iguais diante de Deus.

Roma e Constantinopla

As relíquias de São João Crisóstomo, levadas para Roma após o saque de Constantinopla pelos cruzados (1204), foram restituídas pelo Papa São João Paulo II ao Patriarca Ecumênico Bartolomeu I em 27 de novembro de 2004, num gesto ecumênico. Hoje são veneradas na igreja patriarcal de São Jorge, no Fanar (Istambul).

Mensagem

O que João Crisóstomo nos diz hoje

"Queres honrar o corpo de Cristo? Não o desprezes quando está nu. Não o honres aqui no templo com vestes de seda, enquanto lá fora o desprezas a sofrer de frio e nudez."

— Homilia 50 sobre o Evangelho de Mateus, 4

"Aquele que está sentado nas alturas com o Pai é, naquela hora, tomado nas mãos de todos, e Se entrega aos que desejam abraçá-Lo e recebê-Lo."

— Sobre o Sacerdócio, Livro III, 4

"Os que habitam a terra e nela têm a sua morada receberam a missão de administrar as coisas do Céu, e receberam uma autoridade que Deus não deu nem aos anjos nem aos arcanjos."

— Sobre o Sacerdócio, Livro III, 5

"Quantos dizem hoje: eu quisera ver a sua forma, a sua aparência, as suas vestes, as suas sandálias. Eis que tu O vês, tu O tocas, tu O comes."

— Homilia 82 sobre o Evangelho de Mateus, 4
Frases célebres

Frases para guardar e compartilhar

Frases curtas para ler em silêncio, copiar, compartilhar e levar consigo.

Todas 3 esmola, desapego 1 louvor, providência, abandono em Deus 1 Escrituras, leigos 1

"Deus não precisa de vasos de ouro, mas de almas de ouro."

Homilia 50 sobre o Evangelho de Mateus, 4

"Glória a Deus por todas as coisas."

Últimas palavras, segundo Paládio (cf. Catholic Encyclopedia, "St. John Chrysostom")

"A leitura das Escrituras é uma grande defesa contra o pecado; a ignorância das Escrituras é um grande precipício e um abismo profundo."

Discursos sobre o rico e Lázaro, Discurso 3
Influência

A rede de influências espirituais

Ninguém é santo sozinho. Recebeu uma herança — e a transformou em legado.

Quem o influenciou

Mestres e encontros decisivos

A primeira formadora de João foi a sua mãe, Santa Antusa, que, viúva ainda jovem, o educou na fé cristã transmitindo-lhe uma requintada sensibilidade humana e uma profunda fé, ao mesmo tempo em que lhe garantia acesso às melhores escolas de Antioquia. No plano da cultura profana, teve por mestre Libânio, o mais célebre orador pagão de seu tempo e tenaz defensor do paganismo em declínio; dele Crisóstomo recebeu a formação retórica que faria dele o maior orador da antiguidade grega tardia.A conversão decisiva veio do encontro com o bispo Melécio de Antioquia, por volta de 367, cujo caráter o cativou de tal modo que começou a afastar-se dos estudos profanos para dedicar-se à Escritura; por Melécio foi batizado e instituído leitor. No "Asceterion" formou-se na exegese sob o famoso Diodoro, depois bispo de Tarso, mestre do método gramatical-histórico da escola de Antioquia, oposto à interpretação alegórica de Orígenes.Por fim, foi profundamente marcado pela tradição ascética e monástica da região: viveu como anacoreta em rigorosa penitência, alimentando-se da meditação dos Evangelhos e das Cartas de São Paulo, que permaneceram o coração de toda a sua pregação.

Quem ele influenciou

Discípulos e herdeiros através dos séculos

João Crisóstomo é unanimemente reconhecido como o maior pregador da Igreja antiga; o próprio epíteto "Crisóstomo" — "Boca de Ouro" — consagra a fama de sua eloquência. Suas homilias, transmitidas em enorme volume, tornaram-se referência permanente para a pregação cristã e para a teologia pastoral, e sua autoridade foi invocada já no Concílio de Éfeso (431) e nos concílios posteriores.Seu nome está ligado à Divina Liturgia de São João Crisóstomo, a celebração eucarística mais usada no rito bizantino até hoje, tanto pelos ortodoxos quanto pelos católicos de tradição bizantina. A tradição atribui-lhe a redação de uma forma mais breve derivada da Liturgia de São Basílio; por sua concisão, a partir do séc. XIII ela suplantou as demais e tornou-se a liturgia ordinária da Igreja bizantina. As precisões críticas recomendam falar de "liturgia atribuída a Crisóstomo", fruto de revisão de textos anteriores mais do que de composição inteiramente original.É contado entre os quatro grandes Doutores gregos e, no Oriente, é um dos Três Santos Hierarcas, celebrados em conjunto com São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno em 30 de janeiro — festa instituída por volta de 1100 para afirmar a igual dignidade dos três mestres. O Papa Bento XVI chamou-o "Doutor da Eucaristia" e destacou sua contribuição exegética com o conceito de condescendência divina (synkatábasis), pelo qual a Palavra de Deus se faz plenamente linguagem humana.Sua influência sobre a doutrina social cristã é igualmente decisiva: foi pioneiro em propor a comunidade primitiva dos Atos dos Apóstolos como modelo de sociedade, antecipando temas centrais do ensino social da Igreja sobre a destinação universal dos bens e o primado da pessoa, mesmo do escravo e do pobre.

Debates

Debates e controvérsias

As polêmicas começam ainda em vida — e nunca cessaram. Separamos as históricas (resolvidas pelo Magistério) das contemporâneas (em aberto).

Controvérsias históricas

Os grandes embates de seu tempo

Conflito com a imperatriz Eudóxia e a corte

Arcebispo de Constantinopla a partir de 398, Crisóstomo empreendeu uma reforma severa: reduziu os gastos da casa episcopal, disciplinou o clero e empregou os recursos poupados em obras de caridade, como hospitais para os pobres. Suas pregações contra o luxo e a extravagância dos ricos voltaram contra ele a imperatriz Eudóxia, esposa de Arcádio, cujas riquezas e moral foram alvo de suas críticas; o atrito tornou-se irreversível, e a corte passou a articular a sua deposição.


Rivalidade com Teófilo de Alexandria

O patriarca Teófilo de Alexandria, da sé rival, foi o principal artífice da queda de Crisóstomo. Convocado a Constantinopla para responder por acusações, inverteu os papéis e, aliando-se aos inimigos de João na corte, articulou contra ele um processo eclesiástico.


A controvérsia origenista e os "Irmãos Longos"

Teófilo havia perseguido como origenistas certos monges egípcios chamados "Irmãos Longos", que se refugiaram em Constantinopla buscando o amparo de Crisóstomo. O patriarca de Alexandria, em vez de prestar contas, valeu-se politicamente da situação, transformando a controvérsia origenista em arma contra João.


O Sínodo do Carvalho (403) e os exílios

Em 403, Teófilo presidiu, junto a Constantinopla e com bispos seus aliados, o chamado Sínodo do Carvalho, que reuniu uma longa lista de acusações inverossímeis. Crisóstomo recusou-se a comparecer e foi deposto e exilado por Arcádio; voltou logo, em meio ao clamor popular e ao temor da própria Eudóxia de um castigo divino. Nova deposição sobreveio em 404: exilado para Cucuso, na Armênia, e depois conduzido rumo a Pítio, morreu pelo caminho em Comana do Ponto, em 14 de setembro de 407.


O cisma joanita

Após a sua morte, seus partidários — os "joanitas" — recusaram a comunhão com os bispos que haviam participado de sua condenação, gerando um cisma que se arrastou por décadas em Constantinopla. A reconciliação foi gradual: o arcebispo Proclo pregou em sua honra, e as suas relíquias foram trasladadas em triunfo a Constantinopla em 438, selando a reabilitação de sua memória.

Controvérsias contemporâneas

Polêmicas ainda em aberto

A doutrina social de Crisóstomo hoje

A leitura atual de Crisóstomo redescobre nele um precursor do ensino social da Igreja. Bento XVI sublinhou que ele percebeu não bastar dar esmola, sendo necessário criar uma nova estrutura, um novo modelo de sociedade segundo os princípios do Evangelho, propondo a comunidade dos Atos como paradigma e afirmando o primado da pessoa — inclusive do escravo e do pobre — sobre o Estado. Sua crítica ao contraste entre o luxo dos ricos e a indigência dos pobres permanece atualíssima nos debates sobre justiça econômica e destinação dos bens.


As homilias "Adversus Judaeos" e o repúdio ao antissemitismo

As oito homilias "Adversus Judaeos" (387) são hoje objeto de recepção crítica. Pregadas em Antioquia, dirigiam-se primordialmente a cristãos judaizantes da própria comunidade que continuavam a frequentar festas e jejuns judaicos, e empregavam o gênero retórico convencional do vitupério (psogos), de linguagem deliberadamente violenta. Reconhece-se hoje o seu impacto histórico no desenvolvimento do antijudaísmo cristão. A Igreja, na declaração conciliar Nostra aetate (1965), rejeitou a acusação coletiva contra os judeus e condena o antissemitismo, lendo essas homilias no seu contexto histórico do séc. IV e sem endossar a sua retórica.


Ponte ecumênica entre Oriente e Ocidente

Crisóstomo é hoje figura de unidade entre as Igrejas. Em 27 de novembro de 2004, João Paulo II devolveu ao Patriarcado Ecumênico de Constantinopla as relíquias de João Crisóstomo e de Gregório Nazianzeno, levadas a Roma após a Quarta Cruzada (1204); o Papa qualificou o gesto como ocasião abençoada para purificar as memórias feridas e fortalecer o caminho da reconciliação.

Patronatos

Patronatos e causas de intercessão

Patronatos oficiais (proclamados pela Igreja) e intercessões populares (sancionadas pela prática secular).

Patronato oficial

Proclamados pela Santa Sé ou tradição litúrgica firmemente estabelecida.

  • Teólogos
  • Pregadores
  • Oradores Sagrados
Relíquias

Relíquias e locais de devoção

Conhecer onde estão suas relíquias é conhecer a história espalhada da Igreja.

sepultamento original

Sepultamento original em Comana do Ponto

Comana Pontica (Comana do Ponto), perto de Tokat, Turquia · 407 – 438

São João Crisóstomo morreu no exílio em Comana do Ponto, em 14 de setembro de 407, durante a marcha forçada rumo ao seu novo local de degredo. Foi ali sepultado, onde os seus restos permaneceram por cerca de trinta anos.

translacao

Translação a Constantinopla — Igreja dos Santos Apóstolos

Igreja dos Santos Apóstolos, Constantinopla (atual Mesquita de Fatih, Istambul) · 27 de janeiro de 438

Em 438, sob o imperador Teodósio II, filho de Eudóxia, os restos de São João Crisóstomo foram trasladados de volta a Constantinopla, a sua sede episcopal, e depositados na Igreja dos Santos Apóstolos. A festa litúrgica da translação é celebrada em 27 de janeiro.

translacao

Levadas a Roma após a Quarta Cruzada — Basílica de São Pedro

Basílica de São Pedro (Capela do Coro dos Cônegos), Vaticano, Roma · 1204 – 2004

A maior parte das relíquias foi levada de Constantinopla pelos cruzados em 1204 (Quarta Cruzada) para Roma. Conforme recordou Bento XVI, passaram a repousar na Capela do Coro dos Cônegos da Basílica de São Pedro, onde permaneceram cerca de oito séculos.

translacao

Devolução ao Patriarcado Ecumênico — Catedral de São Jorge, Fanar

Catedral Patriarcal de São Jorge, Fanar (Fener), Istambul, Turquia · 27 de novembro de 2004 – hoje

Em 27 de novembro de 2004, o Papa São João Paulo II devolveu parte considerável das relíquias de São João Crisóstomo (com as de São Gregório Nazianzeno) ao Patriarca Ecumênico Bartolomeu I. As relíquias foram levadas a Constantinopla e hoje são veneradas na Catedral Patriarcal de São Jorge, no Fanar. O Vaticano reteve uma pequena porção.

peregrinacao

Crânio venerado no Mosteiro de Vatopedi, Monte Atos

Mosteiro de Vatopedi, Monte Atos, Grécia · tradicional – hoje

Segundo a tradição ortodoxa, o crânio de São João Crisóstomo é guardado no Mosteiro de Vatopedi, no Monte Atos, num relicário de prata, e é creditado com curas. A tradição diz que a orelha permaneceu incorrupta, em alusão à lenda do Apóstolo Paulo que lhe falava ao ouvido. Esta relíquia teria escapado ao saque dos cruzados de 1204.

Onde está João Crisóstomo hoje

Mini-mapa visual: itinerário das relíquias e principais santuários (ilustrativo, não cartograficamente preciso).

Comana Pontica (Comana do Ponto), perto de Tokat, Turquia
407 – 438
Igreja dos Santos Apóstolos, Constantinopla (atual Mesquita de Fatih, Istambul)
27 de janeiro de 438
Basílica de São Pedro (Capela do Coro dos Cônegos), Vaticano, Roma
1204 – 2004
Catedral Patriarcal de São Jorge, Fanar (Fener), Istambul, Turquia
27 de novembro de 2004 – hoje
Local atual (Arca) Sepultamento original Pontos secundários
Curiosidades

Curiosidades sobre João Crisóstomo

Fatos pouco conhecidos — pequenas janelas para a humanidade do santo.

🗣️

"Crisóstomo" significa "Boca de Ouro" (do grego Chrysóstomos), epíteto póstumo dado por causa da sua eloquência. O sobrenome aparece pela primeira vez na "Constituição" do Papa Vigílio, no ano 553.

📚

Estudou retórica em Antioquia sob Libânio, o maior orador pagão do seu tempo. A tradição, relatada pelo historiador Sozomeno, conta que Libânio, no leito de morte, ao ser perguntado quem deveria sucedê-lo, teria respondido: "João, se os cristãos não o tivessem roubado de nós."

🕳️

Viveu como anacoreta numa caverna perto de Antioquia por dois anos. As vigílias e os jejuns excessivos no frio arruinaram a sua saúde, deixando-lhe um problema de estômago que o acompanhou pelo resto da vida.

🙏

As suas últimas palavras, ditas ao morrer no exílio em Comana do Ponto (14 de setembro de 407), foram: "Glória a Deus por todas as coisas", conforme registrado por Paládio.

A Divina Liturgia de São João Crisóstomo é a celebração eucarística mais usada no rito bizantino — a liturgia normal dos cristãos ortodoxos e católicos bizantinos, reservando-se a de São Basílio Magno a poucas ocasiões do ano.

🎙️

Em 8 de julho de 1908, o Papa São Pio X proclamou-o patrono dos pregadores e oradores sacros.

🦴

As suas relíquias, levadas de Constantinopla por cruzados em 1204, foram devolvidas pelo Papa João Paulo II ao Patriarca Ecumênico Bartolomeu I em 27 de novembro de 2004, junto com as de São Gregório Nazianzeno.

📅

Tem datas de festa diferentes: 13 de setembro no rito romano (transferida do dia 14 para não coincidir com a Exaltação da Santa Cruz); no Oriente, 13 de novembro (celebração principal) e 27 de janeiro (translação das relíquias).

Para estudar mais

Fontes e referências

Links externos abrem em nova aba.

Veja também

Outros santos próximos

!

Encontrou algo incorreto?

Por mais que tentemos manter o conteúdo verificado e fiel às fontes, erros podem acontecer. Nos avise para que possamos verificar e corrigir.

Comece a rezar com os santos.

Os santos são parte viva da Igreja.