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Medalius · Santos · Pedro de Alexandria
P. Pedro de Alexandria

Iluminadores bizantinos do Menológio de Basílio II, Constantinopla, c. 985 · fonte · PD

Dia de festa
26 de novembro
Status canônico
Santo
Santo

Pedro de Alexandria

Selo e Cúmulo dos Mártires · Séc. III–IV
Lugar: Alexandria
Estado de vida: bispo, martir

São Pedro de Alexandria (m. 311), também chamado Pedro I de Alexandria, foi bispo e patriarca de Alexandria de cerca de 300 a 311, sucessor de Teonas, tendo antes, segundo Filipe de Side, dirigido a célebre Escola Catequética da cidade. Pastoreou a Igreja egípcia em meio à Grande Perseguição de Diocleciano e seus sucessores, destacando-se pela misericórdia ordenada com os lapsi — fixada em sua Epístola Canônica, com penitência graduada mais branda que a de seus rivais. Combateu o cisma de Melécio de Licópolis, que durante a perseguição usurpara funções episcopais e ordenara bispos ilicitamente, convocando um sínodo (c. 306) que o depôs e excomungou; também excomungou Ário, futuro heresiarca, que aderira ao partido meleciano. Reagiu ainda ao origenismo extremado, negando a preexistência da alma. Decapitado por ordem de Maximino Daia em novembro de 311, foi o último grande mártir-bispo da perseguição em Alexandria e por isso ficou conhecido como o “Selo dos Mártires”. É venerado por católicos, coptas e ortodoxos.

A vida

Formação e ascensão: a Escola Catequética de Alexandria

São Pedro de Alexandria, também conhecido como Pedro I, nasceu em Alexandria em data incerta, na segunda metade do século III. Segundo o testemunho de Filipe de Side, antes do episcopado dirigiu a famosa Escola Catequética de Alexandria, um dos principais centros de instrução cristã da Igreja antiga, na qual se formou e se distinguiu na pregação e no ensino. Por volta do ano 300, com a morte do bispo Teonas, foi aclamado por todo o clero e pela comunidade cristã bispo e patriarca de Alexandria, sucedendo-o à frente da Igreja egípcia.


Episcopado em Alexandria

O episcopado de Pedro coincidiu com a Grande Perseguição desencadeada por Diocleciano e prosseguida por Galério e Maximino Daia: ele, como dizem as fontes, passou perseguido quase toda a sua vida. Pastor zeloso, governou a sé alexandrina ordenando bispos e organizando a disciplina da Igreja em tempo de provação. Durante o auge da perseguição, retirou-se por algum tempo para um lugar escondido, a fim de preservar o rebanho e a própria vida — ausência que abriria espaço para a crise meleciana.


Lutas: o cisma meleciano, a questão dos lapsi e a excomunhão de Ário

Aproveitando-se do afastamento de Pedro, Melécio, bispo de Licópolis, usurpou funções patriarcais e, contra os cânones, consagrou bispos para sés que não estavam vagas, dilacerando a Igreja católica nas cidades e aldeias do Egito. Por volta do ano 306, Pedro reuniu um sínodo que depôs e excomungou Melécio; ainda assim, o cisma meleciano perduraria por séculos. Diante dos que haviam renegado a fé sob tortura, os lapsi, Pedro adotou uma penitência graduada e mais branda que a linha rigorista de Melécio, doutrina que fixou em sua Epístola Canônica (um conjunto de cânones penitenciais que se tornou marco da disciplina da Igreja primitiva). Foi também ele quem, tendo Ário aderido ao partido de Melécio, cortou o futuro heresiarca da comunhão da Igreja, anatematizando-o e excomungando-o. A tradição hagiográfica acrescenta que, em visão, Cristo lhe apareceu com a túnica rasgada — rasgada por Ário —, e que por isso o santo proibiu readmiti-lo; tal episódio, narrado na Paixão grega (os Atos de Pedro), é tradição devocional, não fato documentado. No plano doutrinal, Pedro reagiu ainda ao origenismo extremado, negando a preexistência da alma.


Martírio e legado

Em 311, durante uma visita imperial a Alexandria, Maximino Daia mandou prender o bispo de forma súbita e, sem prisão prolongada nem julgamento, ordenou que fosse decapitado. Eusébio de Cesareia, testemunha próxima dos fatos, registra que Pedro, que presidia de modo eminente as comunidades de Alexandria, divino exemplo de bispo pela excelência da vida e pelo estudo das Sagradas Escrituras, foi preso sem causa e, de improviso, decapitado como que por ordem de Maximino. A tradição refere que com ele foram também decapitados três presbíteros — Fausto, Dio (Díon) e Amônio. Por ter sido o último grande mártir-bispo da perseguição em Alexandria, Pedro ficou conhecido como o Selo dos Mártires. É venerado como santo por católicos, coptas e ortodoxos. A sua morte é situada em 25 de novembro de 311; o calendário romano celebra a sua memória em 26 de novembro, a tradição bizantina em 25 de novembro e o Sinaxário copta em 29 de Hathor.

Contexto

O contexto em que viveu

O Egito romano e a sé de Alexandria por volta de 300

Por volta do ano 300, Alexandria era a segunda maior cidade do Império Romano e o coração intelectual e eclesiástico do Egito. Sua sé episcopal, fundada segundo a tradição por São Marcos, gozava de proeminência sobre todo o Egito, a Líbia e a Pentápole. A cidade abrigava a célebre Escola Catequética de Alexandria, um dos dois grandes centros de exegese bíblica e teologia da Antiguidade tardia, ao lado da Escola de Antioquia, e herdeira da obra de mestres como Panteno, Clemente de Alexandria e Orígenes. Foi nesse ambiente que Pedro, antes de ser eleito bispo, dirigiu a Escola Catequética.


A Grande Perseguição de Diocleciano

Em fevereiro de 303, no décimo nono ano de seu reinado, o imperador Diocleciano publicou éditos que ordenavam a demolição das igrejas, a queima das Escrituras Sagradas e a privação de honras e liberdade dos cristãos; éditos posteriores mandaram prender o clero e forçá-lo a sacrificar aos deuses. Foi a mais violenta e sistemática perseguição que a Igreja antiga conheceu. No Oriente e no Egito, ela se prolongou por anos sob Galério e, sobretudo, sob Maximino Daia. Eusébio de Cesareia, testemunha ocular, descreve no Egito e na Tebaida milhares de homens, mulheres e crianças suportando os mais cruéis suplícios pela fé.


Em 1.º de maio de 305, Diocleciano abdicou; Galério tornou-se Augusto do Oriente e seu sobrinho Maximino Daia foi nomeado César, recebendo o governo da Síria e do Egito. Maximino reativou a perseguição com particular ferocidade, fabricando atas anticristãs, erguendo estátuas pagãs e organizando petições de cidades pedindo a expulsão dos cristãos. Em 30 de abril de 311, já moribundo, Galério promulgou o Édito de Tolerância, concedendo aos cristãos o direito de existir e reconstruir suas igrejas; ainda assim, Maximino retomou as violências no Oriente, e foi sob suas ordens que Pedro de Alexandria foi decapitado naquele mesmo ano.


A tradição intelectual alexandrina e a reação ao origenismo

A herança de Orígenes dominava o pensamento alexandrino, mas suscitava também desconfiança quanto a alguns de seus pontos mais especulativos. Pedro de Alexandria é tido como aquele que muito provavelmente iniciou em Alexandria a reação contra o origenismo extremo, marcando uma inflexão teológica na cidade. Esse debate sobre a herança de Orígenes preparava o terreno para as grandes controvérsias cristológicas que viriam.


O cisma meleciano e o nascente arianismo

Durante a perseguição, enquanto Pedro se ocultava por segurança, irrompeu o cisma meleciano: Melécio, bispo de Licópolis, aproveitou a ausência do bispo de Alexandria para usurpar funções patriarcais e ordenar clérigos fora de sua diocese, defendendo uma linha mais rígida quanto à readmissão dos lapsi (os que haviam apostatado sob tortura). Um sínodo reunido por volta de 306 em Alexandria depôs e excomungou Melécio. Foi também nesse caldo que despontou Ário, ligado de início aos melecianos contra Pedro; segundo a tradição, o próprio Pedro anatematizou e excomungou Ário, antevendo o perigo. O arianismo — que negava a plena divindade do Filho — estouraria logo após a morte de Pedro e só seria condenado no Concílio de Niceia, em 325, já em tempos de paz da Igreja sob Constantino.

Iconografia

Como reconhecer Pedro de Alexandria na arte sacra

Os atributos visuais consolidaram-se na Idade Média e distinguem o santo nas obras sacras.

✝️
Vestes episcopais orientais (omofório)
Pedro é sempre representado como bispo/patriarca oriental, com o omofório (faixa larga sobre os ombros) ornado de cruzes e o félon episcopal, sinal de sua dignidade de Patriarca de Alexandria (c. 300–311). Nos ícones e afrescos bizantinos é por essas vestes que se identifica a figura do bispo.
📖
Evangeliário / Códice
Como bispo e mestre da fé (foi ligado à escola catequética de Alexandria e reagiu contra o origenismo extremo), é frequentemente figurado segurando o livro dos Evangelhos, atributo dos hierarcas e doutores na tradição bizantina.
😇
Nimbo de santo
A auréola dourada que circunda sua cabeça marca sua santidade, conforme a convenção da arte sacra para os santos.
🧔
Barba de bispo de meia-idade
É tradicionalmente representado como homem maduro e barbado, com cabelos e barba grisalhos, conforme o tipo fisionômico fixado nos ícones e afrescos.
🌿
Palma do martírio
Por ter sido decapitado em 311 — lembrado pela tradição como o ‘Selo dos Mártires’, o último mártir da perseguição em Alexandria —, recebe a palma, símbolo do martírio na iconografia cristã.
👦
Visão de Ário: o Menino Jesus de túnica rasgada sobre o altar
Seu atributo iconográfico mais característico: a cena bizantina em que Pedro, ajoelhado e de braços estendidos em oração diante do altar, contempla o Menino Jesus em pé sobre a mesa do altar, vestido com uma túnica rasgada de alto a baixo. Segundo a tradição (atos tardios), Cristo lhe apareceu assim na véspera do martírio; ao perguntar quem rasgara sua veste, ouviu que fora Ário. A túnica rasgada simboliza o cisma ariano.
Cronologia

Linha do tempo

Eventos do santo à esquerda, eventos do mundo à direita — para situar a vida na história.

Vida do santo Mundo no mesmo período
300
Pedro é eleito bispo de Alexandria
Após a morte de seu mestre Teonas, Pedro é escolhido para liderar a sé de Alexandria, a principal comunidade cristã do Egito. Antes do episcopado, havia dirigido a célebre Escola Catequética de Alexandria.
303
Édito de Diocleciano inicia a Grande Perseguição
Em fevereiro de 303, no 19.º ano de seu reinado, Diocleciano publica éditos ordenando demolir igrejas, queimar as Escrituras e privar os cristãos de honras e liberdade. É a mais sistemática perseguição da Igreja antiga, especialmente cruel no Egito e no Oriente.
305
Abdicação de Diocleciano; Maximino Daia governa o Egito
Em 1.º de maio de 305 Diocleciano abdica. Galério torna-se Augusto do Oriente e seu sobrinho Maximino Daia é nomeado César, recebendo o governo da Síria e do Egito, onde reativaria a perseguição com particular ferocidade.
306
Epístola Canônica e o sínodo que depôs Melécio
Por volta de 306, no terceiro ano da perseguição, Pedro emite os cânones penitenciais (Epístola Canônica) regulando o reacolhimento dos lapsi. No mesmo período, um sínodo em Alexandria depõe e excomunga Melécio, bispo de Licópolis, que durante a ausência de Pedro usurpara funções patriarcais e ordenara clérigos fora de sua diocese — origem do cisma meleciano.
311
Édito de Tolerância de Galério
Em 30 de abril de 311, já moribundo, Galério promulga o Édito de Tolerância, concedendo aos cristãos o direito de existir e reconstruir suas igrejas. No Oriente, porém, Maximino Daia logo retoma as violências.
311
Excomunhão de Ário por Pedro
De volta a Alexandria, Pedro anatematiza e excomunga Ário, que se ligara aos melecianos e ensinava ideias que negavam a plena divindade do Filho — antevendo o perigo do que se tornaria o arianismo.
311
Martírio de Pedro, o ‘Selo dos Mártires’
Em novembro de 311 (comemorado em 26 de novembro no calendário romano e em 25 de novembro na tradição bizantina), Pedro é preso de improviso e, por ordem de Maximino Daia, decapitado no lugar onde São Marcos fora martirizado, junto com os presbíteros Fausto, Dio e Amônio. Por ser o último bispo morto pela autoridade imperial romana, é chamado ‘Selo dos Mártires’.
313
Édito de Milão
Constantino e Licínio acordam em Milão (fevereiro de 313) tratar os cristãos com benevolência, garantindo liberdade de culto e a restituição dos bens confiscados — selando a paz da Igreja, pouco depois do martírio de Pedro.
325
Concílio de Niceia condena o arianismo
Convocado por Constantino, o Concílio de Niceia condena o arianismo e proclama que o Filho é ‘verdadeiro Deus’ e ‘consubstancial ao Pai’. É o desfecho da heresia que Pedro de Alexandria havia antevisto ao excomungar Ário catorze anos antes.
Milagres

Milagres atribuídos à sua intercessão

Sinais e prodígios atribuídos à intercessão do santo, registrados pela tradição e pelos processos da Igreja.

Visão de Cristo com a túnica rasgada (sobre Ário)

Tradição hagiográfica (não fato documentado): conta-se que, na véspera de sua morte, Cristo apareceu a Pedro vestindo uma túnica rasgada; ao perguntar quem a havia rasgado, o Senhor respondeu que fora Ário, ‘porque me separou de meu Pai’. A visão é lida como confirmação celeste da firmeza de Pedro em manter Ário excomungado. Relato presente no Sinaxário copta.

A água do batismo que se solidificava como pedra

Tradição hagiográfica copta (não fato documentado): uma mulher, em meio a uma tempestade no mar, batizou ela mesma os filhos e depois os levou ao Patriarca para o batismo formal; sempre que Pedro tentava batizá-los, a água se solidificava como pedra, o que aconteceu três vezes — entendido como sinal de que o batismo já fora validamente realizado.

311

A voz celeste no martírio: ‘o último dos mártires’

Tradição hagiográfica (não fato documentado): no momento do martírio, uma voz do céu teria proclamado que ‘Pedro foi o primeiro dos apóstolos, Pedro é o último dos bispos mártires de Alexandria’, origem do epíteto ‘Selo dos Mártires’. Relatado nos Atos do martírio.

Suas contribuições à teologia

A misericórdia com os lapsi: a penitência graduada

O coração do pensamento de Pedro de Alexandria está na sua resposta pastoral aos lapsi — os cristãos que apostataram durante a Grande Perseguição de Diocleciano. Em sua Epístola Canônica (carta pascal de c. 306), Pedro estabelece quinze cânones que aplicam uma penitência graduada segundo a culpa, não um rigor uniforme. A quem cedeu somente depois de prisão e tortura ele impõe a penitência mais branda; a quem apostatou apenas por medo, sem ter sofrido, a mais longa; e distingue ainda os que usaram de subterfúgios, os que mandaram escravos sacrificar em seu lugar e os que se entregaram temerariamente ao martírio.

Contra o rigorismo de Melécio de Licópolis — que excluía os caídos da comunhão — Pedro afirma o caminho da reconciliação e da esperança, servindo-se da parábola da figueira estéril (Lc 13) para mostrar que Deus aguarda o fruto da conversão. É uma teologia da penitência como medicina, não como condenação: a Igreja é hospital dos fracos, e a queda sob tortura não é o mesmo pecado que a apostasia covarde.


A alma não preexiste: a reação anti-origenista

Pedro foi quem iniciou em Alexandria a reação contra o origenismo extremo. No seu tratado Sobre a Alma rejeitou a doutrina de Orígenes da preexistência das almas — a ideia de que a alma teria existido e pecado antes de unir-se ao corpo — denunciando-a como herança da filosofia grega, estranha à Escritura. Para Pedro, o homem não foi formado pela junção do corpo com um tipo preexistente: alma e corpo são criados juntos por uma única operação de Deus. Assim ele defende a criação direta da alma e a unidade da pessoa humana.


Cristo, Deus por natureza e homem por natureza; a ressurreição do corpo

Nos fragmentos teológicos, Pedro confessa a integridade das duas naturezas em Cristo. No tratado Sobre a Divindade, redigido contra o subordinacionismo de matriz origenista, defende que o Verbo não abandonou a sua divindade ao fazer-se homem; e na obra sobre O Advento (a Vinda) do Salvador afirma que Ele é “Deus por natureza e homem por natureza”. Coerente com isso, no tratado Sobre a Ressurreição sustenta — de novo contra Orígenes — a identidade do corpo ressuscitado com o corpo terreno, recusando uma ressurreição meramente espiritual.


O último mestre da tradição alexandrina antes de Ário

Bispo de Alexandria de c. 300 a 311 e antes disso chefe da célebre Escola Catequética, Pedro é o último grande doutor da tradição alexandrina ortodoxa antes da crise ariana. Eusébio o chama “bispo divino, pela santidade de vida e pelo conhecimento das Sagradas Escrituras”. Sua obra marca a viragem da escola: conserva o melhor da herança de Clemente e Orígenes na exegese e no zelo doutrinal, mas corrige sobriamente as especulações origenistas sobre a alma e a ressurreição, preparando o terreno para a ortodoxia que Atanásio defenderia. Coroou o magistério com o sangue: foi decapitado em 311, mártir sob Maximino Daia.

Espiritualidade

Espiritualidade e carisma

Escola espiritual

Espiritualidade da Escola de Alexandria: martírio e misericórdia

A espiritualidade de Pedro de Alexandria une duas notas da tradição alexandrina madura. A primeira é o martírio como selo supremo da fé: ele próprio coroou a vida com o sangue, decapitado em 311, e em seus cânones venera os que confessaram a Cristo sob tortura. A segunda é a misericórdia pastoral com os caídos: contra o rigorismo, abre aos lapsi um caminho gradual de penitência e reconciliação, tratando a Igreja como hospital dos fracos e a penitência como medicina da alma, não como castigo. A isso soma uma sobriedade anti-especulativa: herdeiro da Escola Catequética de Alexandria, conserva o zelo pelas Escrituras e pela ortodoxia, mas poda as especulações origenistas sobre a preexistência da alma e a ressurreição, ancorando a fé na criação direta da alma por Deus e na ressurreição do próprio corpo.

Como se vive hoje

O testemunho de Pedro fala a uma Igreja que ainda hoje precisa equilibrar a fidelidade à verdade com a misericórdia para com quem fraquejou. Sua penitência graduada inspira um acompanhamento pastoral que distingue situações, acolhe o arrependido e não confunde firmeza doutrinal com dureza de coração. Para o cristão contemporâneo, ele recorda que a fé pode custar a vida (atualíssimo onde há perseguição), que a misericórdia tem método e gradação, e que a sã teologia sabe dizer não a especulações que dissolvem a fé na criação e na ressurreição da carne.

Família espiritual

Ordens, congregações e movimentos

Famílias religiosas que se reconhecem herdeiras do santo.

São Teonas de Alexandria

Antecessor de Pedro na sé de Alexandria e seu mestre: formou-o desde jovem na escola teológica e, antes de morrer (c. 300), recomendou-o como sucessor no trono de São Marcos.

Aquilas de Alexandria

Sucessor imediato de Pedro na sé de Alexandria (311–313). Contrariou a ordem de Pedro de jamais readmitir Ário à comunhão: reconciliou-o e o ordenou sacerdote, confiando-lhe a igreja de Baucális.

Santo Alexandre de Alexandria

Sucessor de Pedro (após Aquilas), patriarca a partir de 313. Herdou a luta de Pedro contra Ário, condenando-o em sínodo em Alexandria, e teve papel de liderança no Concílio de Niceia (325). Foi mestre e antecessor de Santo Atanásio, que indicou como sucessor.

Santo Atanásio de Alexandria

Herdeiro espiritual da linha de Pedro: diácono e sucessor de Santo Alexandre na sé de Alexandria, levou adiante a defesa da divindade de Cristo contra o arianismo iniciada por Pedro (que excomungara Ário) e consolidada em Niceia.

Presbíteros mártires Fausto, Dio (Díon) e Amônio

Três presbíteros da Igreja de Alexandria decapitados junto com Pedro em 311, companheiros no martírio.

Escola Catequética de Alexandria

Célebre escola catequética da qual Pedro, segundo Filipe de Side, foi um dos diretores antes do episcopado. Em Alexandria, marcou (e provavelmente iniciou) a reação contra o origenismo extremo.

Melécio de Licópolis

Adversário de Pedro: bispo de Licópolis, opôs-se à disciplina penitencial mais branda de Pedro para com os lapsi e usurpou funções durante a perseguição. Pedro convocou um concílio que o depôs e o excomungou, dando origem ao cisma meleciano. Atanásio relataria que Melécio teria entregado Pedro às autoridades.

Ário

Futuro heresiarca, ligado à facção meleciana. Pedro o excomungou e nunca consentiu em revogar a sentença. A tradição associa a Ário a visão de Cristo de túnica rasgada concedida a Pedro.

São Dionísio de Alexandria

Predecessor de Pedro na tradição da disciplina penitencial alexandrina: seus cânones, como os de Pedro, integram o direito canônico oriental e receberam os mesmos comentários bizantinos (Balsamão e Zonaras).

Obras escritas

Suas obras principais

Obras de maior densidade e influência, com links diretos para o Codex quando disponíveis.

Epístola Canônica (Carta Pascal sobre os lapsi)

Epistola canonica · c. 306 (4.º ano da perseguição) — 15 cânones penitenciais

Sua obra mais íntegra e influente: quinze cânones, extraídos de uma carta pascal/festal, que regulam a penitência dos lapsi — os que apostataram na perseguição de Diocleciano. Estabelece penitência graduada conforme a culpa (mais branda para quem cedeu sob tortura, mais longa para quem apostatou por medo), contra o rigorismo de Melécio. Entrou na coleção de cânones do Oriente, com os comentários de Balsamão e Zonaras.

Sobre a Alma (contra a preexistência das almas)

De anima · data incerta (início séc. IV, antes de 311)

Tratado anti-origenista, conservado em fragmentos. Rejeita a doutrina de Orígenes da preexistência da alma — a ideia de que a alma existira e pecara antes de unir-se ao corpo — como herança da filosofia grega estranha à Escritura, defendendo que alma e corpo são criados juntos por Deus (criação direta da alma). Conhecido como o fragmento ‘Da Alma e do Corpo’.

Sobre a Divindade

De deitate (Περὶ θεότητος) · data incerta (início séc. IV)

Tratado conservado em fragmentos, aparentemente escrito contra o subordinacionismo de matriz origenista. Três passagens foram citadas por São Cirilo de Alexandria no Concílio de Éfeso (431) para defender que o Verbo não abandonou a sua divindade ao fazer-se homem.

Sobre a Vinda (o Advento) do Salvador

De adventu Salvatoris nostri · data incerta (início séc. IV)

Obra conservada em fragmento. Afirma a integridade das duas naturezas de Cristo — ‘Deus por natureza e homem por natureza’. Uma passagem que confessa as duas naturezas foi citada por Leôncio de Bizâncio.

Sobre a Ressurreição

De resurrectione · data incerta (início séc. IV)

Tratado conservado em sete fragmentos siríacos. Contra Orígenes, sustenta a identidade do corpo ressuscitado com o corpo terreno, recusando uma ressurreição meramente espiritual.

Sobre a Páscoa (cômputo pascal)

De Paschate · data incerta (início séc. IV)

Fragmento sobre o cômputo pascal: argumenta que, até a destruição de Jerusalém sob Vespasiano, os judeus celebravam corretamente a Páscoa no 14.º dia do primeiro mês lunar, tratando da relação entre o equinócio vernal, o calendário lunar e a observância da Páscoa cristã.

Liturgia

Como a Igreja celebra Pedro de Alexandria

Categoria litúrgica
Memória facultativa
Cor litúrgica
Vermelho
Dia
26 de Novembro
Coleta própriaComum dos Mártires (Bispo Mártir)
Novena

Novena a Pedro de Alexandria

Bispo de Alexandria, Padre da Igreja e o último dos mártires de sua cidade sob a perseguição romana, São Pedro de Alexandria uniu a firmeza na fé à misericórdia para com os caídos. Esta novena, sóbria e bíblica, prepara o coração nos nove dias que antecedem sua festa (26 de novembro no calendário romano; 25 de novembro na tradição bizantina; 29 de Hathor entre os coptas), pedindo a sua intercessão por meio da meditação da Palavra de Deus e do exemplo de seu martírio.

Ir pra Biblioteca Católica
I.

O bom pastor que dá a vida pelo rebanho

João 10,11 — "Eu sou o bom pastor. O bom pastor expõe a sua vida pelas ovelhas."

II.

Bispo constituído para guardar a Igreja de Deus

Atos 20,28 — "Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para p..."

III.

Confessar a Cristo diante dos homens

Mateus 10,32 — "Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de me..."

IV.

Misericórdia para com os que caíram e se arrependem

Lucas 15,7 — "Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por nove..."

V.

Firmeza na fé contra o erro

Mateus 10,22 — "Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo."

VI.

Fiel até a morte

Apocalipse 2,10 — "Nada temas ante o que hás de sofrer. Por estes dias o demônio vai lançar alguns de vós na prisão, pa..."

VII.

A coroa do que suporta a provação

Tiago 1,12 — "Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida..."

VIII.

Combater o bom combate e guardar a fé

2 Timóteo 4,7 — "Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé."

IX.

Maior amor: dar a vida

João 15,13 — "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos."

Devoções populares

Como o povo reza a Pedro de Alexandria

Tríduos, novenas, ladainhas, medalhas e tradições locais que mantêm viva a presença do santo na piedade popular.

Práticas devocionais

Tríduos, novenas e ladainhas

  • Comemoração litúrgica em 26 de novembro — No Martirológio Romano e no calendário latino tradicional, São Pedro de Alexandria, bispo e mártir, é comemorado em 26 de novembro, recordado como ‘Selo dos Mártires’ por ter sido o último mártir de Alexandria sob as perseguições.

Tradições populares por região

Como o santo é vivido na piedade popular no mundo lusófono e além.

Egito (Igreja Copta Ortodoxa)

A Igreja Copta Ortodoxa venera São Pedro de Alexandria, seu 17.º Papa, no dia 29 do mês de Hathor, recordando seu martírio. O Sinaxário copta o celebra como o ‘Selo dos Mártires’, o último a derramar o sangue em Alexandria na grande perseguição.

Igrejas Ortodoxas (tradição bizantina)

Na tradição bizantina, São Pedro de Alexandria é comemorado como hieromártir em 25 de novembro, no mesmo dia de São Clemente de Roma, com tropário e condácio próprios da celebração conjunta.

Mensagem

O que Pedro de Alexandria nos diz hoje

"Convém propor a parábola da figueira que não deu fruto, como diz o Senhor: «Certo homem tinha uma figueira plantada em sua vinha; veio buscar fruto nela, e não o achou. Disse então ao que cultivava a vinha: Eis que há três anos venho buscar fruto nesta figueira, e não o encontro: corta-a; por que ocupa ainda a terra? E ele, respondendo, disse-lhe: Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu cave em volta dela e a estrume. E se der fruto, bem; se não, então a cortarás.» Tendo isto diante dos olhos, e mostrando frutos dignos de arrependimento, depois de tão longo intervalo de tempo, serão aproveitados."

— Epístola Canônica, Cânon III

"Aos que foram entregues e caíram, mas que por sua própria vontade se apresentaram de novo ao combate, confessando-se cristãos, e foram torturados e lançados na prisão, é justo, com alegria e exultação de coração, dar-lhes força e comungar com eles em todas as coisas, tanto na oração como na participação do corpo e do sangue de Cristo. Pois «sete vezes», diz ele, «cai o justo, e torna a levantar-se»; e isto, se todos os que caíram tivessem feito, teriam mostrado uma penitência perfeitíssima, que penetra todo o coração."

— Epístola Canônica, Cânon VIII

"Contra os que deram dinheiro para ficarem inteiramente livres de todo mal, não se pode levantar acusação. Pois sofreram a perda e o sacrifício de seus bens para não ferir nem destruir a sua alma — o que outros, por amor de torpe lucro, não fizeram; e contudo o Senhor diz: «Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua própria alma?», e ainda: «Não podeis servir a Deus e a Mamon.»"

— Epístola Canônica, Cânon XII

"Ninguém nos censure por observarmos a quarta-feira e a sexta-feira, dias em que com razão se nos prescreve jejuar segundo a tradição: na quarta-feira, porque nela os judeus tomaram conselho para a traição do Senhor; e na sexta, porque nela Ele mesmo padeceu por nós. Mas o dia do Senhor celebramo-lo como dia de alegria, porque nele Ele ressuscitou — dia em que recebemos por costume não dobrar sequer os joelhos."

— Epístola Canônica, Cânon XV

"Daí é manifesto que o homem não foi formado pela junção do corpo com um certo tipo preexistente. Pois se a terra, à ordem do Criador, fez sair os demais animais dotados de vida, muito mais o pó que Deus tomou da terra recebeu uma energia vital da vontade e operação de Deus."

— Fragmento “Da Alma e do Corpo”

"Desgraçado de mim! Não me lembrei de que Deus observa a mente e ouve a voz da alma. Voltei-me conscientemente para o pecado, dizendo a mim mesmo: Deus é misericordioso e me suportará; e, como não fui imediatamente ferido, não cessei, mas antes desprezei a sua paciência e esgotei a longanimidade de Deus."

— Fragmento (Ante-Nicene Fathers, vol. 6, Fragmento VII)
Frases célebres

Frases para guardar e compartilhar

Frases curtas para ler em silêncio, copiar, compartilhar e levar consigo.

Todas 2 Cristologia, Encarnação 1 Tradição, Defesa da fé, Ário 1

"Todos os sinais que Ele mostrou, e os milagres que fez, dão testemunho de que Ele é Deus encarnado: ambas as coisas, portanto, ficam ao mesmo tempo provadas — que Ele era Deus por natureza, e se fez homem por natureza."

Fragmento “Sobre o Advento do Salvador” (atribuído nominalmente a Pedro, Mártir e Arcebispo de Alexandria)

"Ousais suplicar-me em favor de Ário? Ário, tanto aqui como no mundo futuro, permanecerá sempre banido e separado da glória do Filho de Deus, Jesus Cristo nosso Senhor."

Atos de Pedro (Genuine Acts of Peter, ANF vol. 6) — tradição hagiográfica
Influência

A rede de influências espirituais

Ninguém é santo sozinho. Recebeu uma herança — e a transformou em legado.

Quem o influenciou

Mestres e encontros decisivos

São Pedro formou-se na tradição da célebre Escola Catequética de Alexandria, da qual, segundo Filipe de Side, teria sido um dos chefes, herdando o seu rigor exegético e teológico. Sucedeu na sé de Alexandria a Teonas (c. 300), inserindo-se na linha de seus predecessores — entre eles Dionísio de Alexandria, cujos próprios cânones penitenciais o Concílio in Trullo também recebeu —, dos quais herdou tanto a autoridade patriarcal quanto a tradição alexandrina de disciplina dos lapsi, num séc. III já marcado pelos grandes debates penitenciais (Cipriano, Dionísio). Recebeu de modo crítico a herança de Orígenes, o maior nome da Escola: admirava-lhe a exegese, mas rejeitava pontos como a preexistência das almas, tornando-se assim, ao mesmo tempo, herdeiro e crítico do legado origenista alexandrino.

Quem ele influenciou

Discípulos e herdeiros através dos séculos

Os cânones penitenciais no direito canônico orientalA maior herança de São Pedro de Alexandria é a sua Epístola Canônica, conjunto de cânones penitenciais sobre o tratamento dos lapsi (os que apostataram na perseguição de Diocleciano), extraídos de uma carta festal pascal de c. 306. Esses cânones foram formalmente recebidos pelo direito canônico oriental: o Concílio Quinissexto (in Trullo, 692) ratificou-os no seu Cânon II, que confirma “os cânones de Pedro, Arcebispo de Alexandria e Mártir”, colocando-os ao lado dos demais Padres e concílios cuja autoridade a Igreja do Oriente sela.Por terem entrado no corpus canônico bizantino, os cânones de Pedro foram objeto de comentário dos dois grandes canonistas do séc. XII, Teodoro Balsamão e João Zonaras, cujas glosas acompanham a Epístola Canônica nas edições tradicionais — sinal de que o texto permaneceu vivo e normativo na disciplina penitencial oriental por séculos.Modelo de disciplina misericordiosa e crítica a OrígenesOs cânones tornaram-se um modelo de disciplina graduada e misericordiosa: distinguem quem caiu sob tortura de quem cedeu sem suplício, quem se entregou de pronto de quem perseverou, dosando a penitência conforme a culpa real e abrindo caminho para a reconciliação dos arrependidos. Essa moderação contrasta com o rigorismo cismático e influenciou a tradição posterior sobre os lapsi.No plano teológico, Pedro marcou — e muito provavelmente iniciou — a reação de Alexandria contra o origenismo extremo. Na obra Sobre a Alma rejeitou a preexistência das almas ensinada por Orígenes, por considerá-la derivada da filosofia grega e estranha ao cristianismo; essa antropologia anti-origenista alimentou a crítica posterior a Orígenes.Por ter sido o último mártir da grande perseguição em Alexandria, é celebrado como o “Selo dos Mártires” na tradição alexandrina e venerado até hoje por católicos, coptas e ortodoxos.

Debates

Debates e controvérsias

As polêmicas começam ainda em vida — e nunca cessaram. Separamos as históricas (resolvidas pelo Magistério) das contemporâneas (em aberto).

Controvérsias históricas

Os grandes embates de seu tempo

O Cisma Meleciano

Durante a perseguição de Diocleciano, com Pedro escondido para escapar à prisão, Melécio, bispo de Licópolis, invadiu a jurisdição alexandrina: contra os cânones, ordenou e consagrou bispos para sés cujos titulares estavam presos pela fé, usurpando funções patriarcais. Num concílio reunido em Alexandria por volta de 306, Pedro depôs Melécio, e a ruptura — o cisma meleciano — prolongou-se por séculos, só sendo tratada de modo definitivo no Concílio de Niceia (325).


As fontes divergem sobre a raiz do conflito. Segundo Santo Epifânio, a disputa nascera de um desacordo sobre a recepção dos lapsi, com Melécio defendendo posição mais rigorosa; já os documentos melecianos primitivos (cartas de protesto de bispos egípcios e a resposta do próprio Pedro, conservadas em tradução latina) mostram que o cerne foi a autoridade para ordenar fora da própria diocese, e não a política sobre os lapsos.

A tensão entre rigorismo e misericórdia

Por trás do cisma estava a grande questão disciplinar do tempo: como reconciliar os que tinham renegado a fé sob perseguição. Pedro encarnou a via da misericórdia graduada, fixada nos seus cânones penitenciais, contra a rigidez dos que recusavam ou dificultavam a readmissão dos arrependidos.

Controvérsias contemporâneas

Polêmicas ainda em aberto

Autenticidade dos fragmentos

Boa parte da obra de Pedro sobreviveu apenas em fragmentos gregos, coptas, siríacos e latinos reunidos na Patrologia Graeca (vol. 18). Os estudiosos continuam a discutir quais desses fragmentos são genuínos e quais são provavelmente espúrios ou de atribuição duvidosa, de modo que o cânone exato dos seus escritos permanece em aberto.

Pedro e Melécio nas fontes

A relação exata entre Pedro e Melécio é objeto de debate historiográfico: a descoberta dos documentos melecianos (transmitidos em latim a partir de originais gregos perdidos) levou os estudiosos a considerar a versão de Epifânio — que reduzia tudo a uma divergência sobre os lapsi — pouco fiável, por provavelmente derivar dos próprios melecianos; discute-se hoje o quanto cada tradição reflete o conflito real.

Historicidade da Paixão grega

Os “Atos Genuínos” / Paixão grega de Pedro narram a sua excomunhão de Ário e uma visão de Cristo com a túnica rasgada; os próprios editores assinalam traços apócrifos e anacronismos pós-nicenos nesse relato, de modo que se debate quanto da Paixão é histórico e quanto é construção hagiográfica. Ligado a isso, discute-se ainda o lugar exato de Pedro no início do movimento antiorigenista alexandrino.

Relíquias

Relíquias e locais de devoção

Conhecer onde estão suas relíquias é conhecer a história espalhada da Igreja.

sepultamento original

Sepultamento na igreja da Virgem Maria, em Alexandria

Alexandria, Egito (subúrbio ocidental, Bucólia) · 311 d.C.

Segundo os Atos do martírio, depois de decapitado em Bucólia, junto ao local do martírio de São Marcos, os fiéis sepultaram-no na igreja da Santíssima Virgem Maria que o próprio Pedro havia construído no subúrbio ocidental como cemitério dos mártires. A tradição copta acrescenta que envolveram seu corpo na esteira de couro sobre a qual costumava dormir, vestiram-no com as vestes pontificais e o sentaram no trono de São Marcos, no qual se recusara a sentar em vida.

Curiosidades

Curiosidades sobre Pedro de Alexandria

Fatos pouco conhecidos — pequenas janelas para a humanidade do santo.

🛡️

É chamado ‘Selo dos Mártires’ por ser tido como o último bispo mártir da grande perseguição em Alexandria — daí a fórmula ‘Pedro foi o primeiro dos apóstolos, Pedro é o último dos mártires’.

⚔️

Foi decapitado no mesmo lugar (Bucólia) onde São Marcos, evangelista do Egito, sofrera o martírio.

📜

Seus cânones penitenciais (a Epístola Canônica, com 15 cânones sobre os lapsi) foram ratificados pelo Concílio de Trullo e tornaram-se parte do direito canônico da Igreja Oriental, ainda vigentes.

✍️

Os cânones de São Pedro foram comentados pelos grandes canonistas bizantinos do séc. XII, Teodoro Balsamão e João Zonaras, sinal de sua autoridade duradoura no Oriente.

👑

Em vida recusou-se a sentar no trono de São Marcos, dizendo ver sobre ele uma luz celeste; só depois de morto seu corpo foi vestido de pontifical e colocado sobre o trono.

📚

Antes de bispo, dirigiu a famosa Escola Catequética de Alexandria e iniciou a reação alexandrina contra o origenismo extremo.

Para estudar mais

Fontes e referências

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