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Medalius · Santos · Dionísio de Alexandria
D. Dionísio de Alexandria
Dia de festa
17 de novembro
Status canônico
Santo
Santo

Dionísio de Alexandria

o Grande · Séc. II–III
Lugar: Alexandria
Estado de vida: bispo

Dionísio de Alexandria, dito o Grande, foi bispo de Alexandria (c. 248–264/265), Padre da Igreja, discípulo de Orígenes e chefe da Escola Catequética alexandrina antes do episcopado. Confessor da fé, sofreu o exílio nas perseguições de Décio e de Valeriano e morreu em paz, deixando vasta correspondência teológica que o tornou uma das maiores autoridades eclesiásticas do século III.

A vida

Infância, formação e ascensão

Dionísio nasceu por volta do ano 190, em Alexandria, no Egito, segundo se diz de família distinta. Convertido ao cristianismo, formou-se na célebre Escola Catequética de Alexandria, onde foi discípulo do grande mestre Orígenes. Quando Orígenes foi banido por volta de 231, Heraclas assumiu a direção da escola; pouco depois, tornando-se Heraclas bispo de Alexandria, Dionísio recebeu a chefia da famosa escola, herdando assim a tradição catequética que vinha de Orígenes e de Heraclas.


Episcopado e missão principal

Por volta de 247-248, Dionísio sucedeu Heraclas como bispo de Alexandria, governando a Igreja egípcia em uma das épocas mais turbulentas do século III. Pastor incansável, dedicou-se a defender a fé contra os erros que ameaçavam o rebanho e a manter a unidade eclesial. Manteve ampla correspondência com as principais sés cristãs e cultivou o costume das cartas festais, escritos anuais pelos quais anunciava a data da Páscoa e instruía os fiéis. Sua autoridade moral e doutrinal estendeu-se muito além do Egito, fazendo dele uma referência para todo o Oriente cristão.


Perseguições e controvérsias

Na perseguição de Décio (250-251), Dionísio foi procurado por um agente do prefeito Sabino logo após a publicação do decreto. Preso e levado para Taposíris, na Mareótida, foi libertado por cristãos e permaneceu refugiado em um lugar deserto da Líbia até cessar a perseguição em 251. Anos depois, sob Valeriano (257-260), foi julgado pelo prefeito do Egito, Emiliano, e desterrado para Cefro e, em seguida, para Coluíon, na Líbia. Regressou a Alexandria quando Galieno decretou a tolerância, em 260. Durante a peste que devastou a cidade, descreveu como os cristãos cuidavam dos doentes sem temer a morte, ao contrário dos pagãos. Foi também protagonista de grandes debates de seu tempo: na controvérsia do rebatismo, buscou mediar entre Cartago e Roma, escrevendo aos papas Estêvão e Sisto II; condenou com firmeza o cisma de Novaciano; refutou com caridade o milenarismo do bispo Nepos, indo pessoalmente às aldeias do distrito de Arsinoé instruir o clero por três dias; e combateu o sabelianismo. Acusado por alguns irmãos de impropriedade na linguagem sobre a Trindade, foi questionado junto ao papa Dionísio de Roma, e respondeu compondo a obra Refutação e Defesa, professando a fé na unidade de Deus e nas três Pessoas inseparáveis.


Últimos anos e legado

Já idoso e enfermo, Dionísio foi convidado para o sínodo de Antioquia reunido contra Paulo de Samósata, mas, não podendo comparecer por causa da idade e das fraquezas, enviou por carta o seu parecer sobre a questão. Morreu por volta de 264-265, no décimo segundo ano do reinado de Galieno, depois de ter governado a Igreja de Alexandria por cerca de dezessete anos; sucedeu-lhe Máximo. Confessor da fé, jamais sofreu o martírio de sangue, mas deu o testemunho de toda uma vida marcada pelo exílio e pela perseguição. Pela grandeza de sua doutrina e de seu governo, Eusébio de Cesareia, São Basílio e outros antigos chamaram-no o Grande, e a tradição o venera como um dos Padres gregos da Igreja.

Contexto

O contexto em que viveu

O século III foi um dos períodos mais conturbados da história romana, marcado pela chamada crise do terceiro século: instabilidade política, sucessivas guerras civis, invasões nas fronteiras, colapso econômico e epidemias devastadoras. Nesse cenário, os imperadores buscaram restaurar a unidade do Império apelando à religião tradicional, o que recaiu sobre os cristãos.

Em 250, o imperador Décio ordenou que todos os habitantes do Império oferecessem sacrifícios aos deuses e obtivessem um certificado (libellus) que o comprovasse. Foi a primeira perseguição sistemática e geral contra a Igreja, gerando o doloroso problema dos lapsi — os cristãos que, por medo, apostataram ou compraram certificados — e a difícil questão pastoral de como readmiti-los à comunhão. Anos depois, em 257, o imperador Valeriano renovou a perseguição, agora visando especialmente o clero, os bispos e os bens da Igreja, exilando e executando muitos pastores até que Galieno restabelecesse a tolerância em 260.

Alexandria, no Egito, era então um dos maiores centros do mundo cristão e sede da renomada Escola Catequética, herdeira do ensino de mestres como Clemente e Orígenes, onde fé e cultura grega dialogavam intensamente. O cristianismo egípcio, vigoroso e numeroso, sofreu duramente as perseguições e foi ainda flagelado pela peste e pela guerra civil que assolaram a cidade.

Foi também uma época de intensos debates doutrinais e disciplinares: a controvérsia sobre a validade do batismo conferido por hereges, que opôs Cartago a Roma; o cisma rigorista de Novaciano a respeito dos lapsi; as interpretações milenaristas do Apocalipse; e as primeiras grandes disputas trinitárias, como o sabelianismo, que negava a distinção real das Pessoas divinas. Nesse contexto a sé de Alexandria e a sé de Roma trocaram correspondência e por vezes divergiram, antecipando as grandes definições da fé que viriam nos séculos seguintes.

Iconografia

Como reconhecer Dionísio de Alexandria na arte sacra

Os atributos visuais consolidaram-se na Idade Média e distinguem o santo nas obras sacras.

✝️
Omofório (vestes episcopais do Oriente)
Bispo e patriarca de Alexandria; nos ícones bizantinos e coptas é representado com o omofório (faixa bordada com cruzes) sobre os ombros, sinal da dignidade de hierarca.
📖
Evangeliário / livro
Padre da Igreja, teólogo e escritor prolífico de cartas e tratados; segura o Evangeliário, atributo dos santos bispos e doutores no Oriente.
Mão em bênção
Mão direita erguida em bênção, indicando o ofício pastoral e sacerdotal do bispo.
👑
Mitra
Como pontífice de Alexandria, é por vezes coroado com a mitra; numa gravura de 1698 um anjo lhe entrega a mitra episcopal.
🧔
Ancião venerável de barba branca
Confessor que sobreviveu às perseguições de Décio e Valeriano e morreu idoso; retratado como ancião grave, de longa barba branca, com nimbo de santo.
Cronologia

Linha do tempo

Eventos do santo à esquerda, eventos do mundo à direita — para situar a vida na história.

Vida do santo Mundo no mesmo período
190
Nascimento em Alexandria (c. 190)
Dionísio nasce por volta de 190 (data aproximada), provavelmente em Alexandria, de família distinta. Era já idoso ao morrer, o que situa o nascimento por volta de 190 ou antes.
231
Chefe da Escola Catequética de Alexandria (c. 231/232)
Discípulo de Orígenes, quando Heraclas é elevado a bispo de Alexandria, Dionísio assume a direção da célebre Escola Catequética (Didascaleion). Ano aproximado.
248
Eleito bispo de Alexandria (c. 247/248)
Após a morte de Heraclas, Dionísio recebe o episcopado de Alexandria. Eusébio o situa no terceiro ano do imperador Filipe. Início de um episcopado que duraria cerca de dezessete anos.
249
Tumulto anticristão em Alexandria
No último ano do imperador Filipe (249), antes do edito de Décio, um motim popular em Alexandria provoca violência contra os cristãos, descrita por Dionísio em carta a Fábio de Antioquia.
250
Edito de perseguição de Décio
O imperador Décio institui em janeiro de 250 a primeira perseguição legal e geral, exigindo de todos o sacrifício aos deuses; o papa Fábio é martirizado em janeiro de 250.
250
Décio: fuga, prisão e resgate por camponêses
Procurado na perseguição de Décio, Dionísio foge e é capturado pelos soldados; segundo seu próprio relato em Eusébio, camponêses que voltavam de uma festa de casamento irrompem no local, os soldados fogem e o bispo é levado ao exílio no deserto da Líbia.
251
Cisma novaciano e Concílio de Cartago
Cessada a perseguição de Décio (251), Novaciano reivindica o bispado de Roma contra o papa Cornélio, gerando o cisma novaciano sobre a readmissão dos lapsi; reúne-se também o Concílio de Cartago.
252
Peste de Alexandria e a caridade dos cristãos
A chamada peste de Cipriano atinge Alexandria; Dionísio e o clero socorrem doentes e moribundos, contrastando a caridade cristã com o abandono dos pagãos, conforme descreve em suas cartas festais. Ano aproximado.
256
Controvérsia do rebatismo: cartas ao papa Estêvão
Na disputa sobre rebatizar hereges convertidos, Dionísio escreve ao papa Estêvão (e depois a Sisto II) buscando a paz entre as Igrejas. Datável pelo pontificado de Estêvão (254-257); ano aproximado.
257
Editos de Valeriano contra os cristãos
O imperador Valeriano inicia em 257 a perseguição: o primeiro edito exila os bispos e proíbe as assembleias cristãs; o edito de 258 ordena a execução dos clérigos.
257
Valeriano: julgamento por Emiliano e exílio em Cefro
Levado perante o prefeito Emiliano, Dionísio responde que se deve obedecer a Deus antes que aos homens e é desterrado para Cefro, na Mareótida (Líbia), e depois para Coluíon.
258
Martírio do papa Sisto II e de Cipriano de Cartago
Sob o segundo edito de Valeriano (258), são martirizados o papa Sisto II (capturado celebrando a liturgia, com seus diáconos) e São Cipriano, bispo de Cartago.
260
Captura de Valeriano e edito de tolerância de Galieno
Valeriano é capturado pelos persas (260) e morre no cativeiro; seu filho Galieno emite um rescrito de tolerância, primeira declaração oficial de liberdade aos cristãos.
260
Retorno de Dionísio a Alexandria
Com a paz decretada por Galieno (260), Dionísio regressa a Alexandria e retoma o governo da Igreja, em meio a guerra civil, fome e nova epidemia na cidade.
261
Guerra civil, fome e peste em Alexandria
Em 261-262 Alexandria sofre tumulto, fome e peste; Dionísio descreve a situação e o cuidado dos cristãos com os doentes em suas cartas festais.
262
Controvérsia milenarista: a obra Sobre as Promessas
Dionísio refuta o milenarismo do bispo Nepos, escrevendo a obra em dois livros Sobre as Promessas e examinando a autoria do Apocalipse. Datação aproximada.
262
Controvérsia sabeliana e os dois Dionísios
Dionísio combate o sabelianismo na Pentápole; acusado de impropriedade trinitária, troca cartas com o papa Dionísio de Roma, que reúne um sínodo (c. 260-262); responde com a Refutação e Defesa. Ano aproximado.
264
Convidado ao Sínodo de Antioquia contra Paulo de Samósata
Convocado para o sínodo de Antioquia que examinava a heresia de Paulo de Samósata, Dionísio não pode comparecer por causa da idade e da fraqueza física; envia sua opinião por carta. Ano aproximado.
264
Morte de Dionísio, o Grande (c. 264/265)
Dionísio morre no décimo segundo ano do reinado de Galieno, após cerca de dezessete anos de episcopado (Eusébio); é sucedido por Máximo. As fontes oscilam entre 264 e 265.
268
Concílio de Antioquia condena Paulo de Samósata
Após a morte de Dionísio, o sínodo final de Antioquia (268), com destaque para o presítero Malquião, condena a doutrina de Paulo de Samósata e o depõe do bispado.

Suas contribuições à teologia

Discípulo de Orígenes e chefe da Escola Catequética de Alexandria, Dionísio uniu o rigor intelectual da tradição alexandrina a um notável senso pastoral. Em sua obra Sobre a Natureza (Περὶ Φύσεως), dedicada ao filho Timóteo, refutou o atomismo de Epicuro: mostrou, por uma série de analogias tiradas da obra humana, que o universo ordenado não pode ser fruto do mero concurso fortuito de átomos lançados no espaço, mas exige um Autor inteligente.

No campo trinitário, combatendo o sabelianismo na Pentápole, insistiu de tal modo na distinção real entre o Pai e o Filho que algumas de suas expressões fortes foram denunciadas em Roma como tendentes ao triteísmo ou ao subordinacionismo. Em sua Refutação e Defesa, esclareceu sua ortodoxia, afirmando que nunca houve tempo em que Deus não fosse Pai e que o Filho lhe é coeterno, servindo-se inclusive do termo consubstancial (homoousios) e antecipando a linguagem do Concílio de Niceia.

Foi também um dos pioneiros da crítica histórico-literária da Escritura: examinando o vocabulário, o estilo e as construções do Apocalipse em comparação com o Evangelho e a Epístola de João, concluiu, com reverência, que o livro era obra de um homem santo e inspirado chamado João, mas não do apóstolo evangelista — observando que havia em Éfeso dois túmulos, ambos com o nome de João.

Na pastoral, adotou postura moderada e conciliadora: diante dos lapsi (os que apostataram na perseguição), deu peso à intercessão dos mártires e não negou o perdão a ninguém na hora da morte; na questão do rebatismo, seguiu o costume romano de não rebatizar os convertidos da heresia, mediando entre Roma e Cartago. Por fim, refutou o milenarismo literalista de Nepos na obra Sobre as Promessas.

Espiritualidade

Espiritualidade e carisma

Escola espiritual

Tradição alexandrina / patrística

Formado na Escola Catequética de Alexandria sob Orígenes e Heraclas, Dionísio encarna a espiritualidade alexandrina: o encontro entre a fé cristã e a cultura filosófica, a defesa racional da fé contra o erro, a leitura erudita e ao mesmo tempo reverente das Escrituras e uma caridade pastoral concreta. Sua espiritualidade foi marcada pela moderação e pela busca da unidade da Igreja, sem ceder na verdade da fé, e por uma entrega heroica no serviço aos irmãos durante as perseguições e a peste.

Como se vive hoje

Dionísio inspira hoje pela caridade vivida no auge da peste, quando os cristãos, sob seu testemunho, cuidaram dos doentes a ponto de muitos morrerem por isso; pela moderação e prudência pastoral diante dos que caíram e das divisões; e pela defesa serena e racional da fé, mostrando que crer e pensar não se opõem. Seu exemplo fala a uma Igreja chamada a unir firmeza doutrinal, misericórdia com os fracos e coragem no serviço aos que sofrem.

Família espiritual

Ordens, congregações e movimentos

Famílias religiosas que se reconhecem herdeiras do santo.

Escola Catequética de Alexandria (Didascaleion)

Instituição teológica de Alexandria à qual Dionísio pertenceu como discípulo e depois como diretor. Estudou sob Orígenes e Heraclas e, quando este se tornou bispo (c. 231/232), sucedeu-o na chefia da escola, cargo que provavelmente reteve mesmo após tornar-se bispo. Insere-se na linhagem de mestres da escola: Panteno, Clemente de Alexandria, Orígenes, Heraclas e Dionísio.

Obras escritas

Suas obras principais

Obras de maior densidade e influência, com links diretos para o Codex quando disponíveis.

Sobre a Natureza

Περὶ Φύσεως / De Natura · c. 232–248

Tratado de filosofia natural dedicado a Timóteo, no qual Dionísio refuta a física atomista de Epicuro e Demócrito, negando que o universo seja fruto do choque casual de átomos. Sobrevive em fragmentos citados por Eusébio.

Sobre as Promessas

Περὶ Ἐπαγγελιῶν / De Promissionibus · c. 260

Obra em dois livros contra o milenarismo (quiliasmo) do bispo Nepos de Arsinoé. Contém a célebre análise crítica da autoria do Apocalipse, concluindo que seu autor foi um João distinto do Evangelista. Sobrevive em fragmentos em Eusébio.

Refutação e Defesa

Ἔλεγχος καὶ Ἀπολογία / Refutatio et Apologia · c. 262

Tratado em quatro livros endereçado ao papa Dionísio de Roma, defendendo-se da acusação de separar o Filho do Pai. Esclarece sua doutrina trinitária, declarando que nunca houve tempo em que Deus não fosse Pai. Sobrevive em fragmentos preservados por Atanásio (De sententia Dionysii).

Contra Sabélio

Adversus Sabellium · c. 257–260

Cerca de quatro escritos contra os bispos da Pentápole da Líbia que caíram no sabelianismo; cópias foram enviadas ao papa Sisto II. Foram esses escritos que suscitaram a acusação de triteísmo. Sobrevivem em fragmentos em Atanásio.

Cartas festais (pascais)

Epistulae festales · anuais (c. 248–264)

Cartas festais anuais, à maneira dos bispos de Alexandria, anunciando a data da Páscoa e tratando de questões eclesiásticas; subsiste, entre outros, um fragmento da quarta carta festal. Citadas por Eusébio.

Cartas sobre o batismo dos hereges

Epistulae de baptismo · c. 254–257

Conjunto de sete cartas sobre a controvérsia do rebatismo dos hereges, endereçadas ao papa Estêvão, ao papa Sisto II (duas), ao presítero Filêmon e a Dionísio de Roma. Fragmentos em Eusébio.

Cartas sobre a penitência e os lapsi

Epistulae de paenitentia · c. 250–251

Cartas, algumas verdadeiros tratados sobre a penitência, acerca da readmissão dos que apostataram na perseguição de Décio, entre elas a Fábio de Antioquia e ao papa Cornélio. Fragmentos em Eusébio.

Carta a Novaciano

Epistula ad Novatianum · c. 251

Breve carta instando Novaciano a recuar do cisma e voltar à unidade da Igreja. Preservada na íntegra por Eusébio.

Carta canônica a Basílides

Epistula ad Basilidem · c. 260

Carta ao bispo Basílides da Pentápole respondendo questões disciplinares: a hora de encerrar o jejum pascal e as condições para a recepção da Eucaristia. Recebida como carta canônica e ratificada pelo Concílio in Trullo.

Cartas históricas (a Hermammon, a Domício e Dídimo, a Hierax, aos Alexandrinos)

Epistulae · c. 257–262

Cartas de teor histórico-pastoral sobre as perseguições, o exílio, a guerra civil e a peste de Alexandria, usadas por Eusébio como fonte para a história do período. Fragmentos em Eusébio.

Liturgia

Como a Igreja celebra Dionísio de Alexandria

Categoria litúrgica
Memória facultativa
Cor litúrgica
Branco
Dia
17 de Novembro
Coleta própriaComum dos Pastores (bispo)
Novena

Novena a Dionísio de Alexandria

Novena composta devocionalmente (não é novena oficial nem tradicional) inspirada na vida documentada de São Dionísio, o Grande, bispo de Alexandria, discípulo de Orígenes, pastor na perseguição e na peste, defensor da fé. Os versículos bíblicos seguem a tradução Ave-Maria. Reza-se nos nove dias que antecedem sua festa, 17 de novembro.

I.

Discípulo de Orígenes e mestre da Escola Catequética

2Tm 2,2 — "O que de mim ouviste em presença de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis que, por sua vez, se..."

II.

Pastor da Igreja de Alexandria

At 20,28 — "Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para p..."

III.

Confessor na perseguição de Décio

Mt 10,23 — "Se vos perseguirem numa cidade, fugi para uma outra. Em verdade vos digo: não acabareis de percorrer..."

IV.

Exílio sob Valeriano

2Cor 4,8 — "Em tudo somos oprimidos, mas não sucumbimos; vivemos em completa penúria, mas não desesperamos."

V.

Caridade dos cristãos na peste de Alexandria

Mt 25,36 — "nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim."

VI.

Defensor da fé contra os erros dos filósofos

Cl 2,8 — "Estai de sobreaviso, para que ninguém vos engane com filosofias e vãos sofismas baseados nas tradiçõ..."

VII.

Servidor da verdade na controvérsia trinitária

2Cor 4,7 — "Porém, temos este tesouro em vasos de barro, para que transpareça claramente que este poder extraord..."

VIII.

Pela unidade da Igreja

Jo 17,21 — "para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam e..."

IX.

Morte santa e o nome de o Grande

2Tm 4,7 — "Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé."

Devoções populares

Como o povo reza a Dionísio de Alexandria

Tríduos, novenas, ladainhas, medalhas e tradições locais que mantêm viva a presença do santo na piedade popular.

Tradições populares por região

Como o santo é vivido na piedade popular no mundo lusófono e além.

Egito e Igrejas orientais

Dionísio é venerado nas Igrejas orientais. Na tradição bizantina é comemorado em 5 de outubro e é igualmente honrado na Igreja Copta; no Ocidente é celebrado como Confessor em 17 de novembro (Martirológio Romano).

Mensagem

O que Dionísio de Alexandria nos diz hoje

"A maioria dos nossos irmãos, em seu imenso amor e afeto fraterno, não se poupava; mantinham-se unidos uns aos outros, visitavam os doentes sem temor e os serviam sem cessar em Cristo, e com eles morriam alegríssimos, tomando sobre si o sofrimento alheio, atraindo a doença do próximo para si mesmos e recebendo de bom grado as suas dores. E muitos, depois de cuidar dos enfermos e dar forças aos outros, morreram eles próprios, transferindo para si a morte alheia."

— Eusébio, Hist. Ecl. VII, 22

"Os melhores dentre os nossos irmãos partiram desta vida deste modo: alguns presíteros, diáconos e leigos da mais alta reputação; de sorte que esta forma de morte, pela grande piedade e fé forte que manifestou, em nada parecia ficar aquém do martírio."

— Eusébio, Hist. Ecl. VII, 22

"Mas entre os pagãos tudo era o contrário: abandonavam os que começavam a adoecer e fugiam dos seus entes mais queridos; lançavam-nos meio mortos nas ruas e deixavam os mortos insepultos como refugo, procurando escapar do contágio da morte."

— Eusébio, Hist. Ecl. VII, 22

"Que ele se chamava João, e que este livro é obra de um João, não o nego; e concordo também que seja obra de um homem santo e inspirado. Mas não me deixo persuadir facilmente de que seja o apóstolo, o filho de Zebedeu, irmão de Tiago, por quem foram escritos o Evangelho de João e a Epístola Católica."

— Eusébio, Hist. Ecl. VII, 25

"Seria melhor sofrer qualquer mal a dividir a Igreja de Deus. E um martírio sofrido para impedir a divisão da Igreja não seria menos glorioso do que o suportado por recusar adorar os ídolos; antes, a meu ver ao menos, seria coisa mais nobre. Pois num caso a pessoa dá testemunho apenas por sua própria alma, ao passo que no outro é testemunha em favor de toda a Igreja."

— Eusébio, Hist. Ecl. VI, 45 (Carta a Novaciano)

"A verdade deve ser amada e honrada acima de tudo. E embora devamos louvar e aprovar sem reservas o que é dito com acerto, devemos também examinar e corrigir o que não parece ter sido escrito de modo são."

— Eusébio, Hist. Ecl. VII, 24
Frases célebres

Frases para guardar e compartilhar

Frases curtas para ler em silêncio, copiar, compartilhar e levar consigo.

Todas 3 Perseguição, Confissão da fé 1 Discernimento, Estudo, Verdade 1 Perseguição de Décio, Providência 1

"Devemos obedecer a Deus antes que aos homens. E declaro abertamente que adoro o único e só Deus, e nenhum outro; e que dele não me apartaria nem jamais deixaria de ser cristão."

Eusébio, Hist. Ecl. VII, 11

"Lê tudo o que te vier às mãos, pois és capaz de corrigir e provar todas as coisas; e isto foi para ti, desde o princípio, a causa da tua fé."

Eusébio, Hist. Ecl. VII, 7

"Falo diante de Deus, e ele sabe que não minto: não fugi por impulso próprio nem sem direção divina."

Eusébio, Hist. Ecl. VI, 40
Influência

A rede de influências espirituais

Ninguém é santo sozinho. Recebeu uma herança — e a transformou em legado.

Quem o influenciou

Mestres e encontros decisivos

Dionísio formou-se na Escola Catequética de Alexandria, da qual viria a ser chefe. Seu mestre direto foi Orígenes, de quem foi discípulo, e sucedeu Heraclas tanto na direção da escola quanto, mais tarde, na sé episcopal de Alexandria. Por essa linhagem inscreve-se plenamente na tradição alexandrina, herdeira também de Clemente de Alexandria, marcada pelo diálogo entre a fé cristã e a cultura filosófica e pela exegese erudita das Escrituras.

Quem ele influenciou

Discípulos e herdeiros através dos séculos

Eusébio de Cesareia e outros Padres conferiram-lhe o epíteto de o Grande. A Enciclopédia Católica afirma que foi, depois de São Cipriano, o bispo mais eminente do século III e a maior autoridade do Oriente cristão em seu tempo: durante o cisma novaciano, foi em grande parte por sua influência que todo o Oriente, após muita perturbação, foi em poucos meses reconduzido à unidade.Sua autoridade projetou-se decisivamente na controvérsia ariana do século seguinte. Tanto os arianos, que o reivindicavam como precursor por suas expressões sobre a distinção do Filho, quanto os ortódoxos o citaram; Santo Atanásio escreveu a obra Sobre a Opinião de Dionísio (De sententia Dionysii) precisamente para demonstrar que ele, longe de favorecer Ário, era contrário à heresia, em consonância com o Concílio de Niceia.É reconhecido ainda como um dos pioneiros da crítica bíblica, por sua análise da autoria do Apocalipse, e sua moderação pastoral diante dos lapsi e do rebatismo tornou-se referência de prudência eclesial. Como quase toda a sua obra se perdeu, sobrevive sobretudo nas extensas citações preservadas por Eusébio na História Eclesiástica (livros VI e VII).

Debates

Debates e controvérsias

As polêmicas começam ainda em vida — e nunca cessaram. Separamos as históricas (resolvidas pelo Magistério) das contemporâneas (em aberto).

Controvérsias históricas

Os grandes embates de seu tempo

Controvérsia do rebatismo (c. 256)

Quando se discutiu se os hereges convertidos deviam ser rebatizados, Dionísio interveio como mediador entre Roma e Cartago. Seguindo o costume romano de não rebatizar, escreveu várias cartas — entre elas ao papa Estêvão e ao papa Sisto II — suplicando que Roma não rompesse a comunhão com as Igrejas da Ásia por causa dessa questão, e favorecendo uma atitude conciliadora.

Cisma novaciano e os lapsi

Diante da perseguição de Décio e do problema dos lapsi, Dionísio apoiou o papa Cornélio contra Novaciano. Escreveu ao próprio Novaciano instando-o à unidade, sugerindo que provasse a sua sinceridade retirando-se voluntariamente do cisma e afirmando que valeria a pena até o martírio para impedir a divisão da Igreja. Sua mediação foi decisiva para reconduzir o Oriente à unidade.

Milenarismo de Nepos

Contra o quiliasmo (milenarismo) do bispo Nepos, que, por uma leitura literal do Apocalipse, prometia um reino terreno de gozos materiais, Dionísio escreveu a obra Sobre as Promessas. No distrito de Arsinoé conduziu um diálogo pastoral de três dias com os presíteros e mestres locais; Coracion, que difundira a doutrina, reconheceu-se convencido e declarou que não mais a sustentaria, reconciliando-se a comunidade.

Controvérsia sabeliana e trinitária

Combatendo o sabelianismo na Pentápole, Dionísio sublinhou tão fortemente a distinção entre o Pai e o Filho que algumas de suas expressões foram denunciadas ao papa Dionísio de Roma como tendentes ao triteísmo ou ao subordinacionismo. O bispo de Roma reuniu um sínodo (c. 260) que condenou tanto o sabelianismo quanto a divisão da Mônada em três deuses e a doutrina do Filho como criatura. Dionísio de Alexandria não foi condenado: respondeu com a obra Refutação e Defesa, esclarecendo que afirmava o Filho coeterno ao Pai e aceitava o sentido de consubstancial, e queixando-se da calúnia de que teria rejeitado esse termo. Foi vindicado, e Santo Atanásio o defendeu expressamente em De sententia Dionysii.

Controvérsias contemporâneas

Polêmicas ainda em aberto

Pioneiro da crítica bíblica

O exame que Dionísio fez da autoria do Apocalipse — distinguindo, por critérios de vocabulário e de estilo, o autor do Apocalipse do evangelista João — é hoje reconhecido como um dos primeiros exercícios de crítica literária e histórica das Escrituras. A questão da autoria do Apocalipse permanece debatida na exegese contemporânea, o que faz de Dionísio um precursor frequentemente citado nesse campo.

Linguagem trinitária e desenvolvimento dogmático

Discute-se ainda se a linguagem de Dionísio sobre a distinção entre o Pai e o Filho era subordinacionista ou apenas imprecisa por razões de vocabulário, num tempo anterior à fixação da terminologia trinitária. Boa parte da dificuldade foi semântica, pois os mesmos termos eram entendidos de modos diferentes em grego e em latim. Seu caso é uma peça relevante para compreender o desenvolvimento dogmático trinitário antes do Concílio de Niceia.

Curiosidades

Curiosidades sobre Dionísio de Alexandria

Fatos pouco conhecidos — pequenas janelas para a humanidade do santo.

Foi um dos primeiros a fazer crítica literária da Bíblia: analisando o vocabulário e o estilo, negou que o Apocalipse tivesse sido escrito pelo apóstolo João, autor do Evangelho e da Epístola — séculos antes de a crítica literária moderna existir.

Quase todas as suas obras se perderam: o que conhecemos dele sobrevive principalmente em citações preservadas por Eusébio de Cesareia na História Eclesiástica (livros VI-VII). Só uma carta inteira chegou até nós.

Foi chamado o Grande por Eusébio, por São Basílio e outros; a Enciclopédia Católica o considera, depois de São Cipriano, o bispo mais eminente do século III.

Durante a fuga na perseguição de Décio foi preso pelos soldados, mas um grupo de camponêses que voltava de uma festa de casamento, ao saber do ocorrido, correu e o libertou; os soldados fugiram, deixando o bispo para trás.

Havia dois Dionísios contemporâneos: ele, bispo de Alexandria, e o papa Dionísio de Roma. O caso dos dois Dionísios foi uma controvérsia trinitária em que Roma o repreendeu por linguagem que soava subordinacionista, e ele se defendeu na obra Refutação e Defesa.

Sua carta ao bispo Basílides (sobre o jejum pascal e outras questões) foi recebida como cânones na Igreja Oriental e confirmada pelo Sexto Concílio Ecumênico, adquirindo força quase ecumênica no direito canônico.

Escreveu um tratado Sobre a Natureza refutando o atomismo do filósofo grego Epicuro, defendendo a ordem e a providência do Criador contra a ideia de um mundo formado pelo acaso dos átomos.

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Fontes e referências

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