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Medalius · Codex de Personalidades · Hipólito de Roma
Hipólito de Roma
◐ Verbete reduzido
Período
Séc. II–III
Lugar
Roma
Estado canônico
Santo
Idioma da obra
Grego
Personalidade · Atribuição incerta

Hipólito de Roma

Séc. II–III · Roma

Hipólito de Roma (c. 170 – c. 235 d.C.) foi presbítero, teólogo e escritor de língua grega da Igreja de Roma, tido como o mais culto e prolífico autor cristão de Roma no período pré-constantiniano e um grande Padre da Igreja. Rigoroso defensor da teologia do Logos contra o modalismo, entrou em conflito com os papas Zeferino e Calisto I e deixou-se eleger bispo rival, tornando-se o primeiro antipapa da história (c. 217), em oposição também a Urbano I e Ponciano. Deportado para as minas da Sardenha em 235, sob a perseguição de Maximino Trácio, reconciliou-se ali com o papa Ponciano e morreu mártir; seus restos foram trasladados a Roma e ele é venerado como santo e mártir, com festa em 13 de agosto.

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O que se sabe

Formação, sacerdócio e o cenário romano

Hipólito (em latim, Hippolytus Romanus) nasceu por volta de 170 d.C., em lugar incerto, e foi presbítero da Igreja de Roma já no início do século III. Formado na tradição teológica de Santo Irineu de Lião — de quem teria sido discípulo, em Roma ou em Lião —, tornou-se o teólogo mais importante e o escritor religioso mais prolífico da Igreja Romana no período anterior a Constantino. Escrevia em grego, então ainda a língua culta da comunidade cristã de Roma, e gozava de tamanha reputação que Orígenes, ao visitar a cidade por volta de 212, teria ouvido uma de suas homilias.


A disputa teológica e disciplinar com Zeferino e Calisto

Hipólito combateu com firmeza as doutrinas monarquianistas e modalistas de Noeto, Epígono, Cleómenes e Sabélio, defendendo intransigentemente a real distinção entre o Filho (o Logos) e o Pai — a chamada teologia do Logos. Censurou o papa Zeferino por leniência diante desses erros e voltou-se sobretudo contra o papa Calisto I, a quem acusou de ter rebaixado a disciplina eclesiástica e, em especial, a penitencial, a uma lassidão indigna, ao estender a absolvição a pecados graves como o adultério. Movido por esse rigorismo, recusou-se a reconhecer o legítimo bispo de Roma.


O cisma e o primeiro antipapa

Quando Calisto foi eleito papa (217–218), Hipólito retirou-se da comunhão da Igreja Romana e deixou-se eleger bispo rival pelo seu pequeno grupo de seguidores, tornando-se assim o primeiro antipapa da história da Igreja. Manteve a oposição ao longo dos pontificados dos dois sucessores imediatos de Calisto, Urbano I (c. 222–230) e Ponciano (230–235), perpetuando o cisma em Roma por quase duas décadas.


Exílio, reconciliação, martírio e legado

Em 235, sob a perseguição do imperador Maximino Trácio, Hipólito foi deportado, junto com o papa Ponciano, para a insalubre ilha da Sardenha (a insula nociva), condenado aos trabalhos das minas. No exílio, reconciliou-se com o legítimo bispo de Roma e exortou seus seguidores a se reunirem à Igreja, encerrando o cisma. Ambos morreram na Sardenha, tidos como mártires, e seus restos mortais foram trasladados a Roma no mesmo dia, 13 de agosto (em 236 ou pouco depois), pelo papa Fabiano, e ali sepultados solenemente. A Igreja Romana venerou os dois igualmente como mártires, e Hipólito é honrado como santo e grande Padre da Igreja. Não se deve confundi-lo com a figura lendária de um “Hipólito” soldado despedaçado por cavalos, fruto de conflação posterior com o mito grego e com um mártir de Porto.

Contexto

O contexto

Hipólito viveu no fim do século II e no início do século III, num período em que a Igreja de Roma deixava de ser uma comunidade predominantemente grega para firmar-se como centro de governo de toda a cristandade. Ainda se escrevia e se rezava em grego em Roma — o próprio Hipólito foi o último grande escritor eclesiástico romano a usar essa língua —, ao mesmo tempo em que o latim começava a ganhar espaço na vida da Igreja.


No plano político, era a época da dinastia dos Severos. Sob os últimos anos de Cômodo (180–192) e os primeiros de Septímio Severo (a partir de 193), a Igreja de Roma gozou em geral de grande paz externa. O imperador Alexandre Severo (222–235) favorecia um ecletismo religioso e mostrava-se benevolente para com os cristãos, de modo que a Igreja de Roma permaneceu praticamente sem perturbações durante o seu reinado. Esse intervalo de tranquilidade terminou bruscamente em 235, quando Maximino, o Trácio, desencadeou uma perseguição dirigida sobretudo contra os chefes da Igreja.


No plano doutrinal, Roma era então o palco das grandes controvérsias cristológicas. Vinda da Ásia Menor, espalhou-se a heresia do monarquianismo modalista — também chamada de patripassianismo —, que, para salvaguardar a unicidade de Deus, confundia o Pai e o Filho numa só pessoa, reduzindo a distinção trinitária a meros modos ou energias. Seus principais nomes foram Noeto de Esmirna, seu discípulo Epígono, Cleómenes e, sobretudo, Sabélio; em Cartago, Praxeas defendia erro semelhante. A esses opunha-se a teologia do Logos, que distinguia realmente o Filho (o Verbo) do Pai — posição da qual Hipólito se fez campeão intransigente.


Os pontífices desse tempo tiveram de governar em meio a essas tensões. Vítor I (c. 189–198/199) afirmou a autoridade da Sé Romana na controvérsia pascal com os quartodecimanos da Ásia e condenou Teódoto, o curtidor, que ensinava ser Cristo um simples homem. Zeferino (c. 198–217) e Calisto I (c. 217–222) procuraram um caminho de moderação que pareceu ambíguo aos olhos rigoristas de Hipólito. A esses se seguiram Urbano I (222–230) e Ponciano (230–235).


Por fim, agitava a comunidade a questão da disciplina penitencial. Calisto I, invocando o poder de ligar e desligar concedido a Pedro, abrandou a praxe penitencial e admitiu de novo à comunhão, depois da devida penitência, os culpados de adultério e fornicação. Essa indulgência foi acusada de excessiva laxidão pelos setores mais severos da Igreja de Roma, que defendiam um rigorismo intransigente diante dos pecados graves — pano de fundo imediato do cisma que marcaria a vida de Hipólito.

Período histórico
Nascimento de Hipólito
Hipólito nasce por volta de 170, no mundo de língua grega do Império Romano. Tor...
Pontificado de Vítor I
Vítor I (c. 189–198/199) governa a Igreja de Roma, afirma a autoridade romana na...
Presbítero sob Zeferino
No pontificado de Zeferino (c. 198–217), Hipólito atua como presbítero de Roma....

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