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Medalius · Codex de Personalidades · São Nicolau de Flüe
São Nicolau de Flüe

Autor desconhecido (retábulo da igreja paroquial de Sachseln), 1492 · fonte · PD

◐ Verbete reduzido
Período
Séc. XV
Lugar
Ranft, Obwalden, Suíça
Estado canônico
Santo
Personalidade · Atribuição incerta

São Nicolau de Flüe

Séc. XV · Ranft, Obwalden, Suíça

São Nicolau de Flüe (1417–1487), conhecido como “Irmão Klaus” (Bruder Klaus), foi um leigo suíço — agricultor, soldado e magistrado — que, aos cinquenta anos, com o consentimento da esposa e dos dez filhos, deixou a família para viver como eremita na garganta do Ranft. Místico e conselheiro, é celebrado sobretudo por ter, em 1481, evitado uma guerra civil entre os cantões na Dieta de Stans. Canonizado em 1947 por Pio XII, é o padroeiro da Suíça.

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O que se sabe

Infância e vida no mundo

Nicolau de Flüe nasceu em 1417, no Flüeli, um planalto fértil acima de Sachseln, no cantão de Obwalden, na Suíça central. Era o filho mais velho de uma família de camponeses livres, piedosos e de boas posses. Desde a juventude uniu o trabalho do campo a uma vida de oração e mortificação.


Como todo cidadão livre da Antiga Confederação, prestou serviço militar: combateu nas guerras dos cantões, distinguindo-se sobretudo na campanha contra Zurique e, mais tarde, na chamada guerra de Turgóvia contra o arquiduque Sigismundo da Áustria, em 1460. A tradição lembra-o empunhando a espada numa das mãos e o rosário na outra. Homem íntegro e respeitado, foi eleito conselheiro e juiz do cantão, que serviu por cerca de vinte anos, recusando porém a alta dignidade de Landammann (governador).


Por volta dos vinte e cinco anos casou-se com Dorothea Wyss, de Sachseln, com quem teve dez filhos — cinco homens e cinco mulheres.


Conversão e vida eremítica

Movido por uma profunda inspiração interior, em 16 de outubro de 1467, por volta dos cinquenta anos, deixou a família com o consentimento da esposa e dos filhos mais velhos e partiu em trajes de peregrino. Caminhou rumo ao norte, em direção à Alsácia; mas, nas cercanias de Liestal, teve uma experiência mística tão intensa que se sentiu instado a voltar. Fixou-se então na garganta do Ranft, a curta distância de sua própria casa.


Ali viveu como eremita. As autoridades do cantão mandaram construir-lhe uma cela e uma capela, e um capelão passou a celebrar a Missa, à qual assistia diariamente. Segundo a tradição, confirmada por um cuidadoso exame eclesiástico, Nicolau passou cerca de dezenove anos sem tomar alimento nem bebida, sustentando-se unicamente da Eucaristia. Dedicava os dias à oração e à meditação. Entre suas experiências espirituais está a célebre visão da “roda” — uma face no centro de um círculo, símbolo meditado da Santíssima Trindade.


A Dieta de Stans (1481)

A fama de sua santidade e sabedoria atraía visitantes de toda parte, que buscavam seu conselho. Seu feito mais célebre deu-se em 1481. A Confederação estava à beira da guerra civil: as tensões entre cantões rurais e urbanos, agravadas pela partilha do butim das guerras da Borgonha e pela disputa em torno da admissão das cidades de Friburgo e Solothurn, ameaçavam romper a aliança.


Reunidos os delegados na Dieta (Tagsatzung) de Stans, e fracassadas as negociações, o pároco da localidade, Heini am Grund, dirigiu-se de noite ao eremita para pedir-lhe conselho. Voltou com uma mensagem de Nicolau e convocou novamente os delegados. O acordo foi selado em 22 de dezembro de 1481 (o Stanser Verkommnis), que evitou a guerra e admitiu Friburgo e Solothurn na Confederação. O teor exato do conselho permanece desconhecido até hoje, mas a paz alcançada foi atribuída ao Irmão Klaus.


Últimos anos, morte e legado

Nicolau permaneceu no Ranft até o fim. Morreu em 21 de março de 1487, após breve doença, e foi sepultado na igreja paroquial de Sachseln, onde suas relíquias são veneradas e atraem peregrinos.


Foi beatificado em 1669 pelo papa Clemente IX e canonizado em 15 de maio de 1947 pelo papa Pio XII. Venerado como padroeiro da Suíça e da Guarda Suíça Pontifícia, é invocado sobretudo como santo da paz. Sua festa é celebrada em 21 de março no calendário romano, e em 25 de setembro na Suíça e na Alemanha.

Contexto

O contexto

Nicolau de Flüe viveu no século XV, no fim da Idade Média, em plena consolidação da Antiga Confederação Suíça, então uma aliança de oito cantões em expansão. Era uma sociedade de camponeses livres e cidades autônomas, na qual o serviço militar e a participação nas assembleias e tribunais faziam parte da vida do cidadão comum — daí a trajetória de Nicolau como soldado, conselheiro e juiz antes de tornar-se eremita.


Seu tempo foi marcado pelas guerras da Borgonha, em que os confederados derrotaram Carlos, o Temerário, duque da Borgonha (1476–1477). A vitória trouxe prestígio, mas também ricos despojos e novas candidaturas de cidades à Confederação, acirrando as tensões entre os cantões rurais e urbanos. Foi essa crise, de 1477 a 1481, que quase desembocou em guerra civil e foi resolvida no acordo de Stans, com a mediação atribuída ao eremita.


No plano religioso, era a época da devotio moderna, corrente de piedade interior e meditação que se difundia na Europa central e que se harmoniza com a espiritualidade contemplativa de Nicolau, sua intensa vida eucarística e suas visões trinitárias. Sua canonização, séculos depois, em 1947, logo após a Segunda Guerra Mundial, consagrou-o como símbolo nacional de paz e unidade para a Suíça poupada do conflito.

Período histórico
Nascimento no Flüeli
Nicolau nasce em 1417 no Flüeli, planalto próximo a Sachseln, cantão de Obwalden...
Casamento com Dorothea Wyss
Por volta dos vinte e cinco anos casa-se com Dorothea Wyss, de Sachseln, com que...
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