Jean le Tavernier (iluminador), Horas de Filipe o Bom, 1462 · fonte · PD
Bernardo de Claraval
São Bernardo de Claraval (Bernard de Clairvaux; nascido por volta de 1090 em Fontaines-lès-Dijon, na Borgonha, e falecido em 20 de agosto de 1153, em Claraval) foi monge e abade cisterciense, Doutor da Igreja conhecido como “Doutor Melífluo” e chamado “o último dos Padres”. Filho da alta nobreza borgonhesa, entrou no mosteiro de Cister por volta de 1112, levando consigo cerca de trinta companheiros, e em 1115 foi enviado para fundar a abadia de Claraval, que governou como abade até o fim da vida, impulsionando a grande expansão da Ordem de Cister pela Europa. Homem de imenso influxo eclesial, atuou decisivamente no cisma de 1130 em favor do papa Inocêncio II contra o antipapa Anacleto II, ajudou a dar forma à Regra dos Templários no Concílio de Troyes (1129) e escreveu o “De laude novae militiae”, e combateu os erros de Pedro Abelardo no Concílio de Sens. A pedido do papa Eugênio III, pregou a Segunda Cruzada em Vézelay (1146), empresa que terminou em fracasso e ensombreceu seus últimos anos. Entre seus escritos célebres estão os Sermões sobre o Cântico dos Cânticos, o “De diligendo Deo” (Sobre o amor de Deus) e o “De consideratione”, marcados por profunda doutrina espiritual e ardente devoção a Maria Santíssima. Foi canonizado em 1174 pelo papa Alexandre III e proclamado Doutor da Igreja em 1830 pelo papa Pio VIII; sua festa litúrgica é celebrada em 20 de agosto.
Biografia
Infância, formação e vocação
São Bernardo nasceu por volta de 1090, em Fontaines-lès-Dijon, na Borgonha, no seio de uma família numerosa da alta nobreza. Era filho de Tescelino, senhor de Fontaines, e de Aleth de Montbard, ambos pertencentes à mais elevada nobreza borgonhesa. Desde jovem destacou-se pelo gosto pelas letras e pela poesia, mas sobretudo pela rápida maturidade espiritual. A morte de sua mãe, quando ele tinha cerca de dezenove anos, marcou-o profundamente e amadureceu nele o desejo de retirar-se do mundo. Por volta dos vinte anos de idade, cerca de 1112, decidiu abraçar a vida monástica e ingressou no recém-fundado mosteiro de Cister, então sob o governo de Santo Estêvão Harding, arrastando consigo um grupo de cerca de trinta jovens nobres da Borgonha, muitos deles seus parentes — entre os quais irmãos, um tio e um primo.
Fundação e governo de Claraval
Em 1115, Bernardo foi enviado por Santo Estêvão Harding, terceiro abade de Cister, à frente de um grupo de monges, para fundar um novo mosteiro no vale do Absinto, que ele batizou de Claire Vallée, ou Claraval (Clairvaux), em 25 de junho de 1115. Tornou-se abade dessa nova casa, cargo que exerceu até o fim de sua vida. Sob seu impulso, a Ordem de Cister conheceu extraordinária expansão, multiplicando-se em centenas de mosteiros por toda a Europa e colocando-se no primeiro plano da influência religiosa do século XII. Pelos seus escritos e pela doçura de sua eloquência ao falar de Cristo, Bernardo recebeu o título de “Doutor Melífluo” — porque seu louvor de Jesus Cristo “escorre como o mel” — e foi chamado “o último dos Padres” da Igreja.
Atuação na Igreja
Bernardo exerceu papel decisivo na vida da Igreja de seu tempo. No cisma de 1130, aberto após a morte do papa Honório II, com a dupla eleição de Inocêncio II e do antipapa Anacleto II, foi escolhido, no Concílio de Étampes, para julgar entre os dois pretendentes: decidiu em favor de Inocêncio II e empenhou-se em fazê-lo reconhecer pelas grandes potências católicas, contribuindo para o fim do cisma em 1138.
No Concílio de Troyes (1129), ajudou a dar forma à Regra dos Cavaleiros Templários e, em honra da nova ordem, escreveu o tratado De laude novae militiae (“Em louvor da nova milícia”). Mais tarde, defendeu a fé contra os erros do filósofo Pedro Abelardo, cujas doutrinas contribuiu para condenar no Concílio de Sens (por volta de 1140-1141); a controvérsia opôs a “teologia do coração”, centrada na fé, à “teologia da razão”, e concluiu-se, anos depois, com a reconciliação dos dois, graças à mediação de Pedro, o Venerável, abade de Cluny.
A pedido do papa Eugênio III — antigo monge de Claraval —, pregou a Segunda Cruzada num grande discurso em Vézelay, em 1146, comovendo multidões. A empresa, porém, terminou em fracasso (1147-1149), o que ensombreceu profundamente os últimos anos do santo, que assumiu sobre si a responsabilidade do malogro.
Escritos, últimos anos e legado
Bernardo deixou vasta obra espiritual, entre a qual se destacam os celebérrimos Sermões sobre o Cântico dos Cânticos, o De diligendo Deo (“Sobre o amor de Deus”) e o De consideratione, escrito para o papa Eugênio III. Foi também ardente devoto de Maria Santíssima, exaltando o papel da Virgem na mediação das graças. Consumido pelas penitências e pelas fadigas do governo e das missões eclesiais, faleceu em Claraval no dia 20 de agosto de 1153. Foi canonizado em 18 de janeiro de 1174 pelo papa Alexandre III e proclamado Doutor da Igreja em 1830 pelo papa Pio VIII. Sua festa litúrgica é celebrada em 20 de agosto.
O contexto em que viveu
São Bernardo de Claraval (1090–1153) viveu no século XII, um tempo de profunda renovação da Igreja latina. Ele é herdeiro da Reforma Gregoriana, o movimento iniciado por São Gregório VII (1073–1085) que combateu a simonia e o nicolaísmo e lutou pela liberdade da Igreja diante do poder secular, sobretudo na Questão das Investiduras, o conflito entre papas e imperadores sobre quem nomeava bispos e abades. Esse embate, que se arrastou de 1076 a 1122, só foi pacificado pela Concordata de Worms (1122), assinada entre o imperador Henrique V e o papa Calisto II, que separou a investidura espiritual da temporal. Era, portanto, uma Igreja recém-saída de meio século de tensão com o Império, ainda empenhada em afirmar sua autonomia e a primazia do Romano Pontífice.
No campo monástico, o ideal de reforma encontrou expressão na nova Ordem de Cister. A abadia de Cister (Cîteaux), próxima de Dijon, na Borgonha, foi fundada em 1098 por São Roberto de Molesme, com o propósito de viver a Regra de São Bento em sua observância primitiva e austera — pobreza, trabalho manual e silêncio —, em reação ao relaxamento e à riqueza que se haviam instalado na grande abadia de Cluny. Sob o terceiro abade de Cister, São Estêvão Harding, a jovem ordem recebeu sua constituição, a Carta Caritatis (Carta de Caridade), confirmada pelo papa Calisto II em 23 de dezembro de 1119; este documento, que organizava as abadias num sistema de mães e filhas com capítulos gerais e visitações regulares, fez dos cistercienses a primeira ordem religiosa propriamente dita da história da Igreja. Foi nesse ambiente que Bernardo entrou em Cister em 1112, sendo enviado em 1115 a fundar a abadia de Claraval (Clairvaux), da qual seria abade até a morte.
Este foi também o tempo do grande cisma papal de 1130. À morte de Honório II, uma eleição disputada produziu dois pretendentes: Inocêncio II (Gregório Papareschi) e o antipapa Anacleto II (Pietro Pierleoni), apoiado por boa parte de Roma e pela poderosa família Pierleoni. Expulso de Roma, Inocêncio II refugiou-se na França, e coube em grande medida a Bernardo, ao lado de Pedro, o Venerável, abade de Cluny, e de Norberto de Xanten, persuadir os reis e bispos da Cristandade a reconhecer Inocêncio II como legítimo. A intervenção de Bernardo foi decisiva: por sua influência, o cisma foi-se esvaziando até a morte de Anacleto (1138) e seu encerramento no II Concílio de Latrão (1139).
Era igualmente uma época de efervescência intelectual, com o florescimento das escolas urbanas e da teologia escolástica, em tensão com a teologia monástica e contemplativa que Bernardo encarnava. Dessa tensão nasceram seus conflitos doutrinais: contra Pedro Abelardo, cujas proposições foram condenadas no Concílio de Sens (1141), levando o filósofo a apelar a Roma, ver a sentença confirmada por Inocêncio II e recolher-se a Cluny, sob a proteção de Pedro, o Venerável, onde morreu pouco depois (1142); e contra Gilberto Porretano (Gilberto de la Porrée), bispo de Poitiers, cujas teses sobre a Trindade foram examinadas no Concílio de Reims (1148).
O século XII foi também o século das Cruzadas e das novas ordens militares. Em 1129, no Concílio de Troyes — convocado com a participação de Bernardo e na presença do legado papal Mateus de Albano —, recebeu aprovação eclesiástica a Ordem dos Cavaleiros do Templo, a pedido de Hugo de Payns; Bernardo influenciou a Regra dos Templários e exaltou-os no tratado De laude novae militiae (Elogio da Nova Cavalaria). Anos depois, a queda de Edessa para Zengi, em 24 de dezembro de 1144, abalou a Cristandade e levou o papa Eugênio III a convocar a Segunda Cruzada pela bula Quantum praedecessores (1145, reeditada em 1146). Por mandato pontifício, Bernardo pregou a cruzada em Vézelay, na Borgonha, em 31 de março de 1146, perante o rei Luís VII de França e a rainha Leonor, e em seguida arregimentou o imperador Conrado III da Alemanha em Espira (Speyer), no fim de 1146. A expedição, porém, terminou em desastre: o cerco fracassado de Damasco, em julho de 1148, forçou a retirada dos reis, e a cruzada dissolveu-se em 1149; Bernardo, duramente criticado, atribuiu o fracasso aos pecados dos cruzados.
Coroando o prestígio cisterciense, em 1145 um discípulo de Bernardo, o monge de Claraval Bernardo Paganelli (Pisa), foi eleito papa com o nome de Eugênio III — o primeiro cisterciense a ascender ao trono de Pedro. A ele, seu antigo abade dirigiu o tratado De consideratione (c. 1148–1152), espelho de governo para o Romano Pontífice. Bernardo morreu em Claraval em 20 de agosto de 1153, poucas semanas depois do próprio Eugênio III, deixando a ordem cisterciense espalhada por mais de 160 abadias por toda a Europa.
Fatos contextuais
Suas contribuições à teologia
O centro do pensamento de São Bernardo de Claraval é o amor a Deus. No tratado De diligendo Deo (Sobre o amor a Deus) ele formula o princípio que ficou célebre: a causa de amar a Deus é o próprio Deus, e a medida desse amor é amá-lo sem medida — “Causa diligendi Deum, Deus est; modus, sine modo diligere”. Bernardo descreve quatro graus do amor: o homem que se ama a si por si; o que ama a Deus por proveito próprio; o que ama a Deus por Deus mesmo; e, no ápice, o que se ama a si unicamente por amor de Deus — estado de plena transformação na semelhança divina, raramente alcançado nesta vida.
Esse amor floresce como amor esponsal nos oitenta e seis Sermões sobre o Cântico dos Cânticos (Sermones super Cantica Canticorum), sua obra-prima, composta ao longo de cerca de dezoito anos. Nela, a alma é a esposa que busca o Verbo-Esposo, e o caminho passa pelo conhecimento de si e pelo conhecimento de Deus, rumo à união mística — “um só espírito” com Deus (cf. 1Cor 6,17). É a obra paradigmática da literatura monástica medieval sobre a união do amor com Deus.
A base de toda virtude é a humildade. Em seu primeiro tratado, De gradibus humilitatis et superbiae (Sobre os graus da humildade e da soberba), Bernardo descreve a subida pela humildade e a queda pela soberba, fundando nela toda a vida espiritual; ele próprio se dizia “servo inútil dos servos de Deus”.
O seu é um cristocentrismo afetivo: a verdadeira ciência de Deus é a experiência pessoal e profunda de Jesus Cristo e do seu amor. Daí a célebre doçura do Nome de Jesus — “Jesus é mel na boca, melodia no ouvido, júbilo no coração” — e a meditação amorosa na humanidade de Cristo. Foi por louvar a Cristo de modo que “manava como o mel” que recebeu o título de Doutor Melífluo.
A devoção a Maria ocupa lugar singular. Nas homilias Super “Missus est” (em louvor da Virgem Mãe) está o convite que atravessou os séculos: diante das tempestades, das ondas da soberba, da ambição ou da inveja, “olha a estrela, invoca Maria” — “respice stellam, voca Mariam”. E no sermão da Natividade da Virgem, Maria é o “aqueduto” da graça: por vontade de Deus, nada recebemos que não passe pelas mãos de Maria — caminho que vai “por Maria a Jesus” (per Mariam ad Iesum).
Bernardo é o grande representante da teologia monástica e mística diante da escolástica nascente. Contra o racionalismo dialético — que combateu em Pedro Abelardo, condenado no Concílio de Sens —, deu primado à experiência, à oração e ao amor sobre a pura especulação: busca-se a Deus mais facilmente na oração do que na disputa. Ainda assim, em De gratia et libero arbitrio (Sobre a graça e o livre-arbítrio) expõe, segundo os princípios de Santo Agostinho, a colaboração entre a graça de Deus e a liberdade humana, sem opor uma à outra.
"A causa de amar a Deus é Deus; a medida é amá-lo sem medida." De diligendo Deo, I, 1 (PL 182, 974)
Quem ele influenciou
Poucos homens marcaram tão profundamente o século XII quanto São Bernardo. Sob seu impulso, a Ordem de Cister conheceu uma expansão prodigiosa: dele se diz ter fundado cerca de 160 mosteiros e, ao morrer em 1153, a Ordem contava já 343 casas espalhadas por toda a Europa (Alemanha, Suécia, Inglaterra, Irlanda, Portugal, Suíça e Itália), de modo que os cistercienses o veneram como só os fundadores de ordens são honrados.Sua influência sobre o papado foi imensa: seu próprio discípulo Bernardo Paganelli foi eleito Papa Eugênio III (1145–1153), a quem dedicou os cinco livros do De consideratione, ainda hoje leitura recomendada aos Sumos Pontífices. Conselheiro de papas e reis, decidiu o cisma de 1130 em favor de Inocêncio II e pôs sua autoridade a serviço da Igreja em toda a cristandade.No campo da devoção mariana e da mística cristã sua marca é duradoura. Mestre do amor a Cristo e a Maria — per Mariam ad Iesum —, é tido como um dos maiores cantores da Virgem; sua mística do Cântico dos Cânticos e sua teologia do amor (o tratado De diligendo Deo, “amar a Deus sem medida”) influenciaram São Boaventura, que continuou a tradição mística bernardina, e a posteridade espiritual dos séculos seguintes.Dante Alighieri coroou essa fama colocando o próprio Bernardo no Paraíso como guia final do peregrino: no Canto XXXI da Comédia, Beatriz cede o lugar a São Bernardo, que conduz Dante à visão de Deus; e no Canto XXXIII o santo pronuncia a sublime prece à Virgem — “Vergine Madre, figlia del tuo figlio” (“Virgem Mãe, filha do teu Filho”).Mesmo fora dos limites da Igreja sua autoridade foi reconhecida: já o Papa Pio XII registrava que Bernardo foi louvado não só pelos Sumos Pontífices e escritores católicos, mas também, não raramente, por hereges. De fato, Martinho Lutero o citou e exaltou — chamando-o “o melhor monge que já viveu” —, embora o tenha lido seletivamente, segundo seus próprios fins. A Igreja o proclamou Doutor da Igreja (Pio VIII, 1830) e Doutor Melífluo, título consagrado por Pio XII na encíclica Doctor Mellifluus (1953), no oitavo centenário de sua morte.
Debates e controvérsias
O confronto com Pedro Abelardo (Concílio de Sens, 1141)
O embate com Pedro Abelardo é um dos maiores episódios intelectuais do século XII. Informado por Guilherme de Saint-Thierry de que Abelardo difundia erros, sobretudo em matéria trinitária, Bernardo o denunciou ao papa, e um concílio foi reunido em Sens (datado tradicionalmente em 1140/1141). Abelardo, após a abertura de Bernardo, recusou-se a responder e apelou ao papa; condenado, retirou-se para Cluny sob Pedro, o Venerável, onde morreu pouco depois, em comunhão com a Igreja.
A historiografia lê o episódio de modos diversos: para uns, defesa legítima da fé contra um intelectualismo que reduzia a fé a mera opinião; para outros, o confronto entre dois modelos teológicos — a “teologia do coração” monástica e a “teologia da razão” escolástica. Bento XVI, em 2009, reconheceu méritos a Abelardo (pai da escolástica, criador do termo “teologia” no sentido atual) ao mesmo tempo que dava razão às preocupações de Bernardo quanto ao subjetivismo moral e à relativização da verdade.
O caso de Gilberto Porretano (Concílio de Reims, 1148)
No Concílio de Reims (1148), Bernardo liderou o exame das proposições do escolástico Gilberto de la Porrée (Gilberto Porretano), bispo de Poitiers, sobre a Trindade e os atributos divinos. Bernardo foi escolhido para redigir uma profissão de fé contrária à de Gilberto. O desfecho foi moderado: Gilberto submeteu-se, e o papa condenou suas asserções sem o denunciar pessoalmente.
A Segunda Cruzada e seu fracasso (1146–1149)
Por encargo de Eugênio III, Bernardo pregou a Segunda Cruzada, com o célebre sermão de Vézelay (1146); reis e príncipes acorreram a tomar a cruz. O fracasso da expedição, porém, recaiu inteiramente sobre ele. Em sua defesa — inserida no segundo livro do De consideratione — Bernardo argumenta, à semelhança do que sucedeu com o povo hebreu no deserto, que foram os pecados, a indisciplina e a traição dos cruzados, e não a vontade de Deus nem a falta de sinais, a causa do desastre.
Tensões com Cluny e a amizade com Pedro, o Venerável
A ascensão de Cister incomodou os “monges negros” de Cluny. Acusado de invectivas contra eles, Bernardo respondeu, a pedido de Guilherme de Saint-Thierry, com a Apologia: na primeira parte inocenta-se das acusações; na segunda critica abusos concretos, professando porém profundo apreço pelos beneditinos de Cluny. A polêmica não rompeu a caridade: o abade de Cluny, Pedro, o Venerável, respondeu sem ferir a caridade, assegurando-lhe admiração e sincera amizade, relação que de polêmica se tornou amizade duradoura.
Fontes e referências
- vatican.va/content/pius-xii/en/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_24051953_doctor-mellifluus.html
- vatican.va/content/benedict-xvi/en/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20091021.html
- vatican.va/content/benedict-xvi/en/audiences/2009/documents/hf_ben-xvi_aud_20091104.html
- newadvent.org/cathen/02498d.htm
- britannica.com/biography/Saint-Bernard-of-Clairvaux
- pathsoflove.com/bernard/on-loving-god_la.html
- ccel.org/ccel/bernard/loving_god.all.html
- crossroadsinitiative.com/media/articles/love-of-bridegroom-and-bride-st-bernard-of-clairvaux/
- documentacatholicaomnia.eu/04z/z_1090-1153__Bernardus_Claraevallensis_Abbas__Epistolae_Opera_Omnia__LT.doc.html
- catholicsaints.info/saint-bernard-of-clairvaux/
- liturgia.pt/santos/santo_v.php?cod_santo=136
- vaticannews.va/pt/santo-do-dia/08/20/s--bernardo--abade-e-doutor-da-igreja.html
- en.wikipedia.org/wiki/Bernard_of_Clairvaux
- en.wikipedia.org/wiki/Carta_Caritatis
- en.wikipedia.org/wiki/Council_of_Troyes_(1129
- en.wikipedia.org/wiki/Second_Crusade
- en.wikipedia.org/wiki/De_consideratione
- en.wikipedia.org/wiki/Clairvaux_Abbey
- en.wikipedia.org/wiki/Troyes_Cathedral
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