Andrea Vanni (c. 1332-1414), afresco c. 1400, Basílica de San Domenico, Siena · fonte · PD
Santa Catarina de Sena
Santa Catarina de Sena foi uma mística e terciária dominicana italiana do século XIV, conhecida por sua intensa vida de oração, suas visões e seu profundo amor à Igreja. Reformadora destemida, teve papel decisivo no retorno do papado de Avignon a Roma em 1377 e na defesa do papa legítimo durante o Cisma do Ocidente. Autora do “Diálogo da Divina Providência”, das Cartas e das Orações, foi canonizada por Pio II em 1461 e proclamada Doutora da Igreja por Paulo VI em 1970, sendo copadroeira da Itália e da Europa.
A vida
Infância, formação e conversão
Catarina nasceu em Sena (Siena), na Toscana, em 25 de março de 1347, festa da Anunciação, no bairro de Fontebranda. Era filha de Jacopo (Giacomo) di Benincasa, tintureiro de profissão, e de Lapa Piagenti, filha de um poeta local. Foi uma das filhas mais novas de uma família numerosíssima, a vigésima quarta de vinte e cinco filhos; sua irmã gêmea, Joana (Giovanna), a última do casal, viveu apenas poucos meses.
Desde a mais tenra infância Catarina começou a ter visões e a praticar austeridades. Aos seis anos teve uma primeira visão, na qual contemplou Jesus Cristo entronizado, com os santos Pedro e Paulo. Aos sete anos consagrou a Cristo a sua virgindade, fazendo voto particular de pertencer só a Deus. Por volta dos dezesseis anos, movida por uma visão de São Domingos, tomou o hábito das Terceiras Dominicanas, conhecidas como Mantellate (pelo manto negro sobre a túnica branca), mulheres ligadas à Ordem de São Domingos que, embora vestissem o hábito, viviam em suas próprias casas a serviço dos pobres e doentes. Recolhida num pequeno quarto da casa paterna, renovou a vida dos antigos anacoretas do deserto, em oração e penitência.
Ao fim do carnaval de 1367, segundo seu próprio relato, teve a experiência mística conhecida como o “desposório místico” ou esponsais espirituais: Jesus, acompanhado de sua Mãe e de outros santos, desposou-a a si na fé.
Vida adulta e missão principal
Após esse período de reclusão, Catarina voltou ao convívio da família e dedicou-se a cuidar dos doentes, especialmente os atingidos pelas enfermidades mais repulsivas, a servir os pobres e a trabalhar pela conversão dos pecadores. Durante a peste negra, que assolou a Toscana, entregou-se ao cuidado do corpo e da alma das vítimas em sua cidade natal. Em torno dela formou-se um admirável grupo espiritual de discípulos, homens e mulheres, que a chamavam de mãe e que ela chamava de sua famiglia ou “bella brigata”.
Catarina tornou-se protagonista de intensa atividade de orientação espiritual de pessoas de toda condição — nobres e políticos, artistas e gente simples — e de uma ação pública pela paz e pela reforma da Igreja, ditando centenas de cartas, pois aprendeu a ler tardiamente e a escrever só por volta dos trinta anos. Sua maior obra foi obter o regresso do papado a Roma. Em 1376 foi como mediadora a Avignon, junto ao papa Gregório XI, durante o conflito que pusera Florença sob interdito. Triunfando sobre os obstáculos, contribuiu decisivamente para que o Papa deixasse Avignon e regressasse a Roma, onde entrou em 17 de janeiro de 1377.
Em 1378 irrompeu o Grande Cisma do Ocidente, com a eleição do antipapa Clemente VII em Fondi. Desde o princípio Catarina aderiu com entusiasmo ao papa legítimo, Urbano VI, defendendo-o em cartas e exortações enviadas a príncipes e cardeais para angariar apoio à sua causa.
Lutas, controvérsias e perseguições
A atuação de uma jovem leiga que dirigia almas e se imiscuía nos assuntos da Igreja despertou suspeitas. Em 1374 Catarina foi chamada a Florença, provavelmente para ser examinada pelas autoridades dominicanas reunidas no Capítulo Geral da Ordem. Satisfez os rigorosos juízes e sua obra recebeu proteção oficial dos dominicanos; nessa ocasião foi-lhe dado como diretor espiritual e confessor o frade Beato Raimundo de Cápua, que se tornaria Mestre Geral da Ordem e seu primeiro biógrafo, autor da Legenda Maior.
Sua vida foi marcada por penitências e jejuns extremos. Durante longos períodos alimentou-se apenas de água, ervas e da Sagrada Eucaristia, suportando esse rigor como expressão de seu amor a Deus e de reparação pela Igreja.
Últimos anos e legado
Estando em Pisa, no quarto domingo da Quaresma de 1375, Catarina recebeu os estigmas da Paixão de Cristo, embora, a seu pedido, as marcas não aparecessem visivelmente em seu corpo enquanto viveu. Em 1378, a chamado do papa Urbano VI, dirigiu-se a Roma para auxiliá-lo na defesa da unidade da Igreja durante o Cisma. Ali, debilitada pelas penitências e pelo sofrimento, faleceu em 29 de abril de 1380, com apenas 33 anos.
Catarina deixou como herança espiritual o Diálogo da Divina Providência, uma coleção de quase quatrocentas cartas e uma série de Orações, obras-primas da literatura espiritual, todas ditadas. Foi canonizada pelo papa Pio II, sienense como ela, em 1461. Em 1939 foi declarada padroeira da Itália por Pio XII, juntamente com São Francisco de Assis. Em 4 de outubro de 1970, Paulo VI proclamou-a Doutora da Igreja — uma das duas primeiras mulheres, com Santa Teresa de Ávila, a receber esse título. Em 1999, São João Paulo II constituiu-a copadroeira da Europa, ao lado de Santa Brígida da Suécia e de Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein).
O contexto em que viveu
Santa Catarina viveu no conturbado século XIV, um dos períodos mais sombrios e dramáticos da história da Europa cristã. Nascida em Siena em 1347, veio ao mundo às vésperas da maior catástrofe demográfica do continente: a Peste Negra, que alcançou sua cidade natal em maio de 1348 e, segundo o cronista contemporâneo Agnolo di Tura, dizimou mais da metade da população de Siena. A morte, o luto e a fragilidade da vida marcaram profundamente a sensibilidade religiosa de toda a sua geração.
Era também o tempo do chamado cativeiro babilônico da Igreja: desde 1309 os papas residiam em Avignon, no sul da atual França, e não em Roma, junto ao túmulo do Apóstolo Pedro. Essa ausência prolongada da Sé romana enfraquecia o prestígio do papado e o deixava exposto à influência da coroa francesa, enquanto a Itália central, privada do governo pontifício, mergulhava na desordem e nas lutas entre facções.
A península itálica estava fragmentada em repúblicas e senhorias em guerra permanente. Entre 1375 e 1378, Florença liderou uma coligação de cidades contra os Estados Pontifícios no conflito que ficou conhecido como a Guerra dos Oito Santos: o papa Gregório XI excomungou os florentinos e lançou a cidade sob interdito em 1376, e a revolta alastrou-se por dezenas de cidades do território da Igreja. Foi nesse cenário de guerra que Catarina se ofereceu como mediadora de paz.
Convencido em grande parte pela insistência ardente de Catarina, Gregório XI deixou Avignon e devolveu a sede papal a Roma em janeiro de 1377, pondo fim ao período avinhonês. Mas a paz durou pouco. Com a morte de Gregório XI, a eleição de Urbano VI em abril de 1378 foi contestada por um grupo de cardeais que, em setembro do mesmo ano, elegeram o antipapa Clemente VII, abrindo o Grande Cisma do Ocidente: a cristandade ficou dividida entre duas obediências — Roma e novamente Avignon — por quase quatro décadas. Catarina dedicou os dois últimos anos de sua vida, em Roma, à defesa intransigente da legitimidade de Urbano VI e da unidade da Igreja.
Como reconhecer Santa Catarina de Sena na arte sacra
Os atributos visuais consolidaram-se na Idade Média e distinguem o santo nas obras sacras.
Linha do tempo
Eventos do santo à esquerda, eventos do mundo à direita — para situar a vida na história.
Milagres atribuídos à sua intercessão
Sinais e prodígios atribuídos à intercessão do santo, registrados pela tradição e pelos processos da Igreja.
Desposório místico com Cristo (o anel invisível)
Provavelmente no carnaval de 1366, Catarina relatou a Beato Raimundo de Cápua uma visão na qual Cristo a desposou na fé, dizendo-lhe: “Eu, teu Criador e Salvador, desposo-te na fé.” Segundo Raimundo de Cápua, ela passou a ver no dedo um anel nupcial visível somente a ela. Relato hagiográfico segundo seu confessor e biógrafo.
A troca do coração com Cristo
Segundo Raimundo de Cápua, numa visão Cristo retirou o coração de Catarina e, dias depois, voltou trazendo nas mãos um coração rubro e luminoso, colocando-o no lado dela e dizendo-lhe que lhe dava o seu próprio coração. Relato místico segundo seu biógrafo.
Estigmas recebidos em Pisa
No quarto domingo da Quaresma de 1375, rezando diante de um crucifixo na igreja de Santa Cristina, em Pisa, Catarina recebeu os estigmas da Paixão. Segundo o relato que confiou a Raimundo de Cápua, das cinco chagas do Senhor partiram raios que tocaram suas mãos, pés e coração; a seu pedido, as marcas permaneceram invisíveis aos outros enquanto viveu. A validade dos estigmas foi reconhecida pelo papa Urbano VIII em 1623.
Inédia: viver da Eucaristia
Nos últimos anos da vida, Catarina passou por longos períodos vivendo praticamente sem outro alimento além do Santíssimo Sacramento (inédia eucarística), sustentada pela Comunhão. Fenômeno místico relatado por seu confessor e pela tradição.
Conversão de Niccolò di Toldo no cadafalso
Niccolò di Toldo, jovem nobre condenado à morte em Siena, recusava-se revoltado a aceitar a sentença. Catarina visitou-o na prisão, levou-o à conversão e à confissão e acompanhou-o ao cadafalso. Em sua célebre carta a Raimundo de Cápua (carta 273), ela narra que recebeu nas mãos a cabeça do jovem, cuja boca dizia apenas “Jesus” e “Catarina”.
Imunidade ao fogo durante os êxtases
A tradição relata que, arrebatada em êxtase, Catarina por vezes caía sobre o fogo do lar, sendo retirada das chamas sem qualquer marca de queimadura. Desse episódio deriva, em parte, seu patrocínio contra incêndios. Relato devocional.
Dom profético e o Grande Cisma
Catarina é lembrada por seu dom profético e por advertências sobre as divisões da Igreja. Após a eleição de um antipapa em 1378 e o início do Grande Cisma do Ocidente, foi chamada por Urbano VI a Roma para sustentar o papa legítimo.
Reconhecimento oficial dos estigmas
Por terem sido visíveis somente a ela em vida, os estigmas de Catarina foram objeto de exame eclesiástico; sua validade foi oficialmente reconhecida pelo papa Urbano VIII em 1623, autorizando sua representação iconográfica com as chagas.
Suas contribuições à teologia
No centro do pensamento de Santa Catarina de Sena está o duplo conhecimento que ela aprendeu na oração: o conhecimento de si e o conhecimento de Deus. No Diálogo da Divina Providência, a alma se eleva na “cela do conhecimento de si mesma” para melhor conhecer nela a bondade de Deus, pois ao conhecimento segue o amor. Daí a fórmula que resume toda a sua mística, ouvida do Pai eterno: “Tu és Aquele que é, e eu sou aquela que não é” — quem se conhece criatura, reconhece em Deus o seu Ser.
A imagem mestra do Diálogo é a da Ponte: Cristo crucificado, enviado pelo Pai, é a ponte que liga a margem do céu à da terra, de modo que ninguém vai ao Pai senão por Ele. Essa ponte tem três degraus, figurados nos pés, no lado e na boca de Cristo, que correspondem aos três estados da alma que sobe do temor ao amor perfeito; seus muros de virtude estão cimentados pelo Sangue de Cristo e cobertos pela misericórdia. Por isso Catarina é chamada a mística do Sangue: é o precioso sangue do Filho de Deus, derramado na Cruz, que vence a morte e revela a verdade do Pai e o preço de cada alma.
Tudo nela é movido pela Verdade e pela caridade. Deus é a Verdade primeira, e é também o “fogo sempre ardente e nunca consumido” que queima o amor próprio e enche a alma de amor. Para Catarina, o amor a Deus é inseparável do amor ao próximo: a caridade que se recebe na cela do conhecimento de si transborda em serviço, intercessão e zelo pela salvação das almas.
Desse amor brota a obediência e o amor ardente à Igreja, o Corpo Místico onde o Sangue de Cristo é dispensado nos sacramentos. Catarina chama o Romano Pontífice de “doce Cristo na terra” e ensina que separar-se da obediência ao sucessor de Pedro é privar-se do fruto do Sangue do Filho de Deus. Por isso trabalhou pelo retorno do Papa a Roma e pela reforma da Igreja — uma reforma que, para ela, se faz não com guerra, mas com a santidade pessoal, com humildes e contínuas orações, suores e lágrimas dos servos de Deus, começando pela conversão de cada coração.
Espiritualidade e carisma
Espiritualidade dominicana (cateriniana)
Catarina pertence à escola espiritual dominicana, marcada pela busca da Verdade (Veritas) e pela caridade que se faz anúncio. Sua espiritualidade, hoje chamada cateriniana, parte do duplo conhecimento — o conhecimento de si na cela do conhecimento de si mesma e o conhecimento da bondade de Deus —, do qual nasce o amor. É uma mística cristocêntrica e eucarística, centrada no Sangue de Cristo e em Cristo como Ponte entre o céu e a terra. Inseparável do amor a Deus está o amor ao próximo e o zelo pela salvação das almas; e inseparável de Cristo está o amor obediente à Igreja e ao Papa, o doce Cristo na terra. Como filha de São Domingos, sua contemplação não termina em si mesma, mas se prolonga em caridade ativa, intercessão e exortação à reforma da Igreja pela santidade pessoal.
A espiritualidade de Catarina permanece atualíssima. Proclamada Doutora da Igreja por Paulo VI em 1970 — a primeira mulher, com Teresa de Ávila — e copadroeira da Europa, ela mostra que a santidade e a contemplação não afastam da vida pública, mas impelem a ela: leiga, mulher sem formação acadêmica, tornou-se conselheira de papas e voz profética em tempos de crise eclesial. Fala hoje aos leigos chamados a agir no mundo a partir de uma vida interior sólida, às mulheres na Igreja como exemplo de protagonismo espiritual, e a todos os que desejam reformar a Igreja: para Catarina, a verdadeira reforma não vem do poder nem do conflito, mas começa na própria conversão, na oração e no amor à Verdade.
Ordens, congregações e movimentos
Famílias religiosas que se reconhecem herdeiras do santo.
Ordem dos Pregadores (Dominicanos)
Ordem fundada por São Domingos de Gusmão e confirmada pelo papa Honório III em 22 de dezembro de 1216, dedicada à pregação, ao estudo e à verdade (Veritas). É a grande família religiosa de Catarina, à qual pertenceu como terciária.
Terceira Ordem Dominicana (Mantellate)
As Mantellate eram um grupo de mulheres piedosas de Siena, na maioria viúvas, ligadas à espiritualidade dominicana, que usavam o manto (mantello). Aos cerca de 16 anos, movida por uma visão de São Domingos, Catarina ingressou nesse ramo feminino, que mais tarde se formalizaria como a Terceira Ordem Dominicana.
A famiglia (bella brigata) de Catarina
Círculo de discípulos e secretários reunidos em torno de Catarina, que a chamavam de mãe. Entre eles: Beato Raimundo de Cápua, O.P. (confessor e biógrafo, futuro Mestre Geral); Stefano Maconi (secretário, depois cartuxo); o poeta Neri di Landoccio dei Pagliaresi; Barduccio Canigiani; e Tommaso Caffarini (promotor de seu culto). Eles preservaram e difundiram seus escritos.
Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena (Natal)
Congregação religiosa dominicana inspirada na santa, fundada por Madre Rose Niland, O.P., em Newcastle (Natal, África do Sul), em 1896. Exemplo de família religiosa moderna que toma Santa Catarina por padroeira e modelo (há várias outras congregações homônimas com a mesma inspiração).
Suas obras principais
Obras de maior densidade e influência, com links diretos para o Codex quando disponíveis.
O Diálogo da Divina Providência
Obra-prima mística de Santa Catarina e principal síntese de sua doutrina, que lhe valeu o título de Doutora da Igreja. Ditada em toscano aos discípulos enquanto Catarina estava em grande parte em êxtase. Estrutura-se como um diálogo entre a alma e Deus Pai, que responde a quatro petições: por ela mesma, pela reforma da Igreja, pelo mundo inteiro e pela certeza da divina providência. Articula-se em quatro tratados: da Divina Providência, da Discrição, da Oração e da Obediência. Imagem central: Cristo como uma Ponte lançada entre o céu e a terra, com três degraus.
As Cartas (Epistolário)
Vasto epistolário composto nos últimos anos de vida, ditado a secretários. Sobreviveram cerca de 380 cartas (o número varia conforme a edição: 353 na coletânea de Tommaso Caffarini; 383 em edições críticas modernas; até 386 em alguns recensores). Dirigidas a destinatários de toda condição: aos papas Gregório XI e Urbano VI, a reis, governantes de repúblicas, cardeais, bispos, religiosos e leigos. Documento maior de sua ação reformadora e de sua espiritualidade.
As Orações
Coletânea de 26 orações pronunciadas por Catarina em estado de êxtase e postas por escrito pelos discípulos presentes, sobretudo nos últimos anos de vida. Exprimem, em tom de elevação e intimidade com Deus, a mesma doutrina do Diálogo e das Cartas.
Como a Igreja celebra Santa Catarina de Sena
Oração a Santa Catarina de Sena
Ó notável maravilha da Igreja, serva virgem, que, por causa de suas extraordinárias virtudes e pelo que conseguistes para a Igreja e a sociedade, fostes aclamada e abençoada por todos. Voltai o Vosso bondoso olhar para mim, que, confiante na Vossa poderosa proteção, Vos peço, com todo o ardor da afeição, e Vos suplico...
Novena a Santa Catarina de Sena
Novena de nove dias em honra de Santa Catarina de Sena (1347-1380), terciária dominicana, mística e Doutora da Igreja, padroeira da Itália e da Europa. Tradicionalmente rezada nos nove dias que antecedem a festa (29 de abril). Cada dia contempla um traço da sua vida e espiritualidade — o conhecimento de si, o Sangue de Cristo, a caridade, o amor à Igreja e ao Papa, a obediência e a santidade no meio do mundo — pedindo, por sua intercessão, as graças desejadas.
Rezar a novena no Pocket Terço
A vocação desde a infância
Jr 1,5 — "Antes que te formasses no seio de tua mãe, eu já te conhecia; antes que saísses do seu ventre, eu já..."
A cela interior
Mt 6,6 — "Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai,..."
Terciária dominicana
Mc 10,21 — "Jesus, fixando nele o olhar, amou-o e disse-lhe: Uma só coisa te falta: vai, vende tudo o que tens,..."
O conhecimento de si e de Deus
Sl 8,5 — "Que é o homem para dele te lembrares, e o filho do homem para com ele te importares?"
O Sangue de Cristo
1Pd 1,18-19 — "Sabei que não foi mediante coisas perecíveis, como a prata ou o ouro, que fostes resgatados, mas pel..."
A caridade para com o próximo
1Cor 13,4 — "A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrog..."
O amor à Igreja e ao Papa
Mt 16,18 — "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do..."
Obediência e abandono à vontade de Deus
Fl 2,8 — "E, sendo encontrado na figura de homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e..."
Doutora da Igreja, mestra da verdade
Fl 1,21 — "Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro."
Como o povo reza a Santa Catarina de Sena
Tríduos, novenas, ladainhas, medalhas e tradições locais que mantêm viva a presença do santo na piedade popular.
Tríduos, novenas e ladainhas
- Devoção dominicana e a festa de 29 de abril — Como terciária de São Domingos, Santa Catarina é especialmente venerada na família dominicana. Sua memória litúrgica é celebrada em 29 de abril, com missas, novenas e tríduos em paróquias e fraternidades dominicanas.
- Devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus — Inspirada na espiritualidade de Santa Catarina, mística do Sangue de Cristo, muitos devotos unem à sua intercessão a devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus, contemplando a Paixão do Senhor.
Tradições populares por região
Como o santo é vivido na piedade popular no mundo lusófono e além.
Na Basílica de San Domenico, em Siena, na capela de Santa Catarina, venera-se a cabeça-relíquia e o polegar da santa. Após sua morte em Roma, a cabeça foi levada a Siena, onde foi recebida em solene procissão em 1385. É um dos principais centros de devoção a Santa Catarina.
O corpo de Santa Catarina repousa sob o altar-mor da Basílica de Santa Maria sopra Minerva, em Roma, igreja dominicana onde ela morreu em 1380. O local é meta de peregrinação dos devotos.
Em Siena, a casa onde a santa viveu com a família foi transformada em Casa-Santuário. Os peregrinos visitam os ambientes e objetos ligados à sua vida, num itinerário cateriniano pela cidade.
Em 1939, Pio XII declarou Santa Catarina padroeira principal da Itália, junto com São Francisco de Assis; em 1999, João Paulo II a proclamou copadroeira da Europa. É invocada por essas nações e pela unidade do continente.
O que Santa Catarina de Sena nos diz hoje
"Trindade eterna, Divindade, mistério profundo como o mar, não poderíeis dar-me dom maior do que o dom de Vós mesmo. Vós sois um fogo sempre ardente e nunca consumido, que consome em si todo o amor-próprio da minha alma; Vós sois um fogo que tira toda a frieza e ilumina a mente com a sua luz, e com esta luz me fizestes conhecer a vossa verdade."
— Diálogo da Divina Providência, cap. 167"Vós, ó Trindade eterna, sois um mar profundo, no qual quanto mais entro mais encontro, e quanto mais encontro mais Vos busco; a alma nunca se sacia no vosso abismo, porque continuamente tem fome de Vós, Trindade eterna, desejando ver-Vos com luz na vossa luz."
— Diálogo da Divina Providência, cap. 167"Eu sou aquela que não é, e se eu falasse como sendo algo de mim mesma, estaria mentindo, porque só Vós sois Aquele que é."
— Diálogo da Divina Providência (oração pela Santa Igreja)"Sabes, filha, quem és tu e quem sou Eu? Se souberes estas duas coisas, serás bem-aventurada: tu és aquela que não é, e Eu sou Aquele que é."
— Beato Raimundo de Cápua, Legenda Maior (Vida de Santa Catarina de Sena)"Eu vos disse, minha filha, que a Ponte vai do Céu à terra; isto pela união que fiz com o homem. Esta Ponte, meu Filho unigênito, tem três degraus, dos quais dois foram feitos com a madeira da santíssima Cruz."
— Diálogo da Divina Providência (Tratado da Ponte)"A alma que se eleva por um grandíssimo e ardente desejo da honra de Deus e da salvação das almas começa por exercitar-se nela; porque o conhecimento deve preceder o amor."
— Diálogo da Divina Providência, cap. 1"Desejo e peço na verdade que useis virilmente do tempo que vos resta, seguindo a Cristo, de quem sois vigário."
— Carta ao Papa Gregório XI (1376)"Deveríeis ser anjos sobre a terra, postos para nos libertar dos demônios do inferno, e tomastes o ofício dos demônios."
— Carta aos três cardeais italianos (1378)Frases para guardar e compartilhar
Frases curtas para ler em silêncio, copiar, compartilhar e levar consigo.
"Se fordes aquilo que deveis ser, poreis fogo a toda a Itália. (Se sarete quello che dovete essere, metterete fuoco in tutta Italia.)"
A rede de influências espirituais
Ninguém é santo sozinho. Recebeu uma herança — e a transformou em legado.
Mestres e encontros decisivos
Santa Catarina formou-se inteiramente na tradição dominicana. Movida por uma visão de São Domingos de Gusmão, ingressou na Ordem Terceira de São Domingos, entre as chamadas Mantellate, e fez da máxima dominicana de comunicar aos outros o que se contemplou o programa da sua vida.Seu pensamento está enraizado na grande teologia da Ordem dos Pregadores, especialmente em São Tomás de Aquino — cuja reverência eucarística e cuja doutrina, mediadas por seu diretor espiritual, ela assimilou, dando-lhes um tom afetivo e ligando-as à imagem do Sangue de Cristo. Familiarizou-se também com os Padres da Igreja, sobretudo Santo Agostinho e São Gregório Magno, com São Paulo e com a Sagrada Escritura, que permeia toda a sua obra.Foi decisiva a figura do Beato Raimundo de Cápua, seu confessor, diretor espiritual e biógrafo, depois Mestre Geral dos Dominicanos, que guiou e transmitiu o seu ensinamento. A tudo isso se uniu uma intensa tradição mística — experiências de êxtase, do matrimônio místico e da troca dos corações — que constitui a fonte viva da sua doutrina espiritual.
Discípulos e herdeiros através dos séculos
A influência de Santa Catarina de Sena marcou profundamente a Igreja e a história europeia. Terceira dominicana e leiga sem instrução formal, ela tornou-se uma das vozes mais decisivas do século XIV: foi a força que persuadiu o papa Gregório XI a deixar Avignon e retornar a Roma, em 17 de janeiro de 1377, levando à conclusão a obra espiritual já iniciada por Santa Brígida da Suécia e pondo fim ao chamado cativeiro avinhonense do papado.Durante o Grande Cisma do Ocidente, aderiu sem hesitação ao papa legítimo, Urbano VI, e gastou as forças que lhe restavam, em Roma, trabalhando pela reforma da Igreja e pela unidade da cristandade. Sua atuação fez dela modelo de mulher leiga ativa no coração das questões eclesiais e sociais: dirigiu-se a prelados de toda categoria exigindo integridade, e não temeu admoestar com franqueza o próprio Papa, a quem amava como o “doce Cristo na terra”.Sua herança espiritual e doutrinal levou o papa Paulo VI a proclamá-la Doutora da Igreja em 4 de outubro de 1970 — ela e Santa Teresa de Ávila foram as primeiras mulheres a receber esse título. Em 1.º de outubro de 1999, São João Paulo II, com a Carta Apostólica Spes Aedificandi, declarou-a copadroeira da Europa, ao lado de Santa Brígida da Suécia e de Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), apresentando-a como referência para o continente que não deve esquecer as raízes cristãs que estão na origem do seu progresso.No plano cultural, suas obras — o Diálogo da Divina Providência, o epistolário de quase quatrocentas cartas e a coleção de Orações — figuram entre os clássicos da língua italiana, escritos no belo vernáculo toscano do século XIV. O Diálogo foi descrito como o equivalente místico, em prosa, da Divina Comédia de Dante, e Catarina é tida como uma das primeiras mulheres escritoras da tradição literária italiana.
Debates e controvérsias
As polêmicas começam ainda em vida — e nunca cessaram. Separamos as históricas (resolvidas pelo Magistério) das contemporâneas (em aberto).
Os grandes embates de seu tempo
Suspeitas sobre uma jovem leiga sem instrução nos assuntos da Igreja
Catarina era uma jovem leiga, terceira dominicana, sem educação formal, que passou a intervir abertamente nas questões eclesiásticas e políticas do seu tempo, dirigindo cartas e admoestações a cardeais, soberanos e ao próprio Papa. Numa época que dificilmente concebia tal protagonismo numa mulher iletrada, sua autoridade espiritual e sua audácia despertaram desconfiança em alguns setores eclesiásticos.
O exame perante o Capítulo Geral dominicano em Florença (1374)
Em 1374, Catarina foi convocada a Florença, provavelmente para ser interrogada pelas autoridades da Ordem dos Pregadores reunidas em Capítulo Geral, a fim de que se examinasse a autenticidade da sua experiência e da sua ortodoxia. Tudo indica que saiu aprovada do exame: a ausência de qualquer condenação posterior e a designação do Beato Raimundo de Cápua como seu confessor e guia mostram que foi considerada ortodoxa. A questão ficou, assim, historicamente resolvida.
Os estigmas invisíveis e a divergência entre dominicanos e franciscanos
Em Pisa, em 1375, Catarina teria recebido os estigmas, mas, a seu pedido expresso, por humildade, as chagas não se mostraram exteriormente no seu corpo enquanto ela viveu, permanecendo visíveis apenas a ela mesma. Justamente por serem invisíveis, tornaram-se motivo de contenda entre dominicanos e franciscanos, parte dos quais não admitia que uma mulher pudesse receber as chagas de Cristo.
A disputa chegou à própria representação artística da santa: a promoção visual dos estigmas de Catarina foi fortemente contestada pelos franciscanos, apoiados, no fim do século XV, por um papa da sua ordem, Sisto IV, que chegou a restringir as imagens de Santa Catarina com os estigmas — disposição largamente ignorada na prática e mais tarde superada, com a validade dos estigmas reconhecida por Urbano VIII em 1623. Trata-se de uma controvérsia histórica, hoje encerrada.
Polêmicas ainda em aberto
Ícone do papel da mulher na Igreja
A escolha de Catarina como Doutora da Igreja (1970) e copadroeira da Europa (1999) inscreve-se, segundo São João Paulo II, na tendência providencial da Igreja e da sociedade contemporâneas de reconhecer cada vez mais claramente a dignidade e os dons específicos da mulher. Hoje sua figura é lida frequentemente como modelo de mulher leiga, sem cargo nem ordenação, cuja voz teve peso na Igreja pela santidade, pelo serviço e pela convicção — o que a torna referência viva nos debates atuais sobre a presença e a participação das mulheres na vida eclesial.
Leitura da sua atuação eclesial e política hoje
Sua intervenção firme junto a papas e governantes, em meio a guerras, peste, decadência eclesial e lutas de poder, é frequentemente atualizada como exemplo de fidelidade corajosa à Igreja em tempos de crise. Comentadores católicos contemporâneos veem na sua exigência de reforma e de unidade uma palavra de ressonância surpreendente diante das crises do presente.
Copadroado da Europa e identidade europeia
Como copadroeira da Europa, Catarina é invocada nos debates sobre a identidade do continente e suas raízes cristãs: João Paulo II a propôs como memória viva de que a Europa não deve esquecer as raízes cristãs que estão na origem do seu progresso, ligando sua figura à construção espiritual e cultural do continente no terceiro milênio.
Releitura de suas penitências e jejuns extremos
Os jejuns rigorosíssimos de Catarina, narrados pelo seu confessor Raimundo de Cápua, têm sido objeto de releitura por óticas modernas. Estudiosos como Rudolph Bell e Caroline Walker Bynum divergem: o primeiro propõe uma chave psicológica, enquanto a segunda insiste em compreender a abstinência como linguagem religiosa e eucarística própria das mulheres medievais, e não como mera patologia. O tema permanece em discussão acadêmica e deve ser tratado com sobriedade, sem sensacionalismo.
Patronatos e causas de intercessão
Patronatos oficiais (proclamados pela Igreja) e intercessões populares (sancionadas pela prática secular).
⚜ Patronato oficial
Proclamados pela Santa Sé ou tradição litúrgica firmemente estabelecida.
- Itália
- Europa
- Enfermeiros
Relíquias e locais de devoção
Conhecer onde estão suas relíquias é conhecer a história espalhada da Igreja.
Corpo (sob o altar-mor)
Santa Catarina morreu em Roma em 29 de abril de 1380 e foi sepultada na igreja dominicana de Santa Maria sopra Minerva. Seu corpo (sem a cabeça e um dedo, levados a Siena) repousa num sarcófago de mármore sob o altar-mor da basílica.
Cabeça (sacro capo) e polegar
A cabeça foi separada do corpo em 1381, por ordem do papa Urbano VI, e levada de Roma para Siena, onde os sieneses a conduziram em procissão à Basílica de San Domenico em 5 de maio de 1385. A cabeça é venerada num relicário na capela de Santa Catarina; o polegar é guardado em relicário próprio na mesma basílica.
Santuário Casa de Santa Catarina
Casa natal da família Benincasa, onde Catarina nasceu e viveu, adquirida pela comuna de Siena pouco após a canonização e transformada em santuário com oratórios e capelas. Importante local de peregrinação cateriniana.
Pé esquerdo
O pé esquerdo de Santa Catarina é conservado em Veneza, na igreja dominicana dos Santi Giovanni e Paolo, doado ao convento veneziano pelo Mestre Geral da Ordem, Gioacchino Torriani, no fim do século XV.
Onde está Santa Catarina de Sena hoje
Mini-mapa visual: itinerário das relíquias e principais santuários (ilustrativo, não cartograficamente preciso).
Curiosidades sobre Santa Catarina de Sena
Fatos pouco conhecidos — pequenas janelas para a humanidade do santo.
Catarina nasceu em 25 de março de 1347, festa da Anunciação, e foi uma das filhas mais novas de uma família numeríssima de Jacopo (Giacomo) Benincasa e Lapa Piagenti: a tradição a apresenta como a 24.ª de 25 filhos. Teve uma irmã gêmea, Giovanna, que morreu ainda bebê.
Vivendo em silêncio e solidão, aprendeu a ler já adulta: a tradição devocional fala em dom recebido de Deus para rezar o Ofício; relatos mais sóbrios atribuem o aprendizado às próprias Mantellate.
Embora de instrução limitada, ditou o Diálogo da Divina Providência e centenas de cartas, tornando-se uma das grandes escritoras espirituais da língua italiana e um marco da literatura toscana do século XIV.
É copadroeira da Europa: foi proclamada por São João Paulo II em 1.º de outubro de 1999, ao lado de Santa Brígida da Suécia e Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) — as três mulheres entre os seis padroeiros do continente (os outros são São Bento, São Cirilo e São Metódio).
É uma das apenas quatro mulheres Doutoras da Igreja, ao lado de Santa Teresa de Ávila, Santa Teresa de Lisieux e Santa Hildegarda de Bingen. Catarina e Teresa de Ávila foram as duas primeiras, declaradas por Paulo VI em 1970.
Foi figura decisiva para o fim do cativeiro de Avignon: com cartas e em pessoa, instou energicamente o papa Gregório XI a deixar Avignon e retornar a Roma, o que ocorreu em 1377.
Suas relíquias estão divididas: o corpo repousa sob o altar-mor da Basílica de Santa Maria sopra Minerva, em Roma; a cabeça (o sacro capo) foi separada do corpo em 1381 e é venerada na Basílica de San Domenico, em Siena, sua cidade natal.
É invocada como padroeira contra incêndios e da prevenção de incêndios, tradição ligada ao relato de que, arrebatada em êxtase, caía sobre o fogo do lar sem sofrer queimaduras.
Foi canonizada em 29 de junho de 1461 pelo papa Pio II, ele próprio sienês. Sua memória litúrgica é celebrada em 29 de abril.
Em sua iconografia aparecem o anel do desposório místico (visível só a ela), os estigmas, o lírio, o livro, o crucifixo e o coração — referência à troca do coração com Cristo.
Fontes e referências
- newadvent.org/cathen/03447a.htm
- vatican.va/content/benedict-xvi/en/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20101124.html
- vatican.va/content/paul-vi/it/apost_letters/documents/hf_p-vi_apl_19701004_mirabilis-in-ecclesia.html
- vatican.va/content/paul-vi/it/homilies/1970/documents/hf_p-vi_hom_19701003.html
- vatican.va/content/john-paul-ii/en/motu_proprio/documents/hf_jp-ii_motu-proprio_01101999_co-patronesses-europe.html
- vatican.va/content/john-paul-ii/it/homilies/1980/documents/hf_jp-ii_hom_19800429_centenario-caterina-siena.html
- vaticanstate.va/it/stato-governo/note-generali/santo-del-giorno/1788-29-aprile-santa-caterina-da-siena-patrona-d-italia-e-compatrona-d-europa.html
- britannica.com/biography/Saint-Catherine-of-Siena
- ccel.org/ccel/catherine/dialog.html
- gutenberg.org/files/26961/26961-h/26961-h.htm
- centrostudicateriniani.it/santa-caterina-da-siena/
- it.cathopedia.org/wiki/Caterina_da_Siena
- visitsiena.it/en/the-relics-of-st-catherine/
- santamariasopraminerva.it/en/5-tomb-of-st-catherine-of-siena.html
- catholicsaints.info/saint-catherine-of-siena/
- pocketterco.com.br/oracao/oracao-a-santa-catarina-de-sena
- vaticannews.va/pt/santo-do-dia/04/29/s--catarina-de-sena--virgem--doutora-da-igreja--padroeira-da-eur.html
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