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Medalius · Codex de Personalidades · Metódio de Olímpia (Methodius)
Metódio de Olímpia (Methodius)
🏛 Padre da Igreja
Período
260–311 (51 anos)
Lugar
Olímpia, Lícia (Ásia Menor)
Estado canônico
Santo
Escola
Patrística ante-nicena; teologia anti-origenista
Idioma principal
Grego
Santo · Padre da Igreja

Metódio de Olímpia (Methodius)

260–311
Bispo e Mártir Padre da Igreja

Metódio de Olímpia (c. 260 – c. 311/312) foi bispo, mártir e Padre da Igreja de língua grega, um dos principais escritores cristãos do período ante-niceno. Autor do "Banquete das Dez Virgens" e de tratados sobre a ressurreição e o livre-arbítrio, destacou-se como vigoroso defensor da ortodoxia contra o origenismo. É venerado como santo e mártir no Oriente e no Ocidente, com festa a 18 de setembro.

Biografia

Origens e formação

As origens de Metódio são incertas. As fontes patrísticas o situam na Lícia, região da costa sul da Ásia Menor, mas nada de seguro se conhece sobre sua família, seu nascimento ou sua juventude. É consenso que recebeu uma educação grega ampla, com forte influência da filosofia de Platão, perceptível na forma dialogada e no vocabulário de suas obras. Floresceu na segunda metade do século III, sendo geralmente datado por volta de 260 a 311/312 d.C.


Episcopado e atividade literária

Metódio foi bispo de Olímpia, na Lícia. Sobre a segunda sede que teria ocupado, as fontes divergem: São Jerônimo afirma que foi depois bispo de Tiro, mas a maioria dos autores antigos e dos estudiosos modernos considera essa indicação duvidosa, propondo Pátara como leitura mais provável. Como autor, deixou uma obra extensa em grego. A mais célebre é o "Banquete das Dez Virgens" (em grego, Symposium), elogio da virgindade composto à maneira do Banquete de Platão, único de seus escritos conservado integralmente em grego. Escreveu ainda tratados teológicos e filosóficos, vários deles dirigidos contra as doutrinas de Orígenes.


Controvérsia origenista e martírio

Metódio é lembrado sobretudo como um dos primeiros opositores sistemáticos de Orígenes. Combateu, em especial, a doutrina da preexistência das almas e a concepção de que o corpo ressuscitado não seria idêntico ao corpo terreno, sustentando, contra ela, a integridade do corpo e da alma na ressurreição; opôs-se também à tese da eternidade do mundo. Segundo a tradição patrística, morreu mártir ao fim das perseguições, provavelmente sob Maximino Daia, no encerramento da perseguição diocleciana, por volta de 311/312. São Jerônimo registra que foi coroado com o martírio em Cálcis, na Grécia, acrescentando que outros situavam sua morte já no tempo de Décio e Valeriano — divergência que as fontes não resolvem.


Legado

Boa parte da obra de Metódio chegou até nós de modo fragmentário: além do "Banquete", conservado em grego, alguns tratados sobrevivem em fragmentos gregos transmitidos por autores como Epifânio e Fócio, e outros escritos menores preservaram-se apenas em antigo eslavo eclesiástico. Venerado como santo e mártir tanto no Oriente quanto no Ocidente, Metódio foi redescoberto pelos estudos patrísticos modernos como uma das vozes mais importantes da teologia ante-nicena de língua grega, sobretudo na defesa da ortodoxia diante da especulação origenista.

Contexto

O contexto em que viveu

Metódio de Olímpia (c. 260 – c. 311/312) viveu na Ásia Menor durante o último grande embate entre o Império Romano e o cristianismo, na geração imediatamente anterior ao Concílio de Niceia (325). Era bispo na Lícia — região costeira do sul da Anatólia, onde florescia uma cristandade de língua grega culta, em contato direto com a herança filosófica helênica de Platão, dos neoplatônicos e do biblicismo alexandrino.


O mundo eclesiástico em que escreveu era marcado pela Grande Perseguição, desencadeada por Diocleciano em 23 de fevereiro de 303, com éditos que mandavam destruir as Escrituras e os templos cristãos, confiscar bens e privar os cristãos de direitos. Embora Galério tenha promulgado o Édito de Tolerância em 30 de abril de 311, no Oriente — justamente nas províncias de Metódio — Maximino Daia retomou a repressão a partir do outono de 311 e a manteve por 312, fazendo mártires entre bispos e fiéis. É nesse cenário que a tradição situa o martírio de Metódio, ao fim da última perseguição. A paz só viria com a derrota de Maximino por Licínio em 313 e o Édito de Milão (junho de 313), de Constantino e Licínio, que concedeu tolerância plena ao cristianismo.


No plano doutrinal, o tempo de Metódio foi o do primeiro grande acerto de contas com o legado de Orígenes de Alexandria (c. 185 – c. 253). A teologia origeniana, brilhante mas ousada, propunha a pré-existência das almas, a alegorização sistemática das Escrituras e uma compreensão "espiritual" da ressurreição, segundo a qual o corpo ressuscitado não seria o mesmo corpo da vida terrena. Bispo grego e leitor de Platão, Metódio foi o primeiro opositor científico de Orígenes: em obras como o "Banquete das Dez Virgens" (Symposion) e, sobretudo, no tratado "Sobre a Ressurreição" (Aglaofão) e "Sobre o Livre-Arbítrio", combateu essas teses, defendendo a identidade do corpo ressuscitado, a liberdade humana contra o determinismo gnóstico e a virgindade como virtude máxima da vida cristã. Sua obra prepara, no Oriente pré-niceno, o solo das grandes controvérsias teológicas que o Concílio de Niceia (325), póstumo a ele, abriria de modo solene.

Fatos contextuais
Nascimento de Metódio (c. 260)
Metódio nasce por volta de 260, na Ásia Menor (provavelmente na Lícia). A data e...
Episcopado na Lícia (c. fim do séc. III)
Segundo São Jerônimo (De Viris Illustribus 83), Metódio foi bispo de Olímpia, na...
Composição do "Banquete das Dez Virgens" (Symposion)
Metódio compõe seu "Symposion" (Banquete das Dez Virgens), diálogo ao estilo pla...
Início da Grande Perseguição de Diocleciano
Em 23 de fevereiro de 303, Diocleciano manda demolir a igreja de Nicomédia; no d...
Obras antiorigenistas: "Sobre a Ressurreição" e "Sobre o Livre-Arbítrio"
Metódio escreve seus tratados de maior peso teológico: "Sobre a Ressurreição" (A...

Suas contribuições à teologia

O pensamento de Metódio de Olímpia é, antes de tudo, o do primeiro adversário científico de Orígenes: um teólogo grego que herda o método alegórico alexandrino, mas o usa contra as conclusões origenistas, defendendo a fé eclesial pré-nicena sobre a carne, a virgindade e a liberdade.


A ressurreição do mesmo corpo

No tratado Sobre a Ressurreição (Aglaofão), Metódio combate frontalmente a tese de Orígenes de que o corpo ressuscitado não é o mesmo que se teve em vida. Ele sustenta que o próprio corpo do homem, e não outro, será despertado à incorruptibilidade na ressurreição — a carne é restaurada, não substituída por um corpo espiritualizado. É um dos primeiros testemunhos sistemáticos da fé na ressurreição da carne contra a sua espiritualização.


A virgindade como participação em Cristo e na Igreja

No Banquete (Symposion, ou Sobre a Castidade), dez virgens, no jardim de Areté (Virtude), elogiam por sua vez a virgindade cristã e a sua sublime excelência. A virgindade ocupa o lugar que o eros tinha em Platão: torna-se a virtude que tudo abrange na vida cristã, caminho de restauração da imagem divina na alma. O diálogo conclui com um hino a Cristo como Esposo da Igreja (o hino de Tecla).


O livre-arbítrio contra o dualismo gnóstico

No tratado Sobre o Livre-Arbítrio (De autexousio), Metódio ataca a explicação gnóstica da origem do mal e prova a liberdade da vontade humana: o mal não procede de uma matéria coeterna a Deus. Ele expõe os efeitos do pecado de Adão sobre a liberdade do homem e mostra que a expiação de Jesus restaura o equilíbrio e a liberdade da vontade perdidos na queda.


O uso moderado da alegoria

Como Orígenes — e influenciado por ele no método —, Metódio recorre largamente à interpretação alegórica da Escritura; mas, ao contrário do alexandrino, não deixa traço de origenismo na sua doutrina da queda nem das realidades últimas. Herda a forma, rejeita as conclusões.


A Igreja Mãe e Virgem; a recapitulação

Em eco de Ireneu, Metódio desenvolve o tema da recapitulação: estabelece o vínculo arquetípico entre Adão, o primeiro homem, nascido da terra virgem, e Cristo, o arquivirgem, nascido de mãe virgem, que por sua vida e morte restitui aos homens a liberdade e a castidade. Os efeitos dessa restauração chegam aos fiéis pela Igreja Mãe e Virgem, que gera misticamente os seus filhos e os nutre com o leite da sua graça.

"A virgindade é algo sobrenaturalmente grande, maravilhoso e glorioso; e, para falar claramente e de acordo com as Sagradas Escrituras, este melhor e mais nobre modo de vida é, ele só, a raiz da imortalidade, e também a sua flor e as suas primícias." O Banquete das Dez Virgens, Discurso I (Marcela), cap. 1
Influência

Quem ele influenciou

A influência de Metódio liga-se sobretudo ao seu papel de primeiro grande crítico de Orígenes e de testemunha da fé pré-nicena na ressurreição da carne e na virgindade.Foi Epifânio de Salamina quem mais o aproveitou nas suas refutações de Orígenes: é a Epifânio (Panarion / Haereses 64) e a Fócio (Bibliotheca 234–237) que devemos os maiores fragmentos gregos de obras de Metódio que de outro modo se teriam perdido. Epifânio chama-o "homem douto e valentíssimo defensor da verdade", e São Jerônimo, "mártir eloquentíssimo" (disertissimus martyr).Boa parte da sua obra sobreviveu apenas em versão eslava eclesiástica antiga — os tratados Sobre o Livre-Arbítrio e Sobre a Ressurreição conservam-se em eslavo (com poucos fragmentos gregos), e quatro escritos menores (Sobre a Vida, Sobre os Alimentos, Sobre a Lepra, Sobre a Sanguessuga) só nos chegaram nessa tradução. A transmissão eslava é, assim, decisiva para o conhecimento do seu pensamento.Nos estudos patrísticos modernos, Metódio é valorizado como elo entre Ireneu e a teologia posterior da virgindade e da ressurreição, e como autor do diálogo "mais platônico de toda a literatura cristã antiga". As edições de Bonwetsch e os estudos de Diekamp, Quasten e Bardenhewer fixaram o seu lugar na história da teologia.

Debates

Debates e controvérsias

A polêmica anti-origenista

Metódio entrou na história da teologia como o primeiro opositor científico de Orígenes, ainda que reconhecesse os seus grandes serviços à teologia eclesiástica. Atacou pontos precisos da sua doutrina:

  1. a tese de que o corpo da ressurreição não é o mesmo corpo que se teve em vida (refutada em Sobre a Ressurreição);
  2. a eternidade do mundo e a noção de uma criação eterna (combatida no diálogo Xenon e em Sobre as Coisas Criadas);
  3. a sua interpretação espiritualizante da queda e das realidades últimas — Metódio, apesar da dívida ao método alegórico alexandrino, não conserva traço de origenismo na sua doutrina da queda ou dos fins últimos.

Jerônimo registra ainda um tratado Sobre a Pitonisa dirigido contra Orígenes. É provável que o silêncio de Eusébio sobre Metódio na sua História Eclesiástica se deva justamente a essa oposição a Orígenes, a quem Eusébio admirava.


A confusão sobre a sede episcopal

As fontes divergem sobre onde Metódio foi bispo. Jerônimo (De viris illustribus 83) diz que foi bispo de Olímpia, na Lícia, e depois de Tiro. A passagem por Tiro é, porém, tida por pouco fiável: nenhum autor grego posterior a conhece, e Eusébio dá Tiranião e depois Paulino como bispos de Tiro no tempo da perseguição. Várias tradições associam-no também a Pátara — confusão que nasce, em parte, de o seu diálogo Sobre a Ressurreição se passar em Pátara.


Transmissão e autenticidade de algumas obras

A autenticidade do tratado Sobre o Livre-Arbítrio foi posta em dúvida por alguns críticos, embora a evidência interna confirme as testemunhas antigas que o atribuem a Metódio. Várias obras chegaram apenas em versão eslava, por vezes abreviada, e os escritos contra Porfírio e os comentários exegéticos (sobre o Gênesis e o Cântico dos Cânticos) perderam-se, salvo fragmentos. Como em outros autores pré-nicenos, a sua linguagem cristológica reflete a teologia do seu tempo, e nota-se que parte da transmissão grega passou por mãos posteriores.

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