São Policarpo de Esmirna
São Policarpo de Esmirna (c. 69 – c. 155) foi um dos principais Padres Apostólicos, bispo e mártir de Esmirna, na província romana da Ásia (atual Izmir, Turquia). Discípulo direto do apóstolo São João, foi uma ponte viva entre a geração dos Apóstolos e a Igreja do século II, transmitindo a fé recebida das testemunhas oculares de Cristo, como atesta seu próprio discípulo Santo Ireneu de Lyon. Companheiro de Santo Inácio de Antioquia, que lhe dirigiu uma carta, Policarpo é autor da Carta aos Filipenses e protagonista do Martírio de Policarpo, o mais antigo relato detalhado de martírio cristão fora do Novo Testamento. Defensor incansável da fé apostólica contra heresias como o marcionismo e o gnosticismo, foi queimado na fogueira por recusar negar a Cristo, declarando: “Há oitenta e seis anos eu O sirvo, e Ele nunca me fez mal algum.” A Igreja celebra a sua memória em 23 de fevereiro.
A vida
Discípulo dos Apóstolos e bispo de Esmirna
Nascido por volta do ano 69, Policarpo pertenceu à geração que recebeu a fé diretamente das mãos dos Apóstolos. Foi discípulo do apóstolo São João e conviveu, segundo o testemunho de Santo Ireneu, com muitos que tinham visto Cristo. Constituído bispo de Esmirna — importante cidade da província romana da Ásia, hoje Izmir, na Turquia — pelos próprios Apóstolos, tornou-se um dos mais venerados Padres Apostólicos, ao lado de São Clemente de Roma e Santo Inácio de Antioquia.
O testemunho mais comovente sobre ele vem de Santo Ireneu de Lyon, que o conhecera ainda jovem. Em sua Carta a Florino, conservada por Eusébio, Ireneu recorda com vivacidade “o próprio lugar em que o bem-aventurado Policarpo se sentava ao ensinar, as suas idas e vindas, o seu modo de vida e a sua aparência” e como ele narrava “tudo em harmonia com as Escrituras” o que ouvira das testemunhas oculares do Verbo da vida. Por essa cadeia de transmissão, Policarpo é uma ponte viva entre a era apostólica e a Igreja do século II.
Guardião da fé apostólica
Em um tempo em que floresciam as primeiras heresias — o gnosticismo, o docetismo e o marcionismo —, Policarpo foi um firme defensor da reta doutrina recebida dos Apóstolos. Ireneu relata que, ao encontrar-se com o herege Marcião, que lhe perguntou se o reconhecia, Policarpo respondeu: “Reconheço-te como o primogênito de Satanás.” Em Roma, a sua pregação levou “muitos a afastar-se dos hereges e a voltar à Igreja de Deus”.
Dele nos restou a Carta aos Filipenses, escrita a pedido daquela comunidade, exortando à perseverança na fé, à caridade e à vigilância contra a falsa doutrina. Nessa mesma carta, Policarpo testemunha a sua estreita ligação com Santo Inácio de Antioquia — que lhe escrevera a caminho do martírio — e revela que reuniu e enviou aos filipenses as cartas de Inácio que possuía, prestando à Igreja um serviço inestimável de preservação da tradição.
A viagem a Roma e a questão da Páscoa
Por volta do ano 154, já ancião, Policarpo viajou a Roma para tratar com o Papa Aniceto de questões disciplinares, sobretudo a data da celebração da Páscoa. As Igrejas da Ásia, seguindo a tradição que diziam ter recebido de São João, celebravam a Páscoa no dia 14 do mês de Nisã, qualquer que fosse o dia da semana (prática quartodecimana), enquanto Roma a observava sempre no domingo.
Embora nenhum dos dois conseguisse convencer o outro, deram um exemplo luminoso de comunhão eclesial: permaneceram unidos na caridade e Aniceto, em sinal de respeito, cedeu ao venerável bispo a celebração da Eucaristia na sua própria igreja. Como resume a tradição recolhida por Eusébio, a controvérsia não se encerrou, mas os laços da caridade não se romperam, e separaram-se em paz.
O martírio e o legado
Durante uma perseguição em Esmirna, o idoso bispo foi preso e levado ao estádio, diante do procônsul. Instado a renegar a Cristo para salvar a vida, Policarpo deu a célebre resposta: “Há oitenta e seis anos eu O sirvo, e Ele nunca me fez mal algum; como poderia eu blasfemar contra o meu Rei e Salvador?” Condenado à fogueira, conta o relato que as chamas se curvaram em forma de arco, como a vela de um navio inflada pelo vento, sem consumir o seu corpo, que resplandecia “como ouro e prata na fornalha”. Vendo que o fogo não o tocava, um carrasco o traspassou com um punhal; segundo a tradição, saiu uma pomba e tanto sangue que apagou a fogueira.
O seu martírio ocorreu por volta de 155 (alguns autores propõem 156 ou 166), no proconsulado de Estácio Quadrato. O Martírio de Policarpo, carta que a Igreja de Esmirna enviou às demais comunidades, é o mais antigo relato detalhado de martírio cristão fora do Novo Testamento e uma das primeiras testemunhas do culto aos mártires e da ideia do dies natalis — o dia da morte como nascimento para o Céu. A Igreja celebra São Policarpo em 23 de fevereiro.
O contexto em que viveu
Policarpo viveu na Ásia Menor romana do final do século I e da primeira metade do século II, sob os imperadores Trajano, Adriano e Antonino Pio. A sua cidade, Esmirna, era uma das mais prósperas e cultas da província romana da Ásia, célebre pela sua escola de retórica e por disputar com outras cidades o título de metrópole. Ali existia uma comunidade cristã organizada sob um bispo já por volta do ano 93.
Esmirna figura entre as sete Igrejas da Ásia a quem o livro do Apocalipse se dirige (Ap 2,8-11) — e, notavelmente, é uma das poucas que recebem do Senhor apenas palavras de louvor e o anúncio de provações e de fidelidade até a morte. Esse pano de fundo profético ilumina a própria vocação ao martírio que marcaria o seu bispo mais famoso.
Foi um tempo de passagem da geração apostólica para a sub-apostólica. Os últimos que tinham visto e ouvido os Apóstolos desapareciam, e a Igreja precisava garantir a fiel transmissão da fé. É nesse contexto que se destacam os Padres Apostólicos — Clemente de Roma, Inácio de Antioquia e o próprio Policarpo —, elos vivos que conservavam a frescura da fé da geração que ainda conhecera os Apóstolos.
O cristianismo era então uma religião não reconhecida pelo Estado, exposta a perseguições locais e à pressão do culto imperial, que exigia gestos de adoração ao imperador como prova de lealdade política. A recusa dos cristãos em oferecer incenso ao César expunha-os à acusação de impiedade e ateísmo, e foi precisamente essa recusa que conduziu Policarpo à fogueira no estádio de Esmirna.
Internamente, a Igreja enfrentava o desafio das heresias incipientes: o gnosticismo, com a sua pretensão de um conhecimento secreto; o docetismo, que negava a realidade da carne de Cristo; e o marcionismo, que rejeitava o Antigo Testamento e o Deus criador. Contra esses erros, os Padres Apostólicos firmaram a continuidade entre os Apóstolos e a Igreja, fundada na sucessão dos bispos e na fé pública recebida.
Nesse cenário, Policarpo encarna o ponto de articulação entre a era apostólica e a era patrística: discípulo de João, mestre de Ireneu, interlocutor de Inácio e do Papa Aniceto, ele é a memória viva que assegura à Igreja do século II a autenticidade do que recebera dos Apóstolos.
Como reconhecer São Policarpo de Esmirna na arte sacra
Os atributos visuais consolidaram-se na Idade Média e distinguem o santo nas obras sacras.
Linha do tempo
Eventos do santo à esquerda, eventos do mundo à direita — para situar a vida na história.
Milagres atribuídos à sua intercessão
Sinais e prodígios atribuídos à intercessão do santo, registrados pela tradição e pelos processos da Igreja.
A voz do céu antes do martírio
Ao entrar Policarpo no estádio, os irmãos presentes ouviram uma voz vinda do céu: “Sê forte, Policarpo, e age como homem.” Quem falou não foi visto, mas a voz foi ouvida pelos cristãos presentes (Martírio de Policarpo, cap. 9).
O fogo que não o consumiu, em forma de arco
Aceso o braseiro, o fogo formou-se em arco, como a vela de um navio inflada pelo vento, cercando como uma muralha o corpo do mártir; e ele aparecia no meio não como carne que queima, mas como pão que se assa, ou como ouro e prata reluzindo na fornalha, exalando um perfume como de incenso (Martírio de Policarpo, cap. 15).
A pomba e o sangue que apagou a fogueira
Como o fogo não o consumia, um carrasco o traspassou com um punhal; saiu então uma pomba e tão grande quantidade de sangue que apagou o fogo (Martírio de Policarpo, cap. 16). A menção à “pomba” é texto disputado: a Catholic Encyclopedia observa que provavelmente surgiu de uma corrupção textual (peristera/ep’aristera) ou de interpolação posterior; apresenta-se como tradição.
Multiplicação do trigo nos celeiros de Dafno (tradição lendária)
Segundo a Vida de Policarpo do pseudo-Pionius (séc. IV), visitando o bispo Dafno perto de Teos, diante dos tonéis quase vazios Policarpo impôs as mãos dizendo: “Em nome de Jesus Cristo, usai-os livremente”, e a partir daí o grão se multiplicou em abundância. Fonte hagiográfica tardia e historicamente sem valor (pseudo-Pionius); registrada apenas como lenda piedosa.
Extinção de um incêndio pela oração (tradição lendária)
Ainda segundo a Vida do pseudo-Pionius, quando um grande incêndio noturno ameaçava a cidade e ninguém conseguia apagá-lo, Policarpo orou olhando ao céu e a chama recolheu-se sobre si mesma, cedendo à sua voz. Episódio de fonte lendária tardia; registrado apenas como tradição.
Suas contribuições à teologia
O pensamento de São Policarpo é, antes de tudo, o de um guardião da fé apostólica recebida. Discípulo direto de São João e dos que viram o Senhor, ele não se apresenta como mestre original, mas como testemunha fiel da Tradição: na sua Carta aos Filipenses confessa que nem ele “nem qualquer outro como ele” pode igualar “a sabedoria do bem-aventurado e glorioso Paulo” (cap. 3), e exorta a comunidade a voltar “à palavra que nos foi transmitida desde o princípio”. A sua mensagem é a regra de fé entregue pelos Apóstolos e pelos profetas, não uma doutrina nova.
No centro está Jesus Cristo, a sua Paixão e Ressurreição. Policarpo proclama Cristo “que por nossos pecados sofreu até a morte, mas a quem Deus ressuscitou, tendo rompido os laços do sepulcro” (cap. 1), aquele que “levou os nossos pecados no seu próprio corpo sobre o madeiro” e “nenhum pecado cometeu” (cap. 8, citando 1Pedro). A fé é fundada nessa obra redentora, e dela brota a esperança da ressurreição dos que creem.
Policarpo é firme contra o docetismo: “todo aquele que não confessa que Jesus Cristo veio em carne é anticristo; e quem não confessa o testemunho da cruz é do diabo; e quem perverte os oráculos do Senhor segundo as suas próprias paixões e diz que não há ressurreição nem juízo, esse é o primogênito de Satanás” (cap. 7, ecoando 1João 4,3). A fé verdadeira confessa a encarnação real e a cruz.
Tema constante é a justiça e o caminho dos mandamentos: a própria carta diz tratar “da justiça” (cap. 3), exortando a andar “nos mandamentos do Senhor” e a guardar-se “de toda injustiça, cobiça e amor ao dinheiro” (cap. 2). Policarpo retoma de São Paulo que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (cap. 4, citando 1Timóteo 6,10), pois nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele.
A carta é um código de deveres do estado eclesial: as esposas devem amar os maridos em toda verdade e educar os filhos no temor de Deus; as viúvas, orar continuamente, sendo “o altar de Deus” (cap. 4); os diáconos, ser irrepreensíveis, “não caluniadores, não de língua dobre, nem amigos do dinheiro” (cap. 5); os jovens, guardar a pureza; os presbíteros, ser “compassivos e misericordiosos para com todos, reconduzindo os que se desviam, visitando os doentes, não negligenciando a viúva, o órfão ou o pobre” (cap. 6).
Sobressai a paciência à luz dos mártires: Policarpo exorta a ser “imitadores da paciência” de Cristo (cap. 8) e a exercitar “toda a paciência, tal como a vistes diante dos vossos olhos, não só no bem-aventurado Inácio, e Zósimo, e Rufo, mas também em Paulo e nos demais apóstolos” (cap. 9). A perseverança na oração e no jejum (cap. 7) e a esperança firme sustentam o cristão.
Por fim, o perdão e a misericórdia: diante do caso do presbítero Valente, que caíra na cobiça, Policarpo pede aos Filipenses que sejam moderados e não o tenham “como inimigo, mas o chamem de volta como membro sofredor e desgarrado, para que salveis todo o vosso corpo” (cap. 11), pedindo ao Senhor que lhe conceda verdadeiro arrependimento. A correção é ordenada à salvação, não à condenação.
Espiritualidade e carisma
Espiritualidade dos Padres Apostólicos
A espiritualidade de Policarpo é a dos Padres Apostólicos: enraizada na fidelidade à Tradição recebida diretamente dos Apóstolos, sobretudo de São João, e centrada na pessoa de Jesus Cristo, na sua Paixão e Ressurreição. É uma espiritualidade simples, escriturística e pastoral — a sua Carta aos Filipenses é tecida quase inteiramente de palavras das Escrituras e das cartas apostólicas, sinal de uma alma totalmente formada pela Palavra. Caracteriza-se pela firmeza na fé contra os que negam a encarnação, pela perseverança na oração e no jejum, pela prática da justiça e da caridade para com viúvas, órfãos e pobres, e pela paciência. O seu ápice é o martírio vivido como imitação de Cristo: capturado, recusa fugir dizendo “faça-se a vontade de Deus”, e antes de morrer reza dando graças por ser contado no número dos mártires, no cálice do seu Cristo. A caridade pastoral aparece na misericórdia para com o presbítero pecador Valente, a quem pede que reconduzam, não que condenem.
A mensagem de Policarpo permanece atualíssima como modelo de testemunho fiel e de coragem cristã: aos 86 anos, diante do procônsul que o instava a renegar Cristo, respondeu que havia oitenta e seis anos o servia e Ele nunca lhe fizera mal algum, e que não podia blasfemar contra o seu Rei e Salvador. Ele ensina que a fé não é doutrina secreta de intelectuais, mas o tesouro comum transmitido publicamente na Igreja. Profundamente ecumênico é o seu encontro com o Papa Aniceto em Roma: divergindo sobre a data da Páscoa, nenhum dos dois conseguiu convencer o outro, mas comungaram juntos, Aniceto cedeu-lhe a celebração da Eucaristia, e separaram-se em paz — exemplo luminoso de unidade na diversidade e de comunhão preservada acima das diferenças disciplinares.
Ordens, congregações e movimentos
Famílias religiosas que se reconhecem herdeiras do santo.
Padres Apostólicos
Grupo dos primeiros escritores cristãos em contato direto com os Apóstolos. Policarpo é considerado um dos três principais Padres Apostólicos, ao lado de São Clemente de Roma e Santo Inácio de Antioquia.
Tradição joanina da Ásia: João → Policarpo → Ireneu
Cadeia viva de discipulado apostólico: discípulo do Apóstolo São João, que o teria constituído bispo de Esmirna, Policarpo foi por sua vez mestre de Santo Ireneu de Lyon, que ainda jovem o ouviu pregar. É o elo histórico que liga a geração dos Apóstolos à Igreja do séc. II.
Igreja de São Policarpo (Esmirna / Izmir)
Igreja católica de Izmir (antiga Esmirna) dedicada a São Policarpo, tida como a mais antiga igreja católica da cidade. Reconstruída em 1625 e restaurada no séc. XIX, sobreviveu ao grande incêndio de Esmirna de 1922, num local que foi sede de uma das sete Igrejas do Apocalipse.
Suas obras principais
Obras de maior densidade e influência, com links diretos para o Codex quando disponíveis.
Carta aos Filipenses
Única obra autêntica de Policarpo que sobreviveu. Escrita em grego a pedido da Igreja de Filipos, que pedira uma exortação e cópias das cartas de Santo Inácio de Antioquia. Exorta à justiça, à perseverança na fé e à caridade; combate o docetismo (afirmando que quem não confessa que Jesus Cristo veio em carne é anticristo); trata com pesar do caso do presbítero Valente, caído na avareza, pedindo misericórdia para reconduzi-lo; e encaminha aos filipenses as cartas de Inácio que estes haviam solicitado. É densíssima em citações e alusões ao Novo Testamento (Paulo, Pedro, 1João, Mateus, Lucas). P. N. Harrison (1936) propôs que seria a fusão de duas cartas autênticas: um bilhete de acompanhamento às cartas de Inácio e o corpo principal, posterior.
Cartas a Igrejas vizinhas e a irmãos (perdidas)
Santo Ireneu, na Carta a Florino (preservada por Eusébio, História Eclesiástica V,20), testemunha que Policarpo enviou cartas “ou às Igrejas vizinhas, para confirmá-las, ou a alguns dos irmãos, admoestando-os e exortando-os”. Essas cartas não sobreviveram e nenhum título é conhecido; registradas apenas pela menção de Ireneu.
Como a Igreja celebra São Policarpo de Esmirna
Oração a São Policarpo de Esmirna
Ó Deus, que destes a São Policarpo a graça de conhecer-vos tão profundamente a ponto de entregar sua vida pelo testemunho do vosso Santo Nome, dai-nos, por sua intercessão, o amor e a coragem para testemunharmos a fé onde quer que seja preciso, para a glória do vosso Nome.
Novena a São Policarpo de Esmirna
Esta novena é rezada nos nove dias que antecedem a festa de São Policarpo de Esmirna, celebrada em 23 de fevereiro. Discípulo direto do apóstolo São João, bispo de Esmirna, Padre Apostólico e mártir, Policarpo é um elo vivo entre os Apóstolos e a Igreja dos séculos seguintes. Ao longo destes nove dias, contemplamos a sua fidelidade à fé recebida, o seu zelo pastoral, a sua caridade, a sua coragem no martírio e a sua esperança na ressurreição, pedindo, por sua intercessão, a graça de permanecermos fiéis a Cristo até o fim. Cada dia traz um tema da vida e da mensagem do santo, um versículo da Sagrada Escritura, uma breve meditação e uma oração final.
Discípulo dos Apóstolos e guardião da Tradição
Ap 2,8 — "Ao anjo da igreja de Esmirna, escreve: Eis o que diz o Primeiro e o Último, que foi morto e retomou..."
Bispo zeloso de Esmirna
1Pd 5,2 — "Velai sobre o rebanho de Deus, que vos é confiado. Tende cuidado dele, não constrangidos, mas espont..."
Guardião da fé contra as heresias
2Tm 4,7 — "Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé."
A caridade pastoral e a misericórdia
Jo 15,13 — "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos."
A paciência e a perseverança
Ap 2,10 — "Nada temas ante o que hás de sofrer. Sê fiel até a morte e te darei a coroa da vida."
A unidade na Igreja: o encontro com o Papa Aniceto
Ef 4,3 — "Sede solícitos em conservar a unidade do espírito no vínculo da paz."
A coragem do testemunho
Mt 10,32 — "Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de me..."
O martírio e o cálice de Cristo
Fl 1,21 — "Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro."
A esperança da ressurreição e o dies natalis
1Co 15,20 — "Mas não! Cristo ressuscitou dentre os mortos, como primícias dos que morreram!"
Como o povo reza a São Policarpo de Esmirna
Tríduos, novenas, ladainhas, medalhas e tradições locais que mantêm viva a presença do santo na piedade popular.
Tríduos, novenas e ladainhas
- Invocado contra a dor de ouvido e a disenteria — Pela tradição hagiográfica, São Policarpo é invocado como protetor contra a dor de ouvido e contra a disenteria. É costume recorrer à sua intercessão nessas enfermidades.
- Memória litúrgica de 23 de fevereiro — São Policarpo, bispo e mártir, é celebrado na Igreja em 23 de fevereiro (anteriormente, no calendário romano, em 26 de janeiro). Nesse dia recordam-se as suas palavras no martírio e a sua fidelidade a Cristo até a morte.
Medalhas e escapulários
- Culto às relíquias do mártir — Segundo o relato do Martírio de Policarpo, os cristãos de Esmirna recolheram os ossos do santo, “mais preciosos do que pedras preciosas e mais provados do que o ouro”, e os depositaram em lugar conveniente, reunindo-se ali com alegria para celebrar o aniversário do seu martírio. É um dos mais antigos testemunhos do culto cristão às relíquias dos mártires.
Tradições populares por região
Como o santo é vivido na piedade popular no mundo lusófono e além.
Em Esmirna, atual Izmir, na Turquia, conserva-se viva a memória do bispo mártir. A Igreja de São Policarpo é considerada a mais antiga igreja católica da cidade e centro da devoção local ao santo, recordando que ali, no estádio, Policarpo deu testemunho com o sangue. Logo após o martírio, os cristãos passaram a celebrar o aniversário da sua morte (dies natalis).
Padre Apostólico ligado às comunidades da Ásia Menor, São Policarpo é venerado também pelas Igrejas do Oriente, que o recordam entre os bispos mártires da era apostólica, ao lado de Santo Inácio de Antioquia. A sua festa figura nos sinaxários orientais.
O que São Policarpo de Esmirna nos diz hoje
"Tu me ameaças com um fogo que arde por uma hora e logo se apaga, mas ignoras o fogo do juízo vindouro e do castigo eterno, reservado aos ímpios. Mas por que tardas? Faze o que quiseres."
— Martírio de Policarpo, cap. 11"Deixai-me como estou; pois Aquele que me dá forças para suportar o fogo me capacitará também, sem que me prendais com pregos, a permanecer imóvel na pira."
— Martírio de Policarpo, cap. 13"Senhor Deus Todo-Poderoso, Pai do teu amado e bendito Filho Jesus Cristo, eu te dou graças por me teres considerado digno deste dia e desta hora, de que eu tenha parte no número dos teus mártires, no cálice do teu Cristo, para a ressurreição da vida eterna, tanto da alma quanto do corpo, na incorrupção do Espírito Santo."
— Martírio de Policarpo, cap. 14"Aquele que O ressuscitou dos mortos nos ressuscitará também a nós, se fizermos a sua vontade e andarmos em seus mandamentos, e amarmos o que Ele amou."
— Carta aos Filipenses, cap. 2"Todo aquele que não confessa que Jesus Cristo veio em carne é anticristo; e quem não confessa o testemunho da cruz é do diabo; e quem perverte os oráculos do Senhor segundo as suas próprias paixões, e diz que não há nem ressurreição nem juízo, esse é o primogênito de Satanás."
— Carta aos Filipenses, cap. 7"As viúvas sabem que são o altar de Deus, e que Ele percebe claramente todas as coisas, e que nada lhe está oculto, nem os raciocínios, nem as reflexões, nem qualquer dos segredos do coração."
— Carta aos Filipenses, cap. 4"Que os presbíteros sejam compassivos e misericordiosos para com todos, reconduzindo os que se desviam, visitando todos os enfermos, e não negligenciando a viúva, o órfão ou o pobre."
— Carta aos Filipenses, cap. 6Frases para guardar e compartilhar
Frases curtas para ler em silêncio, copiar, compartilhar e levar consigo.
"Oitenta e seis anos eu O sirvo, e Ele nunca me fez mal algum: como, então, poderia eu blasfemar contra o meu Rei e Salvador?"
"Faça-se a vontade de Deus."
"Sou cristão. E se desejas aprender quais são as doutrinas do cristianismo, marca-me um dia e as ouvirás."
"Conheço o primogênito de Satanás."
"Pois nem eu, nem nenhum outro semelhante a mim, pode igualar a sabedoria do bem-aventurado e glorificado Paulo."
A rede de influências espirituais
Ninguém é santo sozinho. Recebeu uma herança — e a transformou em legado.
Mestres e encontros decisivos
Policarpo foi formado pelo Apóstolo São João e pelos que tinham visto o Senhor. Ireneu testemunha tê-lo ouvido relatar o seu convívio com João e com os outros que tinham visto o Senhor, lembrando-se das suas palavras (Eusébio, HE V,20). O próprio Policarpo, segundo Ireneu, dizia ter observado a data da Páscoa como sempre a observara com João, o discípulo do Senhor, e os demais apóstolos com quem convivera (HE V,24). Dessa raiz apostólica brota toda a sua autoridade como guardião da Tradição.Marcou-o também a comunhão com Santo Inácio de Antioquia, que, a caminho do martírio em Roma, passou por Esmirna e lhe endereçou uma das suas sete cartas. Policarpo guarda Inácio como modelo de paciência (Carta aos Filipenses, cap. 9) e cuida de preservar e difundir as suas epístolas (cap. 13).Acima de tudo, Policarpo foi formado pela imersão nas Escrituras: confia que os Filipenses estão bem versados nas Sagradas Escrituras (cap. 12), e a sua linguagem está saturada do Antigo Testamento e das cartas apostólicas — de São Paulo, de 1Pedro e de 1João —, das quais a sua mensagem é praticamente tecida.
Discípulos e herdeiros através dos séculos
Policarpo é, na expressão dos estudiosos, o grande elo vivo entre a era apostólica e a Igreja do século II. Tendo sido discípulo de São João, ele transmitiu a fé a Santo Ireneu de Lyon, que o ouvira na sua juventude. Como recorda Bento XVI, o Evangelho pregado por Ireneu é aquele que lhe foi ensinado por Policarpo, e o Evangelho de Policarpo remonta ao Apóstolo João, de quem foi discípulo. Por meio de Ireneu — fonte capital contra o gnosticismo — o testemunho de Policarpo tornou-se um dos pilares da defesa da fé apostólica.Ireneu fez dele o argumento decisivo contra os hereges: Policarpo “não só foi instruído pelos apóstolos e conviveu com muitos que tinham visto Cristo, mas também foi constituído pelos apóstolos, na Ásia, bispo da Igreja de Esmirna” (Adv. Haer. III,3,4, citado por Eusébio, HE IV,14). Por isso era uma testemunha da verdade muito mais digna de fé do que Valentino, Marcião e os demais hereges.O Martírio de Policarpo, carta da Igreja de Esmirna (c. 155), é um dos mais antigos relatos martiriais cristãos e modelo de todo o gênero. Nele aparece, de forma explícita, a teologia do martírio como imitação de Cristo (“um martírio conforme ao Evangelho”, cap. 1) e o fundamento do culto aos mártires e às relíquias: os fiéis recolhem os seus ossos, “mais preciosos que pedras preciosas e mais provados que o ouro”, para “celebrar o aniversário do seu martírio” (cap. 18) — o dies natalis. O texto distingue cuidadosamente a adoração devida a Cristo, “Filho de Deus”, do amor com que se veneram os mártires “como discípulos e imitadores do Senhor” (cap. 17).A sua Carta aos Filipenses é um dos testemunhos mais preciosos da recepção precoce dos escritos do Novo Testamento: ela cita ou alude continuamente às cartas paulinas, a 1Pedro, a 1João e aos Evangelhos — segundo Britannica, provavelmente é a primeira a citar passagens dos Evangelhos de Mateus e Lucas, dos Atos e das cartas de Pedro e João. Lightfoot notava que “frase após frase é frequentemente composta de passagens dos escritos evangélicos e apostólicos”, o que faz da carta um marco para o estudo da formação do cânon.Por fim, Policarpo transmitiu também os escritos de Santo Inácio de Antioquia: na própria carta (cap. 13) diz ter enviado aos Filipenses “as Epístolas de Inácio... e todas as demais que temos conosco”, sendo assim peça-chave para a preservação e a coleção do epistolário inaciano.
Debates e controvérsias
As polêmicas começam ainda em vida — e nunca cessaram. Separamos as históricas (resolvidas pelo Magistério) das contemporâneas (em aberto).
Os grandes embates de seu tempo
A controvérsia quartodecimana e o encontro com o Papa Aniceto
As Igrejas da Ásia, segundo tradição que remontava a João, celebravam a Páscoa no 14.º dia de Nisã (quartodecimanismo), qualquer que fosse o dia da semana, ao passo que Roma a celebrava sempre no domingo. Por volta de 154-155 Policarpo foi a Roma tratar a questão com o Papa Aniceto. Como relata Ireneu (Eusébio, HE V,24), nem Aniceto pôde persuadir Policarpo a não observar o que sempre observara com João, nem Policarpo persuadir Aniceto. Apesar da divergência, comungaram juntos, e Aniceto, como sinal de respeito, cedeu-lhe a celebração da Eucaristia; separaram-se em paz. É controvérsia disciplinar resolvida sem ruptura de comunhão, modelo clássico de unidade na diversidade.
A data do martírio: 155 versus 167
O subscrito do Martírio fixa a morte em 23 de fevereiro, “no proconsulado de Estácio Quadrato”. O Chronicon de Eusébio, porém, situa-a sob Marco Aurélio, por volta de 166-167. A erudição moderna debateu intensamente a data proconsular: W. Waddington, seguido por Lightfoot, datou o proconsulado de Quadrato em 154-155 (martírio em fevereiro de 155), a partir de dados do retórico Élio Aristides; J. Schmid propunha 165-166. As objeções epigráficas e numismáticas inviabilizaram o sistema de Schmid, e prevaleceu a data de c. 155/156, que também se harmoniza melhor com a ligação de Policarpo a João e a Inácio.
A integridade da Carta aos Filipenses: a hipótese das duas cartas
Em 1936 P. N. Harrison propôs que a Carta aos Filipenses seria a fusão de duas cartas autênticas de Policarpo: uma breve nota de acompanhamento das epístolas de Inácio (essencialmente o cap. 13), escrita pouco depois da passagem de Inácio; e uma carta posterior (caps. 1-12), redigida anos depois em resposta à crise do presbítero Valente. A tese partia da tensão entre o cap. 9 (que parece supor Inácio já morto) e o cap. 13 (que pareceria pressupô-lo vivo). A hipótese tornou-se quase padrão por décadas, mas continua discutida: muitos estudiosos defendem a unidade da carta.
Possíveis interpolações no Martírio
Vários elementos do Martírio foram tidos por possíveis acréscimos. O mais debatido é a pomba que sai do seu lado ao ser traspassado (cap. 16): Lightfoot, Funk e Zahn consideram que provavelmente nasceu de uma corrupção textual (o grego peristera, “pomba”, por ep’ aristera, “do lado esquerdo”) ou de interpolação. Também o pós-escrito final, com a cadeia de cópias, é atribuído ao pseudo-Pionius. Discutem-se ainda os fortes paralelos do relato com a Paixão evangélica, lidos por alguns como estilização teológica do redator.
Polêmicas ainda em aberto
Valor ecumênico do episódio com Aniceto
O encontro de Policarpo com o Papa Aniceto é hoje frequentemente citado em contexto ecumênico como modelo de “unidade na diversidade”: duas práticas litúrgicas legítimas (a quartodecimana asiática e a romana) coexistindo sem ruptura de comunhão, porque a comunhão eclesial não se rompe por divergências disciplinares. O contraste com a posterior tensão entre o Papa Vítor e as Igrejas asiáticas — que Ireneu reprovou apelando justamente ao exemplo de Aniceto — alimenta a reflexão atual sobre como conciliar primado, diversidade de ritos e comunhão.
O Martírio de Policarpo nas origens do culto aos mártires e às relíquias
O texto é estudado como um dos primeiros, se não o primeiro, testemunho da veneração das relíquias de um santo e da comemoração anual no dies natalis (cap. 18). Permanece debatido entre os historiadores até que ponto o relato reflete uma prática já consolidada por volta de 155 ou se incorpora desenvolvimentos posteriores — discussão ligada à própria datação do documento.
Policarpo, o cânon do Novo Testamento e a tradição apostólica
A Carta aos Filipenses, densíssima em alusões ao Novo Testamento, é fonte central no debate atual sobre a formação do cânon e sobre quão cedo os escritos paulinos, 1Pedro e 1João circulavam como autoridade. Igualmente, o testemunho de Policarpo (via Ireneu) sobre a transmissão pública e ininterrupta da fé desde os Apóstolos continua a ser invocado nas discussões teológicas sobre Tradição, sucessão apostólica e a relação entre Escritura e Igreja.
Relíquias e locais de devoção
Conhecer onde estão suas relíquias é conhecer a história espalhada da Igreja.
Recolhimento e sepultamento dos ossos em Esmirna
Após o martírio, e apesar da oposição dos adversários que queriam impedir qualquer memorial, os cristãos recolheram os ossos de Policarpo — “mais preciosos que pedras preciosas e mais purificados que o ouro” — e os depositaram em lugar conveniente, para ali celebrarem o aniversário (dies natalis) do martírio. É um dos mais antigos testemunhos do culto às relíquias (Martírio de Policarpo, caps. 17-18). O local exato é desconhecido; a coordenada indica a cidade.
Igreja de São Policarpo (Aziz Polikarp) em Izmir
Igreja católica dedicada a São Policarpo, tida como a mais antiga igreja de Izmir/Esmirna, erguida com permissão do sultão otomano e a pedido da coroa francesa; reconstruída em 1625 e restaurada no séc. XIX. Sobreviveu ao grande incêndio de Esmirna de 1922 que arrasou os arredores. Sítio de memória e peregrinação ligado ao bispo-mártir da cidade. (Não consta posse documentada de relíquia corpórea do santo.)
Relíquias sob o altar-mor de Sant'Ambrogio della Massima, Roma
Relíquias atribuídas a São Policarpo, bispo de Esmirna, são guardadas sob o altar-mor da igreja romana de Sant'Ambrogio della Massima, com inscrição em grego e latim ao lado do altar. Pela tradição, teriam chegado a Roma com a comunidade de monjas bizantinas que, fugindo da controvérsia iconoclasta, se instalou em Campo Marzio no séc. VIII, trazendo várias relíquias. Atribuição tradicional, sem documentação primária da translação.
Braço/mão direita atribuídos em Naupacto, Grécia
Braço (e/ou mão) direito atribuído a São Policarpo, conservado por mais de 500 anos no mosteiro da Dormição da Theotokos, em Ampelakiotissa, perto de Naupacto. A relíquia foi furtada em 2013 e parte dela recuperada anos depois. Atribuição de tradição oriental tardia, sem prova de autenticidade.
Onde está São Policarpo de Esmirna hoje
Mini-mapa visual: itinerário das relíquias e principais santuários (ilustrativo, não cartograficamente preciso).
Curiosidades sobre São Policarpo de Esmirna
Fatos pouco conhecidos — pequenas janelas para a humanidade do santo.
Diante do procônsul que o mandava amaldiçoar Cristo, Policarpo respondeu: “Há oitenta e seis anos eu O sirvo, e Ele nunca me fez mal algum; como, então, poderia blasfemar contra o meu Rei, que me salvou?” — a sua frase mais célebre.
Quando o lançaram à fogueira, segundo o relato da Igreja de Esmirna o fogo se moldou “em forma de arco, como a vela de um navio cheia pelo vento”, envolvendo o seu corpo sem o consumir.
Como as chamas não o matavam, um carrasco foi mandado traspassá-lo com um punhal; brotou tal quantidade de sangue que o próprio fogo se apagou.
O texto do Martírio menciona que do seu corpo saiu uma pomba — detalhe ausente na citação de Eusébio e, segundo o consenso de estudiosos desde Lightfoot, provavelmente uma interpolação posterior de copista (tradição, não dado histórico seguro).
Em Roma, já idoso, encontrou-se com o Papa Aniceto sobre a data da Páscoa (controvérsia quartodecimana): não chegaram a acordo, mas permaneceram em comunhão, e Aniceto cedeu-lhe presidir a celebração da Eucaristia na sua igreja, em sinal de paz.
Ao cruzar com o herege Marcião, que lhe perguntou “Não me reconheces?”, Policarpo respondeu: “Reconheço-te como o primogênito de Satanás.”
O “Martírio de Policarpo”, carta da Igreja de Esmirna, é o mais antigo relato de martírio cristão fora do Novo Testamento e um dos primeiros testemunhos do culto às relíquias e da celebração do “dies natalis” (aniversário) do mártir.
Esmirna, a sua sé episcopal, é uma das sete Igrejas do Apocalipse (Ap 2,8-11), a única — com Filadélfia — que recebe só elogios e nenhuma repreensão: “Sê fiel até a morte, e te darei a coroa da vida.”
Suas obras no Codex
Epístola de Policarpo aos Filipenses
A Epístola de Policarpo aos Filipenses é uma carta pastoral do bispo de Esmirna, escrita no início do século II. Exorta...
No CodexO Martírio de Policarpo
O Martírio de São Policarpo narra a prisão, julgamento e morte do bispo de Esmirna, discípulo dos apóstolos. Fiel até o...
Fontes e referências
- newadvent.org/fathers/0136.htm
- newadvent.org/fathers/0102.htm
- newadvent.org/fathers/0110.htm
- newadvent.org/fathers/250104.htm
- newadvent.org/fathers/250105.htm
- newadvent.org/fathers/0103303.htm
- newadvent.org/cathen/12219b.htm
- newadvent.org/cathen/01514a.htm
- newadvent.org/cathen/14060b.htm
- vatican.va/content/benedict-xvi/en/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070314.html
- vatican.va/content/benedict-xvi/en/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070328.html
- britannica.com/biography/Saint-Polycarp
- catholicsaints.info/saint-polycarp-of-smyrna/
- tertullian.org/fathers/pionius_life_of_polycarp_01_text.htm
- en.wikipedia.org/wiki/Polycarp
- en.wikipedia.org/wiki/Saint_Polycarp_Church
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