Pular para conteúdo
Medalius · Codex de Personalidades · Cipriano de Cartago
Cipriano de Cartago
🏛 Padre da Igreja
Período
210–258 (48 anos)
Lugar
Cartago
Estado canônico
Santo
Escola
Patrística (Padres latinos / Igreja africana)
Idioma principal
Latim
Santo · Padre da Igreja

Cipriano de Cartago

210–258
Bispo e Mártir de Cartago Padre da Igreja

São Cipriano de Cartago (Thascius Caecilius Cyprianus, c. 200/210 – 258) foi bispo de Cartago, Padre da Igreja latino e mártir, um dos maiores pastores da Igreja africana antiga. Rico retórico pagão convertido por volta de 246, governou a Igreja durante a perseguição de Décio e a grande peste, defendeu a unidade católica em seu tratado "De Ecclesiae Catholicae Unitate" e foi decapitado sob Valeriano em 258, tornando-se o primeiro bispo de Cartago a alcançar a coroa do martírio.

Biografia

Infância, formação e conversão

Tascius Cæcilius Cyprianus nasceu em Cartago, capital romana do norte da África, por volta do início do século III (as fontes oscilam entre c. 200 e c. 210), no seio de uma família pagã rica e influente. Antes da conversão, distinguiu-se como célebre orador e mestre de retórica, dedicado também à advocacia, gozando de grande posição na metrópole africana.


Por volta de 246, já adulto (cerca dos trinta e cinco anos), converteu-se ao cristianismo sob a influência do idoso presbítero Cecílio (Cæcilianus), em cuja memória adotou o nome de Cecílio. Ao abraçar a fé, abraçou também a renúncia: distribuiu grande parte de seus bens aos pobres e chegou a vender suas propriedades, inclusive os jardins que possuía em Cartago. Dessa primeira fase de fervor nasceu seu primeiro escrito cristão, o "Ad Donatum", monólogo em que descreve como a graça o libertou dos vícios e da corrupção da sociedade romana.


Episcopado e missão

Apesar de neófito, Cipriano foi rapidamente ordenado presbítero e, por volta de 248 ou início de 249, eleito bispo de Cartago pelo voto do povo e o consenso dos bispos, vencendo a própria resistência humilde com que a princípio recuara diante de homens mais antigos na fé.


Seu episcopado foi logo provado pela perseguição de Décio, iniciada com o edito de janeiro de 250. Diante do perigo, Cipriano retirou-se para um lugar seguro, de onde continuou a governar a Igreja por cartas; embora seus adversários o censurassem por essa ausência, ele a entendia como modo de não expor a comunidade nem deixá-la sem pastor. A perseguição produziu o grave problema dos "lapsi" — os milhares que apostataram ou compraram falsos certificados de sacrifício (os "libellatici") — cuja readmissão Cipriano regulou em concílios reunidos em Cartago, admitindo-os à penitência sob condições rigorosas.


Quando uma terrível peste assolou Cartago, o bispo exortou os fiéis à misericórdia para com todos, inclusive os inimigos e perseguidores, escrevendo o "De mortalitate" para consolar os atribulados e o "De opere et eleemosynis" para estimular a caridade efetiva para com os pobres, dando ele próprio o exemplo.


Lutas e controvérsias

A questão dos lapsos e da penitência gerou cismas em sentidos opostos. Em Cartago, o diácono Felicíssimo e o presbítero Novato lideraram a facção laxista contra a autoridade do bispo; em Roma, Novaciano encabeçou o rigorismo, recusando o perdão aos caídos e erguendo-se como antipapa contra o legítimo Papa Cornélio, a quem Cipriano apoiou firmemente. Foi nesse contexto que Cipriano compôs, por volta de 251, o "De Ecclesiae Catholicae Unitate", defesa clássica da unidade da Igreja em torno do episcopado.


Mais tarde, surgiu a célebre controvérsia do rebatismo: Cipriano sustentava que o batismo conferido por hereges era inválido e que estes deviam ser rebatizados, doutrina que ele e um concílio de bispos africanos defenderam. O Papa Estêvão I, ao contrário, manteve a tradição romana de apenas impor as mãos aos hereges convertidos. A Igreja seguiu, por fim, a posição de Estêvão e de Roma; ainda assim, Cipriano nunca foi excomungado nem condenado, permaneceu em comunhão com a Sé Apostólica e morreu mártir e santo, sendo venerado como Padre da Igreja.


Martírio e legado

Sob a perseguição de Valeriano, Cipriano foi levado em 30 de agosto de 257 perante o procônsul Aspásio Paterno e, recusando-se a renegar a fé, foi exilado para Curubis (atual Korba, na Tunísia), onde continuou a confortar e instruir os fiéis. Um novo edito, que ordenava a execução imediata de bispos, presbíteros e diáconos, levou o procônsul Galério Máximo, sucessor de Paterno, a chamá-lo de volta a Cartago.


Processado em 14 de setembro de 258, Cipriano recusou-se a sacrificar aos deuses e ouviu a sentença de morte por decapitação, à qual respondeu: "Graças a Deus". Conduzido ao campo de Sexto (Ager Sexti), despojou-se do manto, ajoelhou-se em oração e vendou os próprios olhos antes de ser degolado. Foi o primeiro bispo de Cartago a alcançar a coroa do martírio. Seu legado eclesiológico — sobretudo a doutrina da unidade da Igreja e do episcopado — permanece fundamental, e sua festa é celebrada em 16 de setembro juntamente com a do Papa São Cornélio.

Contexto

O contexto em que viveu

São Cipriano viveu em pleno século III, durante a chamada "crise do terceiro século" (c. 235–284), o período mais conturbado da história do Império Romano antes de sua queda. Iniciada com o assassinato do imperador Severo Alexandre por suas próprias tropas em 235, a crise viu mais de vinte imperadores se sucederem em meio século, quase sempre alçados ao poder pelos exércitos — os chamados "imperadores-soldados". Guerras civis, invasões de povos germânicos nas fronteiras, a pressão crescente do renovado Império Sassânida persa no Oriente, o colapso econômico provocado pela desvalorização contínua da moeda e até a fragmentação territorial do império (com o efêmero Império Gálico no Ocidente e o Reino de Palmira no Oriente) compunham o cenário de instabilidade em que o bispo de Cartago exerceu seu ministério.


Nesse mundo conturbado, a Igreja do norte da África era uma das comunidades cristãs mais pujantes e organizadas do Ocidente. Cartago, capital da província da África Proconsular, foi o berço da cristandade latina: foi ali, e não em Roma — onde os cristãos ainda usavam predominantemente o grego —, que surgiram a primeira literatura teológica em língua latina e as primeiras versões latinas das Escrituras. Cipriano é herdeiro direto dessa tradição: tinha em Tertuliano, também cartaginês e considerado o "pai da literatura cristã latina", seu mestre, a ponto de chamá-lo simplesmente de "o Mestre". A Igreja africana gozara de cerca de quatro décadas de relativa paz, prosperidade que, segundo os antigos, gerara certo relaxamento entre clero e fiéis.


Essa paz foi rompida pela perseguição do imperador Décio. Por um edito promulgado no início de 250, Décio ordenou que todos os habitantes do império — exceto os judeus — oferecessem sacrifício e queimassem incenso aos deuses e pelo bem-estar do imperador, na presença de um magistrado romano, recebendo então um certificado escrito, o libellus, assinado por magistrado e testemunhas, que comprovava o ato. Tratava-se menos de uma campanha contra os cristãos do que de um juramento universal de fidelidade ao imperador; mas, para os cristãos, sacrificar aos ídolos era apostasia. A medida provocou numerosas quedas: surgiu uma multidão de lapsi (os "caídos"), distinguindo-se entre os sacrificati (que de fato sacrificaram), os thurificati (que queimaram incenso) e os libellatici (que, sem sacrificar, obtiveram ou compraram o certificado) — vários milhares deles só em Cartago. A questão do tratamento e da readmissão desses caídos tornou-se o grande problema pastoral que Cipriano teria de enfrentar.


Ao tempo da crise causada pela perseguição somou-se a de uma devastadora epidemia, conhecida justamente como a "Peste de Cipriano", que assolou o império de cerca de 249 a 262. Surgida provavelmente no Egito e espalhando-se por todo o mundo romano, a peste provocou mortalidade catastrófica — falava-se em milhares de mortes diárias nas grandes cidades —, agravando a escassez de mão de obra, o enfraquecimento do exército e o clima de pânico social. Cipriano descreveu seus horrores no tratado De mortalitate ("Sobre a mortalidade") e, em Cartago, organizou socorro aos doentes e o sepultamento dos mortos.


A relação entre a Igreja de Roma e a de Cartago também marcou esse contexto. Diante do cisma de Novaciano em Roma (251), Cipriano sustentou a legitimidade do papa Cornélio. Mais tarde, porém, surgiu grave controvérsia com o papa Estêvão I sobre a validade do batismo conferido por hereges: a tradição africana, reafirmada por concílios em Cartago — entre eles o de oitenta e sete bispos, em setembro de 256 —, julgava nulo tal batismo e exigia novo batismo dos convertidos, ao passo que Roma reconhecia a validade do rito. O episódio expôs a tensão sobre a extensão da autoridade do bispo de Roma frente aos concílios africanos.


Finalmente, foi sob a perseguição do imperador Valeriano que Cipriano selou seu testemunho. Um primeiro edito, em 257, proibia os cristãos de se reunirem e de frequentarem os cemitérios e enviava o clero ao exílio — em 30 de agosto de 257, Cipriano foi desterrado para Curubis. Um segundo edito, em 258, muito mais severo, mandava executar imediatamente bispos, presbíteros e diáconos. Nesse contexto morreram o papa Sisto II, em 6 de agosto de 258, e o próprio Cipriano, decapitado em Cartago em 14 de setembro de 258.

Fatos contextuais
Crise do século III do Império Romano
O Império Romano mergulha na chamada Crise do Século III: instabilidade política...
Nascimento em Cartago (c. 200/210)
Thascius Caecilius Cyprianus nasce em Cartago, de família pagã rica, e torna-se...
Conversão e batismo; 'Ad Donatum'
Convertido pelo presbítero idoso Cecílio (Caecilianus), Cipriano renuncia à vida...
Eleição como Bispo de Cartago (c. 248/249)
Ainda recém-convertido, Cipriano é eleito bispo de Cartago por voto do povo e co...
Décio torna-se imperador
Em outubro de 249, Décio (r. 249–251) torna-se imperador com a ambição de restau...

Suas contribuições à teologia

Thascius Caecilius Cyprianus (c. 200/210 – 258), advogado e retor convertido por volta de 246, eleito bispo de Cartago em 248/249 e martirizado por decapitação em 14 de setembro de 258, é o grande Padre latino da unidade da Igreja. Sua reflexão nasce da experiência pastoral concreta das perseguições (Décio, Valeriano) e dos cismas, e se cristalizou em tratados que se tornaram referência permanente para a eclesiologia católica.

A eclesiologia da unidade

Na obra-chave De Ecclesiae Catholicae Unitate (Sobre a unidade da Igreja Católica, c. 251), Cipriano ensina que a Igreja é uma só, indivisível, como uma fonte de onde brotam muitos rios e um sol de onde se difundem muitos raios. Dela afirma que é a única esposa de Cristo, e formula a imagem que se tornaria célebre: "Não pode mais ter a Deus por Pai quem não tem a Igreja por Mãe" (cap. 6). Daí também a doutrina de que não há salvação fora da Igreja, expressa na comparação com a Arca de Noé: "Se alguém pôde escapar estando fora da Arca de Noé, então também escapará quem estiver fora da Igreja" (cap. 6); a fórmula latina sintética "salus extra ecclesiam non est" aparece em sua correspondência sobre o batismo (Carta 73, §21).

A unidade da Igreja tem como sinal e garantia a unidade do episcopado. Cipriano formula o princípio que o tornaria clássico: "O episcopado é um só, do qual cada parte é detida por cada um para o todo" (episcopatus unus est, cuius a singulis in solidum pars tenetur, cap. 5). Cada bispo, na sua Igreja, é o centro visível da unidade, e todos juntos, em concórdia, são solidariamente um único episcopado.

Quanto à Cátedra de Pedro como origem e sinal dessa unidade, é preciso registrar com cuidado um problema textual reconhecido pela crítica: o capítulo 4 do De Unitate sobreviveu em duas recensões — a chamada "Primacy Text", com expressões mais explícitas sobre o primado de Pedro, e a "Textus Receptus", que fala mais sobriamente de Pedro como ponto de partida da unidade. Os estudos de Maurice Bévenot concluíram que ambas remontam ao próprio Cipriano. Aqui não se toma partido: registra-se apenas que a questão das duas redações é debatida.

Penitência e os lapsi

No De Lapsis (Sobre os caídos), diante dos que apostataram ou compraram libelli durante a perseguição, Cipriano traça uma posição de equilíbrio. Rejeita o laxismo das reconciliações fáceis, que dispensavam a penitência, e exige penitência verdadeira e proporcional à culpa: "A uma ferida profunda não falte um tratamento longo e cuidadoso; não seja a penitência menor que o pecado" (cap. 35). Ao mesmo tempo, contra o rigorismo de Novaciano — que negava para sempre a reconciliação aos caídos —, sustenta que o caído pode ser readmitido pela penitência e pela autoridade do bispo.

Batismo e sacramentos: a controvérsia do rebatismo

Coerente com sua eclesiologia, Cipriano liga a validade dos sacramentos à comunhão com a Igreja: quem está fora dela não pode dar o que não possui. Na controvérsia do batismo dos hereges, sustentou que tal batismo era inválido e que os convertidos deviam ser batizados na Igreja, invocando de novo a imagem da Arca: assim como quem não estava na Arca de Noé não pôde ser salvo pela água, tampouco pode ser salvo pelo batismo quem não foi batizado na Igreja (Carta 73, §11). Nisso entrou em conflito com o Papa Estêvão I, que sustentava a prática romana de receber os hereges convertidos apenas pela imposição das mãos. A Igreja viria depois a confirmar a posição romana; Cipriano, porém, sempre se manteve na unidade católica e morreu mártir.

Eucaristia e sacrifício

A Carta 63 (numeração das edições críticas; 62 na numeração do New Advent), Ad Caecilium, é um dos textos mais importantes da teologia eucarística primitiva. Cipriano afirma o caráter sacrificial da Eucaristia e a ação do sacerdote em nome de Cristo: "aquele sacerdote desempenha verdadeiramente o ofício de Cristo que imita o que Cristo fez; e então oferece um sacrifício verdadeiro e pleno na Igreja a Deus Pai" (§14), e que "a paixão do Senhor é o sacrifício que oferecemos" (§17). Defende ainda o cálice misto — vinho misturado com água — como prática e mandato do próprio Cristo (§9, §13).

Martírio e confissão da fé

Por fim, Cipriano valoriza o martírio e a confissão, mas com discernimento: a confissão é "o começo da glória, não o pleno merecimento da coroa" (De Unitate, cap. 21) — o confessor deve perseverar humilde e na unidade da Igreja. No De Mortalitate, escrito durante a peste de c. 252, exorta os cristãos a não temer a morte, vendo-a como "não um fim, mas um trânsito e, percorrido este caminho do tempo, uma passagem para a eternidade" (cap. 22). Sua própria morte, decapitado em 258, selou com o sangue a doutrina que pregara.

"Não pode mais ter a Deus por Pai quem não tem a Igreja por Mãe. Se alguém pôde escapar estando fora da Arca de Noé, então também escapará quem estiver fora da Igreja. (Habere iam non potest Deum patrem, qui Ecclesiam non habet matrem.)" De Ecclesiae Catholicae Unitate (Sobre a unidade da Igreja), 6
Influência

Quem ele influenciou

São Cipriano tornou-se uma das maiores autoridades da eclesiologia latina. Sua doutrina sobre a unidade da Igreja, o episcopado e a comunhão dos bispos moldou o pensamento ocidental posterior; a ele se atribuem fórmulas que se tornaram clássicas, como "não pode ter a Deus por Pai quem não tem a Igreja por Mãe" (De Ecclesiae Catholicae Unitate) e a afirmação de que fora da Igreja não há salvação.Sua influência sobre Santo Agostinho foi notável. Na controvérsia donatista, Agostinho recorre amplamente a Cipriano, sobretudo em De Baptismo: reconhece que Cipriano errou ao defender o rebatismo, mas mostra que ele permaneceu na unidade da Igreja e não se separou dela, ganhando "a coroa do martírio naquela unidade da qual não se separaria, ainda que dela discordasse". Assim, Agostinho transforma Cipriano de suposto fundamento dos donatistas em argumento contra eles: a verdadeira herança de Cipriano é a unidade, não o cisma.A teologia cipriânica do episcopado e da unidade alimentou os concílios africanos e a tradição canônica do Ocidente. É necessário sinalizar, porém, que no século IV os donatistas invocaram a autoridade de Cipriano e dos concílios de Cartago sobre o rebatismo para legitimar sua prática separatista — apropriação que Agostinho contestou, lembrando que Cipriano jamais rompeu a comunhão da Igreja.

Debates

Debates e controvérsias

A questão dos lapsi e da penitência

Durante e após a perseguição de Décio (250), muitos cristãos apostataram: uns por sacrifício efetivo aos deuses, outros adquirindo certificados falsos (os libellatici). Surgiu a disputa sobre como readmiti-los. De um lado, o laxismo de Felicíssimo e de certos confessores, que concediam a reconciliação imediata sem penitência; de outro, o rigorismo que negava o perdão. Cipriano sustentou uma via intermediária: os caídos deviam ser readmitidos, mas mediante penitência proporcional e ordenada, sem que os lapsos ficassem em posição melhor do que os que permaneceram firmes. A questão foi disciplinada nos concílios de Cartago, sob a presidência de Cipriano.

O cisma de Novaciano

Em Roma, o presbítero Novaciano fez-se antipapa contra o legítimo Papa Cornélio, defendendo o rigorismo de recusar absolvição aos lapsos. Cipriano apoiou firmemente Cornélio como bispo legítimo de Roma e condenou o cisma novacianista, reforçando seu princípio de que fora da unidade do episcopado e da Igreja não há salvação.

A controvérsia do rebatismo com o Papa Estêvão I

Cipriano sustentava que o batismo conferido por hereges era inválido e que os convertidos deviam ser "rebatizados". Concílios africanos (notadamente o de setembro de 256, com 87 bispos) confirmaram essa posição. O Papa Estêvão I, invocando o costume romano, recusou o rebatismo e mandou apenas impor as mãos aos hereges arrependidos, ameaçando com excomunhão quem inovasse. O tom da disputa foi áspero de ambos os lados.

É preciso deixar claro: a Igreja seguiu a posição de Roma (o batismo válido, mesmo dado por hereges, não se repete), que se tornou a doutrina católica definitiva. Cipriano, porém, nunca foi condenado nem excomungado: a ruptura não chegou a consumar-se, e seu sucessor de Roma, o Papa Sisto II, restabeleceu a comunhão. Cipriano permaneceu em comunhão com a Igreja e é venerado como santo e mártir; Santo Agostinho ensinou que seu glorioso martírio expiou o excesso de palavras contra Estêvão.

A "ausência" durante a perseguição de Décio

Quando rebentou a perseguição de Décio (250), Cipriano retirou-se para um lugar oculto, governando a Igreja por cartas. Foi criticado, então, por ter "fugido". Sua defesa: permanecer em Cartago seria expor-se à morte sem proveito, provocar maior perigo aos fiéis e deixar a Igreja sem governo. Continuou a administrar a comunidade, socorrer os necessitados e sustentar os confessores. Sua coragem ficou afinal selada pelo martírio em 258, sob Valeriano, quando enfrentou a morte abertamente.

Conheça também

Outras personalidades

!

Encontrou algo incorreto?

Por mais que tentemos manter o conteúdo verificado e fiel às fontes, erros podem acontecer. Nos avise para que possamos verificar e corrigir.

Conheça mais pessoas.

O Codex de Personalidades cataloga as figuras da história cristã.