Vittore Crivelli, séc. XV · fonte · PD
Boaventura de Bagnoregio
São Boaventura de Bagnoregio (nome secular Giovanni di Fidanza, “João Fidanza”), nascido por volta de 1217 em Bagnoregio, perto de Viterbo, e falecido em 15 de julho de 1274 em Lyon, foi frade franciscano, teólogo e místico do século XIII, conhecido como o Doutor Seráfico. Formado e mestre em teologia na Universidade de Paris, foi contemporâneo e amigo de São Tomás de Aquino e defendeu as ordens mendicantes nas disputas universitárias de Paris. Eleito Ministro Geral dos Frades Menores em 1257, governou a Ordem por cerca de dezessete anos e é chamado seu “segundo fundador”, tendo escrito a Legenda Maior, biografia oficial de São Francisco de Assis, e o célebre Itinerário da mente para Deus (Itinerarium mentis in Deum). Criado cardeal-bispo de Albano pelo papa Gregório X em 1273, teve papel central no II Concílio de Lyon de 1274, voltado à união com a Igreja grega, durante o qual morreu. Foi canonizado pelo papa Sisto IV em 1482 e proclamado Doutor da Igreja pelo papa Sisto V em 1588.
Biografia
Infância, nome e entrada na Ordem
São Boaventura nasceu por volta de 1217 em Bagnoregio, pequena cidade próxima a Viterbo, então nos Estados Pontifícios, e recebeu no batismo o nome de Giovanni di Fidanza (João Fidanza). Era filho de um médico, e uma tradição franciscana, ligada à sua própria infância, conta que, gravemente enfermo a ponto de o pai perder toda esperança de salvá-lo, foi curado pela intercessão de São Francisco de Assis, a quem sua mãe recorreu. O próprio Boaventura confirma ter sido preservado da morte na infância pela intercessão de Francisco, embora a origem do nome religioso “Boaventura” — segundo a qual Francisco teria exclamado diante do menino curado “O buona ventura!” (“Ó boa ventura!”) — deva ser registrada como tradição piedosa, e não como fato historicamente comprovado.
Por volta de 1243, após obter o grau de mestre em artes em Paris, recebeu o hábito franciscano, tomando então o nome de Boaventura. Movera-o o testemunho dos Frades Menores que conhecera em Paris, nos quais reconheceu a ação de Cristo presente em São Francisco e no movimento que ele fundara.
Formação e magistério em Paris
Boaventura estudou na Universidade de Paris, então o maior centro teológico da cristandade, tendo por mestre Alexandre de Hales, um dos grandes teólogos franciscanos da época. Aprofundou-se na Sagrada Escritura e nas Sentenças de Pedro Lombardo e tornou-se mestre em teologia, sendo solenemente reconhecido como doutor da Universidade de Paris em 1257, ao lado de seu amigo e contemporâneo São Tomás de Aquino. Os dois doutores, um franciscano e outro dominicano, encarnam de modo complementar o auge da teologia escolástica: Tomás acentuando o primado do conhecimento e Boaventura, o primado do amor.
Naqueles anos, as ordens mendicantes — franciscanos e dominicanos — eram atacadas por mestres do clero secular da Universidade, sobretudo por Guilherme de Saint-Amour, que acusava os frades de desonrar o Evangelho com sua prática da pobreza e da mendicância. Boaventura assumiu a defesa do ideal mendicante; mais tarde, retomada a controvérsia por Gerardo de Abbeville, escreveria a Apologia pauperum (“Defesa dos pobres”).
Ministro Geral dos Frades Menores
Em 2 de fevereiro de 1257, Boaventura foi eleito Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, que já contava com mais de trinta mil frades espalhados pelo Ocidente. Governou-a por cerca de dezessete anos com sabedoria e dedicação, a ponto de ser chamado o “segundo fundador” da Ordem. No Capítulo Geral de Narbona, em 1260, deu aos Frades Menores suas primeiras constituições gerais, as chamadas Constituições de Narbona, organizando juridicamente a vida da Ordem.
Por encargo do mesmo Capítulo, redigiu a Legenda Maior (e a abreviada Legenda Minor), biografia de São Francisco que o Capítulo Geral de Pisa, em 1263, reconheceu como o retrato mais fiel do Fundador e adotou como sua biografia oficial. Como Ministro Geral, Boaventura teve de enfrentar graves tensões internas entre os “espirituais”, de rigorismo radical, influenciados pelas ideias de Joaquim de Fiore, e os “conventuais”, mais relaxados. Rejeitando o utopismo dos espirituais, afirmou que “as obras de Cristo não retrocedem, mas progridem” (Opera Christi non deficiunt, sed proficiunt) e manteve a Ordem firmemente ancorada na Igreja apostólica, buscando o equilíbrio entre a fidelidade ao ideal de Francisco e a viabilidade institucional.
Cardeal, II Concílio de Lyon, morte e legado
Em 1273, o papa Gregório X — para cuja eleição Boaventura havia colaborado — criou-o cardeal-bispo de Albano. O papa confiou-lhe a preparação do II Concílio Ecumênico de Lyon, aberto em 1274, cujo grande objetivo era a união com a Igreja grega, separada de Roma. Boaventura teve papel central nos trabalhos conciliares, tratando com os gregos os pontos relativos ao reencontro das duas Igrejas.
Foi durante esse concílio que Boaventura morreu, em 15 de julho de 1274, em Lyon, assistido pelo próprio papa, que o tinha em alta estima. Naquele mesmo ano de 1274 morria também São Tomás de Aquino, a caminho do concílio. Entre as obras de Boaventura destaca-se o Itinerário da mente para Deus (Itinerarium mentis in Deum), composto em 1259 no monte Alverne, no lugar onde São Francisco recebera os estigmas — síntese de sua teologia mística, que apresenta a ascensão da alma a Deus como caminho que culmina não na ciência, mas no amor. São Boaventura foi canonizado pelo papa Sisto IV em 14 de abril de 1482 e proclamado Doutor da Igreja pelo papa Sisto V em 1588, recebendo o título de Doutor Seráfico.
O contexto em que viveu
São Boaventura viveu no século XIII, o “século de ouro” da escolástica e das universidades. A Universidade de Paris, surgida em torno de 1200 da escola da catedral e reconhecida pelo bispo e pelo papado (estatutos de 1215; bula Parens scientiarum de Gregório IX, 1231), tornou-se o grande centro do saber cristão, para onde o jovem Giovanni di Fidanza foi estudar por volta de 1235. Era o tempo em que mestres como Alexandre de Hales formavam toda uma geração de teólogos.
Esse mesmo século viu nascer e explodir as ordens mendicantes. A Regra de São Francisco de Assis foi confirmada pela bula Solet annuere de Honório III, em 29 de novembro de 1223 (a Regula bullata); Francisco morreu em 3 de outubro de 1226 e foi canonizado por Gregório IX em 16 de julho de 1228. Em poucas décadas a Ordem dos Frades Menores se espalhou pelo Ocidente, contando, no governo de Boaventura, mais de trinta mil frades — crescimento vertiginoso que trouxe enormes desafios de unidade e disciplina.
Dentro da Ordem fervia a tensão entre os “espirituais”, que defendiam a observância radical da pobreza absoluta, e os “conventuais”, mais abertos às adaptações exigidas pela vida nas cidades e nas universidades. A essa disputa somava-se a influência das ideias apocalípticas de Joaquim de Fiore. Como Ministro Geral a partir de 1257, Boaventura buscou um caminho de equilíbrio, fixando a legislação da Ordem nas Constituições de Narbona (1260) e oferecendo, com a Legenda Maior (aprovada em Pisa, 1263), uma imagem oficial e unificadora de São Francisco.
Na própria Universidade de Paris estourou a controvérsia das ordens mendicantes: o mestre secular Guilherme de Saint-Amour atacou os frades no tratado De periculis novissimorum temporum (1256), negando-lhes o direito de ensinar. Boaventura, ao lado de Tomás de Aquino, defendeu o ideal mendicante; o livro de Guilherme foi condenado por Alexandre IV em 1256, e os dois frades receberam solenemente o grau de mestre em 1257.
Foi também o século da recepção maciça de Aristóteles, lido através dos comentários de Averróis, e do chamado averroísmo latino de mestres como Siger de Brabante. Diante das teses tidas por perigosas à fé, o bispo de Paris Estêvão Tempier emitiu as condenações de 1270 e de 1277. Boaventura, fiel à tradição agostiniana e franciscana, foi um dos críticos desse racionalismo, reafirmando a primazia da sabedoria iluminada pela fé.
No plano da Igreja universal, o papado e o Império disputavam o poder, e crescia o desejo de reconciliação com a Igreja grega. Já cardeal-bispo de Albano (1273), Boaventura foi figura central na preparação do II Concílio de Lyon (1274), que buscou a união entre as Igrejas latina e grega. Foi nesse concílio, em 15 de julho de 1274, que o Doutor Seráfico morreu. Seria canonizado por Sisto IV em 14 de abril de 1482 e proclamado Doutor da Igreja por Sisto V em 14 de março de 1588.
Fatos contextuais
Suas contribuições à teologia
Para São Boaventura, a teologia não é primariamente uma ciência que satisfaz a curiosidade da razão, mas uma sabedoria (sapientia) ordenada ao amor de Deus. Como sublinhou Bento XVI, ela busca a contemplação como forma mais alta de conhecimento, mas tem por intenção ut boni fiamus — “que nos tornemos bons”. O conhecimento da fé não permanece no intelecto: saber que Cristo morreu “por nós” torna-se necessariamente afeto e amor. Daí o primado da caridade sobre a especulação: para o Doutor Seráfico, o destino último do homem é amar a Deus, e o amor ainda vê o que permanece inacessível à razão. Por isso seu pensamento é uma teologia mística e devota, ordenada à piedade.
O coração de sua metafísica é o exemplarismo: Cristo, o Verbo eterno, é a Arte do Pai (ars aeterna) na qual subsistem as ideias-modelo de todas as coisas, e é o medium — o centro — de toda a realidade e de todo conhecimento verdadeiro. Toda criatura é, em graus, vestígio (vestigium), imagem (imago) e semelhança (similitudo) de Deus: o vestígio remete a Deus como tríplice causa (eficiente, formal e final), a imagem é própria da alma racional que o tem por objeto, e a semelhança é o dom infuso pela graça. Assim o mundo inteiro é um espelho e um livro em que toda a criação fala de Deus.
Em teoria do conhecimento, Boaventura é agostiniano: a certeza das verdades imutáveis exige a iluminação divina — a “luz” eterna como causa reguladora e motiva, atuando junto com a causa criada e não em seu lugar. Embora reconhecesse Aristóteles como o Filósofo no âmbito natural, opôs reserva crítica a um aristotelismo absolutizado e ao averroísmo: rejeitou como contraditória a eternidade do mundo (o que é produzido do nada tem ser depois do não-ser e não pode ser eterno) e advertiu contra a soberba da razão que se coloca acima da Palavra de Deus.
Sua obra-síntese é o Itinerarium mentis in Deum (Itinerário da mente para Deus), escrito no monte Alverne (La Verna), onde, meditando, recordou a visão do Serafim de seis asas em forma de Crucificado dada a São Francisco — visão dos estigmas. As seis asas tornam-se os seis graus de uma escada de ascensão, em três etapas: contemplar Deus fora de nós (extra nos), nos vestígios das criaturas; dentro de nós (intra nos), na imagem refletida na alma reformada pela graça; e acima de nós (supra nos), em Deus mesmo, em seu ser e em sua bondade trinitária. O sétimo grau é o repouso e o êxtase místico: já “não a luz, mas o fogo que tudo inflama e transporta a Deus”.
Boaventura elaborou ainda uma original teologia da história, destacada por Bento XVI. Como Ministro Geral, enfrentou a tensão dos “espirituais” franciscanos seguidores de Joaquim de Fiore; estudou criticamente seus escritos e, contra um terceiro “reino do Espírito” que ultrapassaria Cristo, afirmou que Cristo é o centro — e não apenas o fim — da história. Daí a sua célebre ideia de progresso: “Opera Christi non deficiunt, sed proficiunt” — as obras de Cristo não retrocedem nem falham, mas progridem.
"Se queres saber como essas coisas acontecem, interroga a graça, não a doutrina; o desejo, não o intelecto; o gemido da oração, não o estudo da letra; o Esposo, não o mestre; Deus, não o homem; a treva, não a claridade; não a luz, mas o fogo que tudo inflama e transporta para Deus com unções intensas e ardentíssimos afetos. Morramos, pois, e entremos na treva; passemos com Cristo crucificado deste mundo ao Pai." Itinerarium mentis in Deum, VII, 6
Quem ele influenciou
São Boaventura de Bagnoregio (Giovanni di Fidanza, c. 1217–1274) é uma das maiores influências da história franciscana e da teologia medieval. Eleito Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores em 2 de fevereiro de 1257, governou-a por cerca de dezessete anos, e por sua obra de consolidação institucional, doutrinal e espiritual é tradicionalmente venerado pelos franciscanos como o “segundo fundador” da Ordem, depois de São Francisco.Sua influência institucional culminou nas Constituições de Narbona (aprovadas pelo Capítulo Geral de Narbona em 1260), primeira codificação sistemática da legislação franciscana, que deu unidade jurídica e disciplinar à Ordem num momento de crescimento acelerado e de tensões internas. No mesmo Capítulo recebeu o encargo de compor uma vida definitiva de São Francisco; concluiu a Legenda Maior por volta de 1261–1263 e apresentou-a no Capítulo Geral de Pisa (1263), tornando-se a biografia oficial do Fundador. No Capítulo de Paris de 1266 a Ordem declarou-a a legenda oficial e decretou a destruição das legendas anteriores — fato histórico hoje debatido pelos historiadores, lido por uns como supressão das fontes primitivas e por outros como mera uniformização litúrgica. A Legenda Maior moldou por séculos a imagem de São Francisco no Ocidente.No plano intelectual, Boaventura é o grande sistematizador da escola franciscana e da tradição agostiniana-neoplatônica (o chamado “boaventurismo”), que se afirmou ao lado e em contraste com o tomismo aristotélico de seu amigo Tomás de Aquino — ambos receberam o grau de doutor em Paris em 1257. Frente ao aristotelismo, Boaventura subordinou a filosofia à sabedoria cristã e fez da iluminação divina e do exemplarismo o eixo de seu pensamento.Sua influência mística é imensa, sobretudo pelo Itinerarium mentis in Deum (1259), que marcou profundamente a tradição espiritual posterior, unindo teologia e santidade, conhecimento e amor. Sua visão sacramental da criação — toda criatura como sinal e pegada (vestigium) do Criador — tornou-se uma das marcas duradouras da espiritualidade franciscana.Quanto à mariologia, é preciso ser preciso: apesar de sua intensa devoção a Maria, Boaventura não sustentou a Imaculada Conceição tal como seria definida em 1854. Como Tomás de Aquino e a maioria dos escolásticos de seu tempo, defendeu a santificação de Maria no seio materno, mas considerava que isentá-la inteiramente do pecado original parecia comprometer a universalidade da redenção de Cristo. A dificuldade só seria resolvida mais tarde por João Duns Escoto, com a noção de redenção preservadora. Não se deve, portanto, apresentá-lo como defensor da Imaculada Conceição.O reconhecimento eclesial coroou seu legado: canonizado por Sisto IV em 14 de abril de 1482 e proclamado Doutor da Igreja por Sisto V, pela bula Triumphantis Hierusalem, em 14 de março de 1588, com o título de Doutor Seráfico — epíteto que já lhe fora atribuído no século XIV. Seu corpus foi fixado pela grande edição crítica das Opera Omnia preparada pelos frades em Quaracchi (Ad Claras Aquas), em dez volumes, entre 1882 e 1902, ainda hoje a edição de referência.
Debates e controvérsias
A controvérsia das ordens mendicantes em Paris
Entre 1252 e 1257, os mestres seculares da Universidade de Paris opuseram-se ao acesso dos frades mendicantes (franciscanos e dominicanos) às cátedras. Em 1256, Guilherme de Saint-Amour publicou o virulento De periculis novissimorum temporum (“Os perigos dos últimos tempos”), atacando duramente os frades. Boaventura respondeu em defesa do ideal de pobreza. Mais tarde, contra Gerardo de Abbeville, que reacendera a antiga disputa por meio de um libelo anônimo, compôs a Apologia pauperum, defesa madura e definitiva da pobreza evangélica e da vida mendicante. A intervenção do papa acabou impondo aos frades o lugar que lhes era negado, e Boaventura recebeu o grau de doutor em Paris em 1257.
Espirituais e conventuais: a recepção crítica de Joaquim de Fiore
Dentro da própria Ordem, opunham-se os “espirituais”, radicais na pobreza e influenciados pelo joaquimismo, e os “conventuais”, mais moderados. Joaquim de Fiore propusera uma leitura trinitária da história, com uma terceira “idade do Espírito Santo”. Boaventura, governando a Ordem, rejeitou esse ritmo trinitário da história — para ele a história é uma só, e Deus é um em toda a história. Reposicionou Cristo não como fim, mas como centro da história, e formulou, contra um progresso meramente humano, que “Opera Christi non deficiunt, sed proficiunt” (as obras de Cristo não retrocedem, mas progridem). Assim corrigiu os exageros dos espirituais sem renunciar à esperança, salvaguardando a fidelidade humilde de Francisco ao Evangelho e à Igreja.
Frente ao aristotelismo e ao averroísmo latino
Nos últimos anos, sobretudo nas Collationes in Hexaëmeron (1273), Boaventura combateu erros do aristotelismo radical (averroísmo latino) então difundido em Paris: a eternidade do mundo, a necessidade do destino e a unidade do intelecto (monopsiquismo). Para ele, afirmar que o mundo é eterno e ao mesmo tempo criado do nada é contraditório. Sua reação é contemporânea das condenações do bispo Estêvão Tempier (1270; depois 1277). Diferentemente de Alberto Magno e de Tomás de Aquino, Boaventura não buscou uma síntese plena com Aristóteles, mantendo a primazia da sabedoria cristã iluminada pela fé.
A destruição das legendas anteriores de São Francisco
Composta a Legenda Maior e declarada oficial, o Capítulo Geral de Paris de 1266 decretou a destruição das “legendas” anteriores de São Francisco. O fato é histórico e foi diversamente interpretado: alguns viram nele uma tentativa deliberada de fechar as fontes primitivas e substituir o “Francisco real”; outros o entendem como mera ordenança litúrgica, destinada a garantir uniformidade nas legendas do coro. O debate permanece em aberto entre os historiadores franciscanos.
Fontes e referências
- vatican.va/content/benedict-xvi/en/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20100303.html
- vatican.va/content/benedict-xvi/en/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20100310.html
- vatican.va/content/benedict-xvi/en/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20100317.html
- newadvent.org/cathen/02648c.htm
- britannica.com/biography/Saint-Bonaventure
- plato.stanford.edu/entries/bonaventure/
- ofm.org/en/st-bonaventure-of-bagnoregio.html
- catholic.com/encyclopedia/bonaventure-saint
- santo.cancaonova.com/santo/sao-boaventura-doutor-da-igreja/
- franciscanos.org.br/carisma/especiais/sao-boaventura-o-teologo-de-cristo-i
- liturgia.pt/santos/santo_v.php?cod_santo=108
- papalencyclicals.net/sixtus05/triumph.htm
- thelatinlibrary.com/bonaventura.itinerarium.html
- christianiconography.info/bonaventure.html
- pocketterco.com.br/santo/sao-boaventura
- catholicsaints.info/saint-bonaventure/
- it.wikipedia.org/wiki/Bonaventura_da_Bagnoregio
- en.wikipedia.org/wiki/Bonaventure
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