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Medalius · Codex de Personalidades · São Carlos Borromeu
São Carlos Borromeu
◐ Verbete reduzido
Período
Séc. XVI
Lugar
Milão
Estado canônico
Santo
Idioma da obra
Latim
Personalidade · Atribuição incerta

São Carlos Borromeu

Séc. XVI · Milão

São Carlos Borromeu (1538–1584) foi cardeal e arcebispo de Milão, uma das figuras centrais da Contrarreforma católica. Sobrinho do Papa Pio IV, teve papel decisivo na conclusão e na aplicação do Concílio de Trento, reformando profundamente sua arquidiocese por meio de seminários, catequese e concílios provinciais. Pastor incansável, ficou célebre pela caridade heroica durante a peste de Milão de 1576-1577, quando percorreu a cidade a pé para socorrer os doentes. Sua festa é celebrada em 4 de novembro.

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O que se sabe

Infância, formação e conversão

Carlos Borromeu nasceu em 2 de outubro de 1538, no castelo de Arona, à margem do Lago Maggiore, no Ducado de Milão. Era filho do conde Gilberto Borromeo, da nobre família Borromeo, e de Margherita de' Medici, irmã de Giovanni Angelo de' Medici, que em 1559 se tornaria o Papa Pio IV. Desde jovem recebeu a tonsura e foi destinado à vida eclesiástica.

Em 1552 partiu para a Universidade de Pavia, onde estudou Direito. Em 1559 sustentou sua tese e obteve o doutorado in utroque iure, em Direito Civil e Canônico. Seu pai havia falecido no início de agosto de 1558, deixando ao jovem Carlos pesadas responsabilidades familiares, que ele conciliou com os estudos.


Vida adulta e missão principal

Quando seu tio foi eleito papa, Carlos foi chamado a Roma. Em 31 de janeiro de 1560, com apenas 22 anos, foi criado cardeal e recebeu o encargo de Secretário de Estado, dirigindo a administração dos Estados Pontifícios; em 8 de fevereiro foi nomeado administrador da sé de Milão. Em 1561 fundou o Colégio Borromeo, em Pavia, para a formação de estudantes pobres.

Teve papel decisivo na reabertura e na conclusão da terceira convocação do Concílio de Trento (1562-1563), bem como na aplicação de seus decretos, contribuindo para a elaboração do Catecismo Romano. Ordenado sacerdote em 1563 e consagrado bispo em 7 de dezembro do mesmo ano, foi confirmado arcebispo de Milão em 1564. Fez sua entrada solene em Milão em 23 de setembro de 1565, sendo aclamado pelo povo como um novo Ambrósio. Para reformar o clero, fundou o Seminário de Milão (1564) e instituiu a Confraria da Doutrina Cristã, voltada à catequese; convocou ainda sucessivos concílios provinciais e sínodos diocesanos para aplicar a reforma tridentina.


Lutas, controvérsias ou perseguições

O rigor reformador de Carlos provocou forte oposição. Em 26 de outubro de 1569, enquanto rezava em sua capela, sofreu um atentado: um membro da ordem decadente dos Humiliati, que ele tentava reformar, disparou-lhe um arcabuz à queima-roupa, mas o tiro não o perfurou, fato tido por milagre. Como arcebispo, enfrentou também repetidos conflitos de jurisdição com os governadores espanhóis de Milão, chegando a excomungar autoridades que se opunham à autoridade eclesiástica.

A maior prova de sua caridade veio com as calamidades públicas. Durante a fome que assolou Milão por volta de 1570 e, sobretudo, durante a peste de 1576-1577, que ficou conhecida como a "peste de São Carlos", o arcebispo permaneceu na cidade enquanto muitos fugiam. Sustentou milhares de famintos e visitava pessoalmente os doentes. Para implorar a misericórdia divina, presidiu procissões caminhando descalço, com uma corda ao pescoço, carregando nas mãos a relíquia do Santo Prego.


Últimos anos e legado

Esgotado por anos de trabalho pastoral, penitências e jejuns, Carlos fundou em 16 de agosto de 1578 a congregação dos Oblatos de Santo Ambrósio, sacerdotes seculares dedicados a auxiliá-lo na reforma. Continuou suas visitas pastorais e a multiplicar obras de caridade e de catequese por toda a arquidiocese.

Atingido por febre, morreu em Milão na noite de 3 de novembro de 1584, pronunciando as palavras "Ecce venio" ("Eis que venho"). Foi sepultado na catedral de Milão, o Duomo. Beatificado em 1602 pelo Papa Clemente VIII, foi canonizado em 1º de novembro de 1610 pelo Papa Paulo V, que fixou sua festa em 4 de novembro. Modelo de bispo reformador, é hoje venerado como um dos grandes patronos da Contrarreforma.

Contexto

O contexto

São Carlos Borromeu viveu no século XVI, no auge das tensões entre a Reforma Protestante e a resposta católica conhecida como Contrarreforma. A Igreja, abalada pela cisão luterana e por abusos internos, buscava sua renovação sobretudo por meio do Concílio de Trento (1545-1563), do qual Carlos foi um dos principais artífices na fase final e o mais zeloso aplicador.

A Itália do período estava politicamente fragmentada e em grande parte sob influência estrangeira. Milão, a sede arquiepiscopal de Carlos, encontrava-se sob domínio espanhol, governada por governadores nomeados pela Coroa de Espanha. Isso gerou frequentes conflitos de jurisdição entre a autoridade eclesiástica do arcebispo e o poder civil espanhol, em torno de costumes, festas públicas e dos limites entre o foro religioso e o secular.

Foi nesse cenário de reforma e de embates entre Igreja e poder temporal que Carlos Borromeu tornou-se modelo do bispo tridentino: residente em sua diocese, dedicado à formação do clero por meio de seminários, à instrução do povo pela catequese e ao socorro dos pobres e doentes, especialmente nas grandes calamidades como a fome e a peste que atingiram Milão.

Período histórico
Nascimento no Castelo de Arona
Carlos nasce em 2 de outubro de 1538 no Castelo de Arona, às margens do Lago Mag...
Abertura do Concílio de Trento
Inicia-se em Trento o grande concílio da reforma católica, que se estenderia por...
Doutor in utroque iure em Pavia
Forma-se doutor em Direito Civil e Canônico (in utroque iure) na Universidade de...

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