São João Xenos
Monge e eremita bizantino de Creta (séc. X–XI), conhecido como João, o Eremita. Chamado "Xenos" (o estrangeiro/peregrino) por sua vida itinerante, fundou igrejas e mosteiros pela ilha, entre eles o mosteiro de Myriokephala. É venerado como santo na Igreja Ortodoxa e figura no Martirológio Romano.
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O que se sabe
Infância e Vocação
João Xenos (em grego, Ἰωάννης Ξένος) nasceu por volta do ano 970, segundo o escriba que copiou sua biografia, no lugar de Siba — provavelmente a atual aldeia de Sivas, na planície da Messará, em Creta bizantina. Filho de uma família abastada, abandonou os bens e o conforto do mundo para abraçar a vida ascética. Recebeu o sobrenome de "Xenos", isto é, "o estrangeiro" ou "o peregrino", por seu modo de vida itinerante: durante longo tempo percorreu sozinho o ocidente da ilha, segundo suas próprias palavras, "de montanha em montanha".
Missão e Obra
Movido por visões que dizia receber, João dedicou a vida a edificar igrejas e mosteiros e a confiá-los aos monges. Em obediência a uma aparição dos santos cretenses Eutíquio e Eutíquiano, levantou em Rethymno a primeira de várias igrejas em honra desses santos. Após uma visão da Mãe de Deus Antifonitria, construiu no alto de um monte o mosteiro de Myriokephala, que subsiste até hoje e conserva pinturas murais do início do século XI. Fundou ainda as igrejas de São Jorge Doubrikas, perto de Roústika, e de São Jorge Opsaropiastes, junto a Chromonastíri, além de outras capelas e oratórios pela região. Viajou a Constantinopla para obter privilégios imperiais e eclesiásticos em favor de suas fundações, das quais Myriokephala era a casa-mãe; à volta, deslocou sua atividade para o noroeste da ilha, erguendo novos santuários nas cercanias da atual Azogyres, e por fim recolheu-se em busca de solidão na região de Kísamos.
Morte e Legado
João Xenos faleceu no século XI, depois de 1027. A tradição relata que passou algum tempo na aldeia de Spelia, onde lhe foi dedicado um oratório, e que teria sido sepultado no mosteiro de Gouverneto. Deixou uma autobiografia em grego, o Bíos kai politeía, preservada em manuscritos posteriores, e um testamento que organizava todas as suas fundações como uma unidade sob a autoridade de Myriokephala; a ele se atribuem também sermões sobre o Evangelho de Mateus e alguns hinos. Venerado como santo na Igreja Ortodoxa e inscrito no Martirológio Romano, é lembrado como o monge que difundiu a vida monástica na Creta bizantina.
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